Cadmo (epônimo)
Cadmo (em armênio: Կադմոս; romaniz.: Kadmos), segundo a História da Armênia de Moisés de Corene, foi um nobre lendário da Armênia.
História
Cyril Toumanoff sugeriu que seu nome derivou do siríaco qadmoio ou qadmo ("primeiro", "primogênito") e pode, por coincidência, estar relacionado ao Cadmo da mitologia grega.[1] Segundo Moisés de Corene, era filho de Armenaco e neto do patriarca Haico. Sabe-se que tinha como irmão Arameis.[2] Segundo um dos relatos a respeito de Armenaco, ele nasceu e viveu por algum tempo na Babilônia. Em dado momento, fugiu com Cadmo à planície de Ararate, onde Haico fundou uma residência para seu neto.[3] Belo os atacaria e seria derrotado e morto em Haiose Zor (lit. "vale dos armênios").[4] Como essa vitória, Haico mudou-se para Arquena e deixou com Cadmo boa parte do butim da guerra e parte de seu séquito pessoal.[5] Gerações depois, no tempo de Aramo, a descendência de Cadmo recebeu o controle da planície assíria depois que Barxã (o deus Barxamim) foi derrotado e morto pelos armênios.[6] No reinado de Valarsaces I (século III a.C.), sua descendência recebeu propriedades na fronteira oriental do Reino da Armênia.[7]
Historicidade
Cyril Toumanoff propôs que Cadmo tenha sido epônimo de alguma antiga família nobre (nacarar) armênia, já extinta no tempo que Moisés de Corene redigiu sua obra. As menções à família de Cadmo são genéricas e não permitem rastrear sua origem e história, um ponto agravado pela inexistência de menções a ela em obras de outros historiadores armênios. Nicholas Adontz e Josef Markwart propuseram que Cadmo era epônimo da linhagem nobre de Corduena, mas Hakob Manandian propôs que fosse epônimo de Cademuqui / Catemucu (Kadmuhi/Katmuhu), que foi mencionada em textos neoassírios.[1][8] A Lista Militar (Զորնամակ, Zōrnamak), o documento que indica a quantidade de cavaleiros que cada uma das famílias nobres devia ceder ao exército real em caso de convocação, afirmou que essa família (Kadmeac'i) podia arregimentar 3 200 cavaleiros. O mesmo documento associou-os ao Reino de Adiabena.[9]
Referências
- ↑ a b Toumanoff 1963, p. 225, nota 270.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 74-76.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 85.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 86-87.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 88-89.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 94-95.
- ↑ Moisés de Corene 1978, p. 133, 139.
- ↑ Petrosyan 2015, p. 13.
- ↑ Toumanoff 1963, p. 233, nota 289; 236.
Bibliografia
- Moisés de Corene (1978). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachusetts; Londres: Harvard University Press
- Petrosyan, Armen (2015). Problems of Armenian Prehistory. Myth, Language, History. Erevã: Gitutyun. ISBN 9785808012011
- Toumanoff, Cyril (1963). Studies in Christian Caucasian History. Washington: Georgetown University Press