Batalha do Carvalho d'Este
| Batalha de Carvalho d’Este | |||
|---|---|---|---|
| Guerra Peninsular no âmbito das Guerras Napoleónicas | |||
| Data | 20 de Março de 1809 | ||
| Local | Carvalho d'Este, Lanhoso, Braga, Portugal | ||
| Desfecho | Vitória francesa. | ||
| Beligerantes | |||
| Comandantes | |||
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| Forças | |||
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| Baixas | |||
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Durante a segunda invasão francesa liderada por Jean de Dieu Soult, o general Bernardim Freire de Andrade, Governador de Armas da Província do Minho tinha ordens para defender a cidade do Porto, mas para que a linha de defesa do Porto fosse pronta, e para dar tempo a chegada de reforços do sul, ele precisava de travar o avanço de Soult[1] No inicio teve algum sucesso, impedindo que as tropas francesas (estacionadas na Galiza) atravessassem o rio Minho, e obrigou Soult a dar uma grande volta por Trás-os-montes.[1] Assim as tropas invasores entraram em Portugal em dia de 10 de março de 1809 por Chaves que conquistaram no dia 12.[2]
As forças do general Silveira que se encontravam na cidade foram obrigadas a retirar para a região de Vila Real. Soult decidiu atravessar a Serra da Cabreira e, a partir de Braga, aproveitar as estradas que lhe permitiam um movimento mais fácil e mais rápido até ao Porto e Lisboa.
A Regência tinha tomado medidas para reconstruir as unidades que tinham sido dispersas por ordem de Junot durante a Primeira Invasão Francesa. Os resultados, no entanto, não eram famosos porque a falta de oficiais, de armamento e equipamento, não permitiam organizar uma força credível. Os homens chamados às armas não tinham, em grande parte, qualquer experiência militar. As unidades de tropas regulares estavam muito incompletas. As unidades de tropas irregulares — milícias e ordenanças — para além de mal armadas, não tinham um enquadramento que lhes garantisse um mínimo de organização e disciplina e, desta forma, apesar do seu grande entusiasmo, formavam grandes grupos indisciplinados que normalmente eram mais prejudiciais que úteis.
Bernardim Freire na duvida do caminho seguido pelos franceses, enviou pequenos grupos para fortificar a Portela do Homem (o 2º Batalhão da Leal Legião Lusitana chefiada pelo Barão de Eben[1] mais 800 ordenanças[3]), Ruivães e Salamonde. Avisado que eles vinham de Chaves para Braga retirou o grupo da Portela e aproveitou a Serra do Carvalho para estabelecer uma linha de defesa de Carvalho d’Este ate a Falperra. No dia 16, os franceses passaram por Ruivães sem dificuldades, no dia seguinte Salamonde defendida por cerca de 300 homens (1 batalhão de Viana, 1 de milícias, muita ordenança e 5 peças de artilharia[1]) ofereceu uma pequena resistência atacando da encosta do monte a artilharia que devia estar em retaguarda. Mas dispersaram-se frente a uma carga da infantaria. Assim o general português entendeu que não tinha condições para organizar uma defesa efetiva na região de Braga. No dia 17 de Março, pretendeu iniciar a retirada das suas forças regulares para o Porto e aí participar na defesa da cidade, que estava a ser organizada. No percurso podia executar uma ação retardadora e com isto ganhar tempo para a organização da defesa do Porto e desgastar o inimigo. O seu gesto foi mal interpretado pela população. Por isso prenderam-no com alguma violênçia no Vimieiro na estrada do Porto, chamando-lhe de “jacobino e traidor”. Passando por ai uma brigada de ordenanças a caminho de Braga, salvaram-no, mas pouco depois foi preso novamente pelas ordenanças de Tebosa e conduzido para Braga. Lá o Barão de Eben tentou leva-lo para a casa onde ia pernoitar, mas o povo não deixou e atiraram sobre a casa. Para salvar o general o Barão propus que o levassem para a cadeia no castelo mas em caminho, o general foi brutalmente linchado com chuços e tiros. O comandante do batalhão da Leal Legião Lusitana que lhe tinha sido enviado de reforço, Christian Adolph Friedrich Eben (conhecido como Barão de Eben), assumiu o comando das forças.[1]
As forças em presença
As forças portuguesas somavam cerca de 23.000 homens e eram comandadas pelo Barão de Eben. Tratava-se de um corpo de tropas muito heterogéneo pois incluía algumas tropas de linha e uma maioria de milícias e ordenanças. Só 1995 eram militares ou milícias, (120 granadeiros do regimento de Viana, 150 da guarnição de Salamonde, 1000 das milícias de Braga, 700 da legião (Lusitana), 25 dragões, com entre quinze a vinte bocas de fogo de artilharia (o número varia nas descrições) os outros 5000 estavam mal armados com espingardas, 11000 com piques ou outras ferramentas agrícolas, o resto com paus.[3] Demais as ordenanças não dispunham de munições para efetuar mais de três disparos por arma, estavam mal enquadrados, mal armados e constituíam uma massa indisciplinada de pouco valor militar apesar do seu grande entusiasmo em enfrentar os franceses. O II CE (francês), sob o comando do marechal Soult, invadiu Portugal com cerca de 23.000 homens.[2] No ataque às posições de Carvalho d'Este, Soult dispunha de uma força com cerca de 3.000 cavaleiros e 13.500 infantes que estavam organizados da seguinte forma:[4]
| Unidades | Comando | Efetivos em 15 de fevereiro de 1809 |
|---|---|---|
| 1.ª Divisão de Infantaria | General Merle | 6000 não estava presente |
| 2.ª Divisão de Infantaria | General Mermet | 4 800 |
| 3.ª Divisão de Infantaria | General Delaborde | 4.000 |
| 4.ª Divisão de Infantaria | General Heudelet | 3 200 |
| 4.ª Divisão de Dragões | General Lahoussaye | 1 900 |
| 5.ª Divisão de Dragões | General Lorges | 1 000 |
| Divisão de Cavalaria ligeira | General Fraceschi | 1 300 |
A artilharia tinha 58 bocas de fogo e, juntamente com os trens somava cerca de 1.400 homens
As operações
No dia 17 de Março, a guarda avançada de Soult constituída pela cavalaria de Franceschi e a infantaria de Delaborde chegaram perto de Carvalho d'Este. Com a morte de Bernardim Freire, o Barão Eben tinha assumido o comando.

Eben tomou de imediato providências para melhorar as posições defensivas. As forças portuguesas estendiam-se entre a Ponte do Porto uma ponte sobre o Rio Cávado, e a linha de alturas de Monte Valongo sobre a estrada que ligava Guimarães a Braga. No meio, ficava a linha de alturas do Monte Adaúfe, sobre a estrada que ligava Chaves a Braga. Monte Valongo era a posição de mais difícil acesso. À frente (a Leste) destas posições situavam-se as povoações de Carvalho d'Este e Lanhoso. Perto da povoação de Carvalho d'Este existia um terreno elevado que foi ocupado por alguma artilharia e 994 militares das tropas de linha.[5]
No dia 17 de Março os franceses lançaram um primeiro ataque contra as posições avançadas em Carvalho d'Este e foram repelidos. No dia seguinte, foi lançado novo ataque mas foi igualmente repelido. No dia 19 os franceses conseguiram tomar a posição frente ao dispositivo português. Só no dia 20 estava presente todo o exército de Soult, com excepção da 1ª Divisão de Merle. Soult não esperava encontrar grande resistência e, por isso, decidiu lançar um ataque frontal em vez de flanquear as posições pois acreditava que o inimigo fugiria assim que se aproximassem os soldados franceses.
Delaborde, apoiado pelos Dragões de Lahoussaye, atacou o centro da posição portuguesa, em ambos os lados da estrada que atravessava Monte Adaúfe. A infantaria de Mermet e a cavalaria de Franceschi atacaram as encostas arborizadas de Monte Valongo na ala Sul da posição. A Divisão de Heudelet, a Norte, atacou com uma brigada o terreno alto sobre o rio Cávado e deixou outra brigada em reserva do exército. Os Dragões de Loges foram também mantidos em reserva.
As posições defensivas foram conquistadas com alguma facilidade embora tenham oferecido maior resistência nas posições atacadas por Heudelet (a Norte) e, principalmente, nas encostas de Monte Valongo onde existiam mais obstáculos físicos.
As forças portuguesas abandonaram as posições as 10 horas deixando no terreno um número elevado de mortos. Eben relatou que as suas forças sofreram 1.000 mortos; Soult mencionou do lado português 4.000 mortos, cerca de 400 prisioneiros[6] e 17 bocas de fogo. A perseguição só terminou para lá de Braga. Os Franceses sofreram 40 mortos e 160 feridos.
Soult tinha o caminho aberto até ao Porto e assumiu que o Norte de Portugal estava controlado mas se as tropas regulares retiraram, na sua maioria para o Porto, as ordenanças dispersaram no terreno para logo de seguida começarem a flagelar os franceses no seu percurso e tentaram impedir a passagem do Rio Ave.
Referências
- ↑ a b c d e Vicente, Antonio Pedro (1970). «Um soldado da Guerra Peninsular—Bernardim Freire de Andrade e Castro». Boletim do arquivo historico militar. 40. Lisboa
- ↑ a b de Naylies, Jacques-Joseph (1817). Maginel, Anselin et Pochard, ed. Mémoires sur la guerre d'Espagne, pendant les années 1808, 1809, 1810 et 1811 (em francês). Paris: [s.n.]
- ↑ a b Soriano, Simão José da Luz (1871). Historia da guerra civil e do estabelecimento do governo parlamentar. segundo época tomo 2. Lisboa: [s.n.]
- ↑ Le Noble, Pierre-Madeleine (Intendente Geral) (1821). Barrois l'Ainé, ed. Mémoires sur les opérations militaires des français en Galice, en Portugal, et dans la vallée du Tage, en 1809. Paris: [s.n.]
- ↑ SORIANO, pag. 137
- ↑ OMAN, pag. 236
Bibliografia
- AZEREDO, Brigadeiro Carlos de, As Populações a Norte do Douro e os Franceses em 1808 e 1809, Museu Militar do Porto, 1984.
- OMAN, Sir Charles, A History of the Peninsular War, Volume II, 1903.
- SOARES, Coronel Alberto Ribeiro, Coord., Os Generais do Exército Português, volume I, Biblioteca do Exército, Lisboa, 2003.
- SORIANO, Simão José da Luz, História da Guerra Civil e do Estabelecimento do Governo Parlamentar em Portugal, segunda época, Tomo II, Lisboa, Imprensa Nacional, 1871 (esta obra está digitalizada e disponível na página da Biblioteca Nacional de Portugal).
- NEVES, José Acúrsio das. Observações sobre os recentes acontecimentos das provincias d'entre Douro e Minho, e Tras-os-Montes, 1809.