Banco de Portugal (Leiria)
| Banco de Portugal (Leiria) | |
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| Informações gerais | |
| Tipo | Antigo banco |
| Estilo dominante | Neobarroco de influência francesa, Arte Nova |
| Arquiteto | Ernesto Korrodi |
| Início da construção | 1924 |
| Inauguração | 17-1-1929 |
| Proprietário inicial | Banco de Portugal |
| Função inicial | Agência bancária |
| Proprietário atual | CM Leiria |
| Função atual | Galeria (Banco das Artes Galeria) |
| Património de Portugal | |
| SIPA | 8885 |
| Geografia | |
| País | Portugal |
| Cidade | Leiria |
| Coordenadas | 🌍 |
| Localização em mapa dinâmico | |
O antigo Edifício do Banco de Portugal em Leiria, situado no centro da referida cidade, em Portugal, é um exemplar de arquitectura financeira de pendor neobarroco da autoria do arquitecto Ernesto Korrodi. Inaugurado na primeira metade do século XX, hoje em dia o edifício "é habitualmente utilizado [pela Câmara Municipal] para albergar as exposições de pintura de maior projecção".[1][2][3]
História
Origens
O início da presença do Banco de Portugal em Leiria remonta ao contrato firmado em 10 de Dezembro de 1887 entre o Governo e a direcção da instituição bancária. Por força deste acordo, e em contrapartida do monopólio da emissão de notas, o Banco obrigou-se a estabelecer Caixas Filiais e Agências em todas as capitais de distrito.
Segundo a carta de lei de 29 de Julho de 1887, os serviços de tesouraria do Estado ficaram sob a égide desta instituição, tendo sido organizados provisoriamente a partir de 1 de Janeiro de 1888. Durante este período de transição, as funções de agente provisório foram desempenhadas pelo tesoureiro-pagador do distrito, conforme estipulado pelo Decreto n.º 1 de 15 de Dezembro de 1887.
A agência definitiva de Leiria foi formalmente inaugurada a 1 de Agosto de 1893, integrando o grupo das últimas unidades continentais a serem instaladas, conjuntamente com as de Viseu, Vila Real e Bragança. Tratou-se do primeiro estabelecimento de crédito a operar no distrito.
Na cerimónia de posse, a administração central delegou em Virgílio José Rolland a tarefa de empossar os primeiros agentes, Manuel Joaquim Henrique e António Ferreira Custódio. Inicialmente, a instituição funcionou em dependências provisórias anexas ao Governo Civil, onde também se encontrava a Repartição da Fazenda, contando com um quadro de pessoal de seis funcionários. Os saldos iniciais transitados para a agência totalizavam 6.286$969 Reis em numerário, 300$000 réis em papéis de crédito e 1.037$749 réis em objectos preciosos pertencentes à Caixa Geral de Depósitos.
As competências da agência incluíam operações com o Tesouro, desconto de letras, câmbios, empréstimos sobre penhores, transferência de fundos, depósitos e aluguer de cofres. O estabelecimento enfrentou o desafio de alterar as mentalidades locais, substituindo o hábito de crédito baseado na confiança interpessoal pela utilização formal de instrumentos financeiros, auxiliando sectores como a economia rural (fruta, vinho e legumes), a pesca, a indústria (vidro na Marinha Grande, conservas, têxteis e cerâmica) e a extracção de minerais. A agência coordenava uma rede de correspondentes em localidades como Alcobaça, Marinha Grande, Peniche, Pombal e Porto de Mós, destacando-se as Caldas da Rainha pelo elevado volume de negócios. Esta última foi elevada a agência em 1932, mas os seus serviços regressaram a Leiria após o seu encerramento em 1989.
O edifício de Korrodi
A necessidade de instalações próprias e condignas tornou-se premente devido ao aumento da actividade, à concorrência e à pressão do Governador Civil, que reclamava o espaço ocupado para acomodar um Corpo de Segurança Pública. Assim, em 1921, foi adquirido por 24.000$00 um prédio no Largo 5 de Outubro, posteriormente demolido.
O projecto do novo edifício foi confiado ao arquitecto suíço Ernesto Korrodi em 1923, tendo a aprovação ocorrido em Maio de 1924. As obras estenderam-se por vários anos até à inauguração solene em 17 de Janeiro de 1929.
Com a nacionalização da actividade bancária em 1974 e a reestruturação de 1976, a rede de correspondentes foi extinta e o desconto directo cessou, esvaziando as competências da agência. O edifício encerrou definitivamente as suas funções bancárias a 31 de Julho de 1994.
Em 1999, o espaço foi reutilizado temporariamente como posto de turismo e Centro de Exposições Temporárias. Em 2001, iniciou-se um processo de remodelação para a sua conversão em museu municipal, sob um projecto arquitectónico de Rui Ribeiro e museológico de Jorge Estrela Pinho de Almeida, que visou a amplitude dos espaços interiores outrora compartimentados.[1][4]
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Fachada principal
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Enquadramento da fachada principal
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Enquadramento da fachada principal (Castelo em segundo plano) -
Fachada lateral direita -
Interior -
Interior
Descrição
O imóvel apresenta uma planta quadrangular e uma volumetria articulada na horizontalidade, composta por três corpos principais e um volume lateral recuado. A sua linguagem arquitectónica é marcadamente classicizante, adoptando um estilo neobarroco de influência francesa com traços de Arte Nova, e de forte inspiração na arquitectura civil setecentista. A fachada principal, orientada a sudeste, assenta num embasamento duplo de pedra de lioz e alvenaria de silhares almofadados. A simetria axial é definida pelo portal central e por faixas de silhares de alvenaria.
O portal de entrada, em arco de volta perfeita, é ladeado por colunas de capitéis jónicos e decorado com elementos vegetalistas e rosáceas de bronze. O entablamento superior é interrompido por volutas e coroado por um frontão triangular que alberga um escudo no seu tímpano. No piso superior, um janelão central com sobreverga contracurvada é encimado pelo brasão nacional.
Os corpos laterais salientes apresentam vãos amplos no primeiro piso, rematados por frontões triangulares encurvados, enquanto o segundo piso exibe janelas rectas flanqueando janelões em arco com decoração em pontas de diamante e fechos realçados. A cornija saliente remata o conjunto, sendo acompanhada por portões laterais com cornijas contracurvadas.
As inscrições gravadas na pedra e em mármore rosa documentam a história da instituição:
AGENCIA DO BANCO (à esquerda) DE PORTUGAL (à direita)
FUNDADA ESTA AGENCIA EM 1893 (à esquerda)
INSTALADA NESTE EDIFÍCIO EM 1928 (à direita)
ERNESTO KORRODI ARQVITETO
O interior organiza-se em torno de um átrio central iluminado por uma clarabóia tripartida com vidro pintado em tons de branco, amarelo e preto. O acesso ao vestíbulo é feito por uma escadaria de oito degraus em mármore, protegida por um corta-vento de madeira com vidros biselados e puxadores de bronze.
O pavimento do átrio exibe motivos geométricos em mármore branco, rosa e preto, enquanto as paredes ostentam silhares de mármore amarelo com aplicações a preto. Um balcão de três vãos em arco, sustentado por pilastras revestidas, delimita o espaço.
A comunicação vertical é assegurada por uma escadaria de poço aberto com guardas de ferro forjado trabalhado em enrolamentos e 'S' invertidos, ostentando o monograma "BP" pintado a dourado. As paredes da escada são revestidas por silhares de azulejos escalonados em tons de branco, ocre e azul esverdeado. Outros espaços apresentam azulejos industriais verdes, silhares de madeira envernizada e pavimentos de madeira em tábua corrida ou marchetaria com embutidos. Os tectos de estuque são ricamente trabalhados com caixotões, frisos de óvulos, concheados e elementos de talha dourada.
O edifício recorre a uma estrutura de alvenaria rebocada, utilizando materiais nobres como o ferro fundido em portas, o latão em ferragens rendilhadas, o alumínio na base da porta principal e o ladrilho cerâmico com motivos florais estilizados nos pavimentos. A cobertura exterior é em telha, distribuída por telhados de três e quatro águas, reforçando a harmonia da implantação frente ao Jardim Luís de Camões, na vizinhança de outros imóveis de relevo como a Casa da Diocese e a Casa dos Pintores.[1][4]
Banco das Artes Galeria
Actualmente, o edifício acolhe o Banco das Artes Galeria (BAG), gerido pela Câmara Municipal e que se define como "um espaço destinado à promoção, divulgação e difusão da arte contemporânea e cruzamentos artísticos, através de exposições e actividades de índole cultural e artística que exploram o imaginário, a criatividade e a originalidade de artistas locais, nacionais e estrangeiros".
O espaço conta já com uma larga lista de exposições: António Oláio, Leonardo Rito, Martim Brion, Pedro Boese, André Tecedeiro, Tom Saunders, entre outros, tendo os quatro últimos realizado a exposição colectiva Área de Diálogo em 2019. A galeria conta com um crescente acervo, denominado Colecção de Arte Contemporânea do Banco das Artes.[3][5][6]
Funciona simultaneamente no edifício a sede do departamento da cultura municipal.
- Banco das Artes Galeria
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Referências
- ↑ a b c Ficha na base de dados SIPA
- ↑ Patrícia Duarte (16 de janeiro de 2019). «Edifício do Banco de Portugal comemora 90 anos e convida antigos funcionários». Região de Leira. Consultado em 16 de junho de 2020
- ↑ a b «Banco das Artes Galeria – Visite Leiria». www.visiteleiria.pt. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ a b ALMEIDA, Álvaro Duarte de; BELO, Duarte (2007). Portugal Património: Guia-Inventário. III. Lisboa: Círculo de Leitores. p. 353
- ↑ Patrícia Duarte (16 de janeiro de 2019). «Edifício do Banco de Portugal comemora 90 anos e convida antigos funcionários». Região de Leira. Consultado em 16 de junho de 2020
- ↑ «Banco das Artes Galeria». RPAC - rede portuguesa de arte contemporânea. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
