Banda desenhada africana se refere as diversas manifestações de banda desenhada no Continente africano,[1] até o século XX, a banda desenhada encontrada em colônias na África eram principalmente de países colonizadores, como a França e a Bélgica.[2]
"Expostos recentemente em instituições como a Bienal de Dakar de 2006 e o Studio Museum no Harlem, em Nova Iorque, os exemplos de banda desenhada africana vêm alcançando cada vez mais reconhecimento internacional. De forma espirituosa e direta, essas obras abordam questões delicadas, muitas vezes sensíveis e problemáticas, como a censura política, a violação dos direitos humanos, a pandemia de SIDA, a tortura nas prisões ou o papel das mulheres na sociedade."
(Catálogo da 52ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza – "Pense com os sentidos, sinta com a mente. A arte no presente", Marsilio, 2007)
História
Segundo Christophe Cassiau-Haurie (2011), as primeiras tiras debanda desenhada surgem na imprensa africana no final do século XIX, ao lado de caricaturas e desenhos editoriais, no Egito, na África do Sul e na Ilha Maurício.[3] A primeira revista a publicar histórias em quadrinhos modernas foi Karonga Kronikal, editada no Malawi entre 1915 e 1916, seguida por outros periódicos no então Congo Belga, a partir da década de 1920.[3]
Ainda de acordo com Cassiau-Haurie, o primeiro álbum de quadrinhos disponível em línguas africanas foi A Mais Bela História (1947), de Gaston Courtois e Frédéric-Antonin Breysse, primeiro volume da série Belles Histoires et Belles Vies, traduzido para o swati e o suaíli.[4] Uma das primeiras histórias em quadrinhos africanas escritas diretamente em uma língua local foi Matabaro, publicada a partir de 1954.[5]
Essa forma de expressão artística teve grande impulso nas décadas de 1950 e 1960, inicialmente como veículo publicitário em países como Egito, Argélia, Congo e Nigéria. As primeiras narrativas desvinculadas da publicidade surgem em 1951, e com o avanço dos movimentos de independência nos anos 1960, autores africanos começaram a apropriar-se do gênero para expressar temas locais. No entanto, durante a década de 1970, com a ascensão de regimes autoritários, muitos criadores passaram a sofrer com a censura.[3]
Entre as séries de maior sucesso está Supa Strikas, banda desenhada sobre futebol de origem sul-africana, que deu origem a uma série animada[6] e foi distribuída em 17 países.[7]
Entre os títulos mais emblemáticos estão: Goorgoorlu, de T. T. Fons (Senegal),[2] que foi adaptado para a televisão,[11]Aya de Yopougon, de Marguerite Abouet (Costa do Marfim), que também ganhou uma adaptação em longa-metragem de animação; além do já citado Supa Strikas.
No entanto, a banda desenhada africana hoje não pode ser reduzido à simples colonização cultural dos países ocidentais, embora existam em toda parte uma influência da produção europeia, como o estilo ligne claire da banda desenhada franco-belga,[12] atualmente na Argélia, nota-se uma influência da banda desenhada japonesa nos chamados DZ-mangas.[13]
↑ abcCassiau-Haurie, Christophe (20 de agosto de 2011). «La bande dessinée en Afrique,». Africultures (em francês). Consultado em 8 de abril de 2025
↑« La plus belle histoire », dans Christophe Cassiau-Haurie, Dictionnaire de la bande dessinée d'Afrique francophone, Paris, L'Harmattan, outubro de 2013 (ISBN 978-2-336-29898-6), p. 288-289.
↑« Matabaro (les aventures de) », dans Dictionnaire de la bande dessinée d'Afrique francophone, Paris, L'Harmattan, octobre 2013, p. 221.