A Batalha de Vardanacerta foi travada entre uma guarnição árabe de cinco mil soldados de Naquichevão liderada pelo general Abedalá e um exército liderado por nobres armênios descontentes em janeiro de 703. Ao serem atacados repentinamente por Simbácio VI, os sobreviventes fugiram ao rio Aras e se afogaram ou morreram congelados.
Contexto
No início da década de 690, a Armênia encontrava-se em convulsão, pois o país era disputado entre o Império Bizantino e o Califado Omíada: aproveitando-se da guerra civil da Segunda Fitna no califado, o imperador Justiniano II invadiu a Armênia e instalou o seu próprio candidato, Narses V, como príncipe presidente, enquanto o antecessor de Camsaracânio, Asócio II, foi morto em 690 ao combater uma invasão árabe de retaliação. As fontes armênias acusam as tropas bizantinas de saquearem o país, tomarem reféns para resgate e tentarem impor uma comunhão entre a Igreja Armênia miafisita e a Igreja Bizantina calcedoniana. Como resultado, os armênios passaram rapidamente a ver os árabes como libertadores. O mandato de Narses foi breve, e ele foi sucedido por Simbácio VI, que havia servido como comandante-em-chefe sob Camsaracânio. Simbácio passou para o lado dos muçulmanos e foi confirmado como “príncipe dos armênios” pelos omíadas, mas, a partir de 695, a política árabe anterior de tolerância e respeito pela autonomia armênia foi abandonada. Após um tempo preso em Damasco, Simbácio retornou à Armênia e decidiu desertar para o lado bizantino.
Batalha
Simbácio reuniu seus seguidores ao norte do Monte Ararate, incluindo o príncipe de Vaspuracânia, também chamado Simbácio, e Bardas Restúnio, cujo pai, Teodoro, havia desempenhado papel central na submissão da Armênia aos árabes na década de 650. As forças de Simbácio, somando cerca de dois mil homens, iniciaram a marcha rumo ao território bizantino durante o inverno. A guarnição omíada de oito mil (cinco mil segundo Estêvão de Taraunitis) homens em Naquichevão perseguiu-os. O exército armênio atravessou para a margem esquerda do rio Aras e se entrincheirou no povoado de Vardanacerta. Durante o rigoroso inverno, as tropas árabes, incapazes de resistir à pressão dos ataques armênios e ao frio intenso, entraram em pânico e tentaram fugir para a margem direita do Aras, então congelado. O gelo, porém, rompeu-se, e muitos dos soldados inimigos morreram afogados.[10] Segundo relatos, apenas 300 sobreviveram à batalha e ao frio e conseguiram alcançar um lugar seguro. Simbácio perseguiu-os até as muralhas da fortaleza de Ernejaque, cuja governante, a senhora Susana, comovida por piedade, ofereceu refúgio aos árabes e persuadiu Simbácio a interromper a perseguição.
Rescaldo
Simbácio enviou mensageiros a Constantinopla com a notícia de sua vitória. Foi bem recebido pelos bizantinos, recebeu o alto título de curopalata e estabeleceu-se em Tucarque, na região fronteiriça de Taique. Ali, Simbácio aguardou uma oportunidade para retornar à sua pátria. Essa oportunidade surgiu em 705, quando numerosos nobres armênios foram convocados pelas autoridades omíadas sob o pretexto de serem registrados para o serviço militar, mas foram, em vez disso, queimados vivos em igrejas em Naquichevão e Crame.[13] À frente de uma força bizantina, Simbácio invadiu a Armênia, mas foi derrotado e teve de recuar, estabelecendo-se então em Poti, na costa do Mar Negro, o que provavelmente indica que os árabes ameaçavam sua base anterior.
Notas
- [a] ^ Macler afirma que foi o comandante árabe Alcácime que invadiu e reconquistou a Armênia.[13]
Referências
Bibliografia
- Grousset, René (1973) [1947]. Histoire de l'Arménie: des origines à 1071. Paris: Payot
- Hacikyan, Agop Jack (2000). The Heritage of Armenian Literature. Detroit, Michigão: Wayne State University Press. ISBN 978-0-8143-3023-4
- Hoyland, Robert G. (2015). In God's Path: The Arab Conquests and the Creation of an Islamic Empire. Oxônia: Oxford University Press
- Laurent, Joseph L. (1919). L’Arménie entre Byzance et l'Islam: depuis la conquête arabe jusqu'en 886. Paris: De Boccard
- Macler, Frederic (1923). «Armenia». The Cambridge Medieval History. Vol. IV: The eastern Roman empire (717-1453). Cambrígia: Cambridge University Press
- Pogossian, Zaroui (2019). «Relics, Rulers, Patronage: the True Cross of Varag and the Church of the Holy Cross of Ałt'amar». In: Pogossian, Zaroui; Vardanyan, Edda. The Church of the Holy Cross of Ałt‘amar: Politics, Art, Spirituality in the Kingdom of Vaspurakan. Leida e Boston: Brill