Trabalho de merda
Um trabalho de merda (do inglês: bullshit job) é um trabalho assalariado sem sentido ou desnecessário, que o trabalhador é obrigado a fingir ter um propósito.[1] O conceito foi cunhado pelo antropólogo David Graeber num ensaio de 2013 na Strike Magazine, On the Phenomenon of Bullshit Jobs, e desenvolvido no seu livro Trabalhos de Merda de 2018.[2]
Graeber também formulou o conceito de merdificação (do inglês: bullshitization), onde um trabalho anteriormente significativo transforma-se num trabalho de merda através da corporativização, da mercantilização ou do gerencialismo.[3]
Exemplos
Graeber dá estes exemplos de trabalhos que ele considera "completamente inúteis, desnecessários ou perniciosos":
- Um porteiro ou rececionista que tem pouco a fazer na prática, mas que foi contratado como um símbolo de status;[2]
- Relações públicas que promovem organizações já conhecidas e apreciadas;[2]
- Pessoas de atendimento ao cliente, se a principal função é pedir desculpas por problemas que não deveriam acontecer, e o manager usa a equipa de atendimento ao cliente como uma forma de evitar resolver o problema subjacente;[2]
- Pessoas envolvidas em papelada desnecessária, como criar um relatório que ninguém lê ou no qual ninguém confia;[2]
- Gerentes cujos funcionários não necessitam de assistência gerencial, ou que inventam e atribuem trabalho desnecessário.[2]
Valor percebido
Sondagens realizadas no Reino Unido e nos Países Baixos, em 2015, indicaram que cerca de 40% dos trabalhadores não acreditavam que o seu trabalho contribuísse significativamente para o mundo.[2]
Referências
- ↑ Graeber, David (2018). Bullshit Jobs. [S.l.]: Simon & Schuster. ISBN 978-1-5011-4331-1
- ↑ a b c d e f g Heller, Nathan (6 de julho de 2018). «The Bullshit-Job Boom». The New Yorker
- ↑ Graeber, David (6 de maio de 2018). «Are You in a BS Job? In Academe, You're Hardly Alone». The Chronicle of Higher Education
Ligações externas
- Sobre o fenómeno dos empregos de merda Strike Magazine (agosto de 2013, em inglês)