Cafu Cesar

Cafu Cesar
8° Vice-prefeito de Hortolândia
Período01 de janeiro de 2025
até a atualidade
Prefeito titularZezé Gomes
Antecessor(a)Zezé Gomes
Dados pessoais
Nome completoJosé Nazareno Gomes
Nascimento30 de setembro de 1962 (63 anos)
Ponte Nova, MG, Estados Unidos do Brasil
Partido
  • PT (até meados de 2024)
  • PSB

Carlos Augusto Cesar (Ponte Nova, 30 de setembro de 1962), mais conhecido como Cafu Cesar, é um político brasileiro filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) que realizou a prisão de outros investigados na região.

Atual vice-prefeito de Hortolândia, está oficialmente afastado do cargo desde 18 de novembro de 2025, após ter sido preso preventivamente pela Polícia Federal (PF) no dia 14 do mesmo mês, no contexto da chamada "Operação Coffee Break", instaurada para investigar um esquema de fraudes em diversos municípios paulistas em licitações e contratos de serviços educacionais.[1][2][3]

Biografia

Nascido em 30 de setembro de 1962, na cidade de Ponte Nova, no interior do estado do Minas Gerais, ainda quando criança mudou com a família para o estado de São Paulo.[2]

Em 2016 e 2019 coordenou nas campanhas de Perugini para a Prefeitura de Hortolândia. Em 2017, assumiu a Secretaria de Governo. No comando da pasta, retomou antigos projetos de Perugini, que anteriormente fora prefeito outras duas vezes, tal como a Ponte da Esperança (também conhecida como "Ponte Estaiada"), que conecta a cidade à Rodovia Campinas-Monte Mor (SP-101).[2]

Permaneceu no comando da Secretaria até meados de 2024, quando deixou o cargo para se candidatar ao cargo de Vice-Prefeito, na chapa de Zezé Gomes (REP), na eleição municipal que ocorria naquele ano. Eleito ao lado de Zezé, retomou sua atuação no comando da Secretaria de Governo da Prefeitura de Hortolândia, até ser exonerado em 14 de novembro de 2025, no contexto de da operação "Coffee Break", da Polícia Federal, deflagrada para apurar e combater fraudes em licitações e contratos públicos referentes à área da Educação.[2][4][3][5]

Controvérsias

Abuso de poder político nas eleições de 2024

Em dezembro de 2024, houve repercussão na mídia regional sobre o pedido de cassação dos mandatos do prefeito Zezé Gomes e do vice-prefeito Cafu Cesar.[6]

O pedido foi apresentado à Justiça Eleitoral, em 16 de dezembro de 2024, pela Promotoria de Justiça de Hortolândia, órgão do Ministério Público de São Paulo. Segundo o parecer da promotora responsável pelo caso, Renata Brandão Lazzarini, haveria indícios que levantam suspeitas de que Cafu Cesar teria agido com abuso de poder político durante as eleições de 2024.[6]

Segundo a Promotoria, em 23 de setembro de 2024, o então candidato a vereador Leonardo Martins Moreira, mais conhecido como "Léo da LM" (PSB), e Cafú Cesar, que então compunha a chapa de Zezé para a Prefeitura, teriam coagido a candidata de uma chapa adversária para que ela desistisse da disputa eleitoral.[6]

De acordo com a promotora Renata Brandão, os dois políticos, que seriam aliados, ameaçaram fechar o trailer de lanches da candidata opositora, caso ela não desistisse da disputa eleitoral, e apoiasse o candidato a vereador Léo da LM, também investigado no mesmo caso. [6]

Alguns dias depois da ameaça, foi noticiado pela imprensa que alguém teria rompido os cabos de fornecimento de energia elétrica da barraca de lanches, tornando impossível o funcionamento. Além disso, bandeiras de propaganda eleitoral da candidata haviam sido colocadas ao redor da barraca foram arrancadas e destruídas.Após o ocorrido, a candidata requereu uma medida protetiva, o que foi deferido pela Justiça. Ela relatou também ter sido ameaçada por mensagens, vindas de um número desconhecido. [7]

A promotora responsável pelo caso afirmou que a candidata se recusou a se sujeitar às ameaças, o que motivou o candidato Léo da LM e Cafú Cesar a tentarem persuadir a política oferecendo R$3.000 (três mil reais), se ela desistisse da corrida eleitoral. Segundo a promotora, R$2.000,00 (dois mil reais) seriam pagos por Léo da LM, enquanto os R$1.000 (mil reais) restantes seriam pagos por Cafu Cesar. A proposta teria sido registrada por escrito.[6]

Segundo a candidata, ela não se submeteu às ameaças e não aceitou o dinheiro oferecido, não desistindo de sua campanha. Afirmou ter registrado um boletim de ocorrência contra Léo da LM, apresentado áudios e fotos à polícia que, segundo a candidata, comprovariam a ameaça que sofreu.[6]

Segundo o Ministério Público, o candidato Léo da LM inicialmente negou que conhecesse a candidata. Mais tarde, ele mesmo pediu para prestar um novo depoimento, embora não tenha comparecido na data marcada.[6]

Com relação a Zezé, o pedido de cassação ameaçou seu mandato, devido ao regramento da legislação eleitoral, que considera a chapa para o Executivo "indivisível". O Ministério Público chegou a apontar Zezé como mandante das ameaças à candidata.[6][7]

O advogado Cristiano Vilella, que representa Zezé Gomes e Cafu Cesar no caso, afirma que não há irregularidade alguma, e que o pedido de cassação será, ao final do processo, negado pelo juiz. Além disso, o advogado alegou que áudios anexados ao processo não poderiam ser aceitos como prova, devido ao fato de terem sido gravados de modo anônimo. Também foram anexadas no processo capturas de tela (printscreen, prints) e fotografias. Quanto às imagens, a defesa dos políticos afirmou ser impossível assegurar sua autenticidade, o que faria com que elas, também, não pudessem ser aceitas como prova.[6]

Em janeiro de 2025, a Justiça Eleitoral determinou a cassação dos mandatos do vice-prefeito Cafu Cesar e do vereador Léo da LM, além de impor-lhes a sanção de inelegibilidade pelo período de oito anos.[7]

Por sua vez, Zezé Gomes foi absolvido das acusações pela Justiça Eleitoral, que julgou a acusação do MP improcedente, tendo em vista que não haveria menção alguma a Zezé nas evidências apresentadas pela Promotoria, de acordo com o divulgado pela Justiça Eleitoral. [7]

Operação "Coffee Break"

Cafu Cesar foi preso pela PF em 14 de novembro de 2025, no contexto da Operação Coffee Break da Polícia Federal. Foi oficialmente afastado do cargo de Vice-Prefeito em 18 de novembro de 2025. No mesmo dia em que foi preso, Cafu foi exonerado do cargo de Secretário de Governo da Prefeitura de Hortolândia.[3][5]

A operação intitulada "Coffee Break", coordenada pela Polícia Federal (PF) e pela Controladoria-Geral da União (CGU), foi deflagrada com o objetivo de apurar e combater um esquema de fraudes em contratos de serviços educacionais firmados pela Prefeitura de diversas cidades paulistas. De acordo com o divulgado até o momento, foi constatado que certas empresas eram favorecidas em licitações de materiais educacionais, sendo pagas por materiais que, em sua maioria, não foram recebidos, enquanto os materiais que o foram estavam em qualidade inferior ao previsto.[3][5]

Além de Hortolândia, estão sob investigação os municípios de Limeira e Sumaré. [3][5]

A Câmara Municipal de Limeira pediu acesso aos documentos da operação. Entre todos os investigados cuja prisão foi decretada, apenas o ex-secretário de Educação da Prefeitura de Sumaré, José Aparecido Ribeiro Marin, ainda não foi localizado pela PF, estando foragido até o momento.[3][5]

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), aberta pela Câmara Municipal de Sumaré antes da operação, apurar a ocorrência de superfaturamento e direcionamento na licitação, de problemas pedagógicos e de falhas na entrega dos materiais. Também está no escopo da investigação parlamentar a apuração de eventual prejuízo aos cofres públicos do município, além da apuração de como a licitação e o contrato foram fiscalizados, ou mesmo se o foram. [3][5]

Referências

  1. «Zezé Gomes é empossado prefeito de Hortolândia após morte de Perugini por Covid-19». G1 Campinas e Região. 6 de abril de 2021. Consultado em 13 de novembro de 2025 
  2. a b c d «Cafú, Secretario de Governo de Hortolândia, recebe Título de Cidadão Hortolandense». portalhortolandia.com.br. 5 de maio de 2023. Consultado em 28 de novembro de 2025 
  3. a b c d e f g Albuquerque, Aline (19 de novembro de 2025). «Câmara de Hortolândia afasta oficialmente vice-prefeito preso por suspeita de corrupção». CBN Campinas 99,1 FM. Consultado em 28 de novembro de 2025 
  4. «Cidade favorecida por Lula pagou R$ 24 mi a empresa ligada a ex-secretário». UOL. Consultado em 28 de novembro de 2025 
  5. a b c d e f «Fraudes em licitações: vice-prefeito e secretários de Hortolândia são exonerados após operação da PF». G1. 14 de novembro de 2025. Consultado em 28 de novembro de 2025 
  6. a b c d e f g h i ALVARENGA, João Gabriel; GASPARELO, Bárbara (16 de dezembro de 2024). «MPE pede a cassação de Zezé Gomes e Cafu César em Hortolândia por suspeita de ameaça a candidata». G1 Campinas e Região. Consultado em 13 de novembro de 2025 
  7. a b c d «Justiça determina cassação de mandatos de vice-prefeito e vereador de Hortolândia por suspeita de ameaça a candidata». G1. 5 de janeiro de 2025. Consultado em 13 de novembro de 2025