Crame

Crame (em armênio: Խրամ; romaniz.: Xram) foi uma cidade do Reino da Armênia, situada na província de Vaspuracânia, no distrito (gavar) de Naquichevão, na margem direita do rio Aras.

História

Crame localizava-se na província de Vaspuracânia, no distrito (gavar) de Naquichevão, na margem direita do rio Aras. Foi variadamente reconhecida como cidade ou fortaleza, a depender do cronista. Foi mencionada pela primeira vez por Moisés de Corene sob o nome Haquerame (Հախրամ, Haxram), em seguida, foi atestada pelos cronistas Sebeos e Leôncio, em conexão com as incursões árabes. O geógrafo Vardanes, que considera Crame uma cidade, escreve: "Crame é o vale de Xambi". Tomás Arzerúnio também a considera um cidade e, sobre sua localização, escreve: “…fica abaixo de Astatapol, nos confins do Aras”.[1]

Łevond Ališan, apoiando-se no testemunho de Vardanes e levando em conta o significado de xram ("depressão, fenda, vale estreito"), considera plausível a identidade entre a cidade e o vale; por isso, nas fontes armenológicas o lugar também aparece como Xambi e vale de Xambi. Crame é por vezes identificado com a aldeia de Daraxambe situada não longe de suas ruínas. E. Lalayan e outros localizam-na no posto de guarda de Nerame, às margens do Aras, explicando o nome Crame por etimologia árabe. Em época moderna, ao se identificar erroneamente o posto de Necrame com a aldeia de Netrã (Naquichevão), situada cerca de oito quilômetros ao norte, Crame passou a ser colocado nesse local, na margem esquerda do Aras.[1]

Crame possuía uma fortaleza homônima, bem como igreja. Em várias ocasiões (643–644, 688–689, 703–704) foi alvo de campanhas árabes. Segundo Leôncio, em 705 o comandante árabe Alcácime, sob o pretexto de um juramento de fidelidade, reuniu 1 200 nobres armênios e, enganosamente, após confiná-los nas igrejas de Naquichevão (800 pessoas) e de Crame (400 pessoas), incendiou-as. O local foi definitivamente destruído em 972. Na ocasião, da cidade arrasada foi transferido o relicário-memorial manuscrito das relíquias de São João Batista. Segundo a tradição, após derrotar Ajedaque, Tigranes teria assentado aqui cativos trazidos de Média. No fim do século XIX, ainda se conservavam as ruínas da igreja e um amplo cemitério antigo.[1]

Referências

Bibliografia

  • Hakobyan, Tadevos X.; Melik-Baxšyan, Stepan T.; Barsełyan, Hovhannes X. (1988–2001). «Խրամ». Hayastani ev harakitsʻ šrjanneri tełanunneri baṛaran [Հայաստանի և հարակից շրջանների տեղանունների բառարան] [Dicionário de Toponímia da Armênia e Territórios Adjacentes]. 3. Erevã: Yerevan State University Publishing House