Berta Craveiro Lopes
Berta Craveiro Lopes | |
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| Período | 9 de agosto de 1951 até 5 de julho de 1958 |
| Presidente | Francisco Craveiro Lopes |
| Antecessor(a) | Maria do Carmo Carmona |
| Sucessor(a) | Gertrudes Thomaz |
| Dados pessoais | |
| Nome completo | Berta da Costa Ribeiro Arthur |
| Nascimento | 15 de outubro de 1899 Pena, Lisboa, Portugal |
| Morte | 5 de julho de 1958 (58 anos) Santa Maria de Belém, Lisboa, Portugal |
| Nacionalidade | portuguesa |
| Cônjuge | Francisco Craveiro Lopes |
Berta da Costa Ribeiro Arthur Craveiro Lopes[1] (Pena, Lisboa, 15 de outubro de 1899 — Santa Maria de Belém, Lisboa, 5 de julho de 1958) foi a esposa do 12.º presidente da República Portuguesa, Francisco Craveiro Lopes, e a primeira-dama do país de 9 de agosto de 1951 até sua morte em 5 de julho de 1958.
Biografia

Berta da Costa Ribeiro Arthur nasceu numa família de tradições militares de ascendência inglesa, filha de Sesinando Ribeiro Arthur (1875-1918) e de Maria Clara Pereira. O seu avô paterno, general Bartolomeu Ribeiro Arthur, descendia de uma família inglesa que na altura das invasões francesas veio para Portugal auxiliar a combater o invasor. Nasce de uma relação de seu pai com uma empregada doméstica da família, fortemente contrariada pelos seus pais, o que obriga à separação. Foi batizada a 5 de novembro de 1899 na freguesia da Pena, em Lisboa, como filha natural da costureira Maria Clara, natural de Nelas. Mais tarde seria legitimada e reconhecida pelo pai.[2][3] O pai vai para Moçambique e a mãe para o Brasil, ficando os 2 filhos do casal a viver com os avós paternos. Com a morte de seu avô, parte com a avó, o irmão e duas tias para Lourenço Marques, Moçambique, onde o pai se encontrava instalado como alto funcionário dos Caminhos de Ferro.
Aí veio a conhecer o jovem tenente piloto-aviador Francisco Craveiro Lopes, que se encontrava em comissão de serviço, e com quem vem a casar civilmente, em Lourenço Marques, em 22 de dezembro de 1918, aos 19 anos.[4] O casal teve quatro filhos: João Carlos, Nuno, Maria João e Manuel. Na década de 1950 ainda tiveram seis netos.
Os primeiros tempos de vida são difíceis, mas gere bem o magro orçamento doméstico, executando inclusivamente a sua roupa e a dos quatro filhos.
Segue o seu marido nos diversos locais em que cumpre funções, incluindo Índia, Tancos, Açores, Tomar e finalmente Lisboa.
No período de 1951 a 1958, como Primeira Dama da Nação desenvolve grande actividade social, acompanhando o marido nas diversas deslocações oficiais e a sua figura elegante e carácter afável são elogiados em todos os locais em que passa, em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente Espanha, África do Sul, Brasil, Inglaterra, além de todos os territórios coloniais. A visita de estado a Inglaterra em 1955, será porém recordada como o momento mais significativo, sendo a primeira vez que um Presidente da República Portuguesa visita oficialmente aquele país. Consciente da importância do momento, Salazar disponibiliza ao Presidente as jóias da coroa para que Berta pudesse apresentar-se condignamente junto da rainha. Craveiro Lopes recusa, preferindo encomendar numa ourivesaria da baixa lisboeta, um conjunto de colar pulseira e brincos, ainda que isso tivesse pesado no orçamento familiar e que tivessem de vender parte do património familiar. Berta apresenta-se radiante em Londres, usando vários vestidos feitos por si. O casal é recebido pela Rainha Isabel II e instalados no Palácio de Buckingham, sendo rodeados de muitas atenções. Conta-se que a Rainha, durante uma recepção, ofereceu os seus próprios aposentos para que Berta recuperasse de uma crise de enxaqueca de que sofria habitualmente. A visita a Inglaterra foi um sucesso para o que contribuiu muito a sua presença, que foi profusamente comentada pela imprensa britânica e nacional. Dois anos depois, Isabel II retribuirá a visita, deslocando-se a Portugal. Também a visita a Moçambique em 1956 e ao Brasil em 1957 foram memoráveis, constituindo momentos em que a presença de Berta foi notada e muito comentada por todos. Ainda hoje na cidade de Maputo, existe o Jardim Dona Berta Craveiro Lopes, onde, num monumento de mármore com inscrição, em tempos esteve um busto seu de autoria do escultor Leopoldo de Almeida.
Faleceu inesperadamente a 5 de julho de 1958, aos 58 anos de idade, vítima de um acidente vascular cerebral (hemorragia meníngea), um mês antes de o seu marido terminar o mandato, no Palácio Nacional de Belém, freguesia de Santa Maria de Belém, em Lisboa. Os seus restos mortais foram depositados no Cemitério dos Prazeres.[3] O seu marido ainda sobreviverá mais 6 anos.
Tem o seu nome dado a:
- Um Jardim-Escola em Benguela, Angola
- Uma escola secundária em Bissau, Guiné
- Um jardim em Maputo, Moçambique
- Uma rua em São Vicente, SP, Brasil
Condecorações
Condecorada com:
- Grã-Cruz da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul do Brasil (27 de Junho de 1958)[5]
- Grã-Cruz da Ordem de Isabel a Católica de Espanha (27 de Junho de 1958)[5]
- Medalha de Ouro de Filantropia e Caridade do Instituto de Socorros a Náufragos
Referências
- ↑ «Francisco Craveiro Lopes». Museu da Presidência da República. Consultado em 24 de setembro de 2024
- ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia da Pena - Lisboa (1899)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 89v e 90, assento 210
- ↑ a b «Livro de registo de óbitos da 4.ª Conservatória do Registo Civil de Lisboa (1958-01-01 - 1958-07-26)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. fls. 189, assento 376
- ↑ «Livro de registo de batismos da paróquia de Santa Isabel - Lisboa (1894-1895)». digitarq.arquivos.pt. Arquivo Nacional da Torre do Tombo. p. 73, assento 431
- ↑ a b http://www.ordens.presidencia.pt/
