Arrimal
Arrimal | |
|---|---|
| Freguesia portuguesa extinta | |
![]() | |
![]() Brasão de armas | |
| Gentílico | Arrimalenses, Arrimaleiros |
| Localização | |
![]() Arrimal |
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| Mapa de Arrimal | |
| Coordenadas | 🌍 |
| Município primitivo | Porto de Mós |
| História | |
| Fundação | Desanexação do Arrimal da freguesia de São Pedro - 1525
Criação da Freguesia do Arrimal - Alguns anos após 1537 |
| Extinção | 28 de janeiro de 2013 |
| Características geográficas | |
| Área total | 18,57 km² |
| População total (2011) | 774 hab. |
| Densidade | 41,7 hab./km² |
| Outras informações | |
| Orago | Santo António de Arrimal |
ARRIMAL é uma povoação portuguesa do Município de Porto de Mós que foi sede da extinta Freguesia de Arrimal, freguesia que tinha 18,57 km² de área e 774 habitantes (2011), e, por isso, uma densidade populacional de 41,7 hab/km².
A Freguesia de Arrimal foi extinta em 2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, para, em conjunto com a Freguesia de Mendiga formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Arrimal e Mendiga, com sede em Mendiga.[1]
Localização Geográfica
Situa-se a sudoeste no limite da sede do Município de Porto de Mós do qual dista cerca de 17 Km. A freguesia confinava com as freguesias de Mendiga, Serro Ventoso, Turquel, Évora de Alcobaça, Aljubarrota, Alcanede e Alcobertas.
Geografia
A freguesia do Arrimal conta com um património natural de beleza excecional, dada a sua integração no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, (PNSAC), desde a sua criação em 4 de Maio de 1979.apresentando um relevo acidentado. O lugar do Arrimal situa-se num vale aplanado, delimitado a oeste pela Serra dos Candeeiros e a este pelo Planalto de Santo António, o que lhes confere um enquadramento geográfico privilegiado, de elevado interesse paisagístico.
Clima
A área abrangida pela freguesia do Arrimal, encontra-se numa situação de transição entre influências mediterrâneas e atlânticas, pelo que gera um microclima. Por ano, o número de horas de sol descoberto é de cerca de 2350 horas. O valor mensal de insolação poderá ser três vezes maior no Verão, em relação aos meses de Inverno. No que diz respeito à ocorrência de precipitação anual, esta varia entre 900 mm e 1300 mm, tornando-a na zona da Estremadura em que a pluviosidade média é mais elevada dado tratar-se de uma barreira de condensação relativamente aos ventos húmidos oriundos do mar. Por este motivo é das poucas zonas do pais onde é possível cultivar produtos agrícolas sem ser necessária a rega ou pelo menos a sua necessidade é muito diminuta. Durante cerca de dois a três meses do ano, poderão ocorrer geadas, normalmente entre o fim do Outono e o fim do Inverno.
Geologia
A freguesia do Arrimal está inserida no Maciço Calcário Estremenho, formação esta que, teve origem nos movimentos tectónicos da crosta terrestre através das movimentações das placas continentais e oceânicas. Uma grande parte das estruturas geológicas existentes teve a sua origem no Jurássico Médio. Outras, de origem mais recente, são constituídas por materiais detríticos e sedimentares e ainda pela presença de terra rossa, sobretudo em zonas de depressão.
Tal como é característico das regiões calcárias, encontramos aqui um tipo particular de paisagem: a paisagem Cársica, que se realça pelo seu aspeto ruiniforme e árido, sem igual no nosso país seja pela sua variedade seja pela sua quantidade e beleza singular do relevo da paisagem.
Ao longo do tempo, através de processos geomorfológicos, os elementos naturais foram modelando a rocha, sobretudo de origem calcária, tornando este é um local onde os mais significativos e típicos fenómenos cársicos se encontram representados no nosso país, as dolinas (de que as lagoas do Arrimal são os exemplos mais significativos e uns verdadeiros "oásis" no mar de secura que as envolve), as uvalas, os poljes, campos de lapas, e as lapas (de que são exemplo as Lapas do Alqueidão do Arrimal), tudo isto no que concerne ao modelado de superfície, e a existência de mais de 1500 grutas/algares que precorrem o interior do maciço e das quais na serra do Arrimal se destacam os seguintes:
- Algar do Cabeço da Pedreira. Diz-se que tem ligação com a nascente do rio Alcôa.
- Algar do Covão de Ervilha;
- Algar da Figueira;
- Algar da Rusteira;
Recursos Hídricos
A área da freguesia do Arrimal, é marcada por uma paisagem árida com enorme escassez de água à superfície. Devido a esta escassez e por transferência de técnicas dos monges de Cister, a população local foi criando formas de armazenar as águas pluviais em reservatórios para se provirem de reservas de águas para os períodos de maior escassez. Estes reservatórios tradicionais apresentam diversas tipologias e dimensões sendo designados por cisternas em homenagem aos seus principais difusores.
Apesar da escassez de águas à superfície o subsolo desta zona constitui um dos maiores, se não mesmo o maior reservatório subterrâneo de água doce do país. Este reservatório estendesse desde Rio Maior até Porto de Mós e possuí cerca de sessenta e cinco mil hectares.
A sua alimentação é feita pelas águas pluviais que devido às características próprias do solo calcário se infiltra no subsolo criando autenticas ribeiras subterrâneas. Estas ribeiras quando a sua capacidade de armazenamento se esgota a água o excedente volta à superfície, formando uma nascente cársica como é o caso da nascente do Rio Alcôa, o Rio Lena, Rio Almonda e as nascentes dos Olhos de Água do Alviela, a mais importante de todas e alvo de captação por parte da EPAL para fornecimento de água a Lisboa desde 1880. De menor importância também nasce em um ribeiro nas Alcobertas.
Fauna
Mamíferos
Devido à existência de grande quantidade de grutas e outro tipo de cavidades rochosas, locais estes que ao contrário do que se chega muitas vezes a pensar são cheios de vida, pois no seu interior encontram-se várias espécies de morcegos, que passam despercebidos por serem subestimados no que toca á sua importância e outras vezes por serem associados às mais variadas crenças. Cabe salientar a presença das seguintes:
- Miniopterus schreibersii
- Myotis emarginatus - (único local de reprodução no país)
- Rhinolophus euryale
Em termos da presença de mamíferos cabe ainda salientar a presença do gineto (Genetta genetta), rapoza (Vulpes vulpes), texugos (Meles melles), coelhos (Oryctolagus cuniculus); salientando a presença esporádica de toirões (Mustela putorios), lebres (Lepus europaeus) e doninhas (Mustela lutreola).
Aves
Em termos da presença de aves cabe salientar a presença da águia-cobreira (Circaetus gallicus), a águia-de-asa-redonda (Buteo buteo), o açor (Accipiter gentilis), contam-se entre as aves de presa diurnas enquanto a coruja-do-mato (Ciccaba virgata), e o mocho-galego (Athene noctua), se incluem entre os que povoam a noite.
A Gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) é a ave mais carismática existentes no parque que nidifica somente nas inúmeras cavidades rochosas aqui existentes.
Aves como os corvos, gaios, tordos, perdizes e a galinha de água também conhecida localmente por mergulhôa existentes nas lagoas do Arrimal.
As aves de arribação, aqui chegadas são: a andorinha, o papa-figo, o cuco, a rola e a popa, na primavera; o tordo o pisco e o estorninho no Outono.
Répteis
Ao nível de répteis destacam-se:
- Chalcides chalcides - Fura-mato ou cobra-de-pernas-tridáctila
- Vipera latastei - Víbora-cornuda (presente em habitats rochosos)
Nos ambientes aquáticos como nas lagoas do Arrimal ocorrem ainda duas espécies de cobras-de-Água:
- Natrix natrix
- Natrix maura
Anfíbios
A freguesia alberga uma quantidade apreciável de espécies de anfíbios (cerca de treze), que dependem da existência de charcos temporários e de lagoas (ex.: Lagoas de Arrimal) para a sua reprodução. Algumas das espécies de anfíbios existentes no parque são:
- Salamandra-de-fogo (Salamandra salamandra)
- Salamandra-de-costelas-salientes (Pleurodeles waltl)
- Tritão-marmorado (Triturus marmoratus)
- Sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes).
Insetos e outros Invertebrados
Na área da freguesia, podem observar-se muitas espécies de insetos associados a zonas calcárias e habitats calcícolas . Estão reconhecidas mais de 300 espécies de borboletas (Lepidoptera) onde se incluí a Branca-Portuguesa (Euchloe tagis).
Flora
No que respeita ao coberto arbóreo atual apenas existem algumas pequenas manchas de carvalho-cerquinho e uma única parcela de Carvalho negral junto da lagoa Pequena do Arrimal. Este último é uma espécie muito rara pois necessita de terrenos argilosos com bastante água e com um clima muito húmido. Para além do coberto vegetal original existem também algumas manchas de eucaliptos que não são suficientes para conferir expressão evidente à atividade florestal; continuando a ser o elemento dominante desta vegetação não espontânea a oliveira. Hoje em dia ainda podemos encontrar algumas oliveiras enxertadas em zambujo, que são as mais antigas, tendo um grande porte e o tronco subdividido, situam-se nas proximidades dos locais habitados. Mas o olival plantado por estaca é o reflexo evidente da ação dos monges cistercienses de Alcobaça que iniciaram a sua plantação na serra dos Candeeiros no decorrer do século XVII.
Os baldios da freguesia do Arrimal na serra dos Candeeiros foram alvo de uma campanha de florestação com pinheiro-bravo levado a cabo pelo ICNF e que decorreu no ano de 1989 tendo dado trabalho a muitas pessoas da freguesia.
As serras contêm ainda um cortejo de plantas silvestres, destacam-se:
- Rosa Albardeira
- Maias
- Chucha - Mel (madressilva)
- Campanas
- Pampilho
- Espadana
- Lírio Azul
- Margaça ou Amargaça
Heráldica
Brasão: O brasão da freguesia do Arrimal foi publicado a 8 de Agosto de 2001 no Diário da República. È composto por um escudo de vermelho com arco arquitetónico de prata que simboliza o ex-libris dos coutos de Alcobaça e marco histórico do Arrimal: O Arco da Memória. Por cima estão quatro ramos de oliveira de ouro, cruzados dois a dois, que simbolizam a agricultura. Em baixo estão quatro tiras onduladas, duas em azul e duas em branco, que simbolizam as duas lagoas do Arrimal: a Lagoa Pequena e a Lagoa Grande. Em cima está a coroa mural de prata de três torres para indicar que é uma freguesia. No listel branco está a negro o nome da freguesia: «ARRIMAL»
Bandeira:
Na bandeira do Arrimal podemos encontrar o seu escudo. É branco com cordões e borlas de prata e vermelho. A haste e lança são de ouro.
População
| População da freguesia de Arrimal [2] | ||||||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1864 | 1878 | 1890 | 1900 | 1911 | 1920 | 1930 | 1940 | 1950 | 1960 | 1970 | 1981 | 1991 | 2001 | 2011 |
| 611 | 631 | 678 | 761 | 791 | 744 | 699 | 841 | 866 | 869 | 861 | 853 | 815 | 747 | 774 |
História
O povoamento da freguesia do Arrimal, remonta certamente ao período pré-histórico de acordo com os vestígios de fragmentos cerâmicos encontrados e foi sendo sucessivamente povoada por outros povos que se foram instalando ao longo dos séculos aproveitando os solos férteis das planícies do vale e a disponibilidade de águas das Lagoas.
O topónimo Arrimal, prende-se à época da reconquista cristã, quando D. Afonso Henriques, em 1147 se deslocava com um grupo de cavaleiros e homens de armas de Coimbra para Santarém para tomar esta cidade aos mouros. No seu percurso o rei, deslocou-se cautelosamente através da serra de Alvardos* (hoje serra dos Candeeiros), até chegar a um local no cimo da serra, onde segundo a tradição oral o rei terá feito a promessa ao Frei Bernado de doar todas as terras que dali se avistavam até ao mar; aos monges da ordem de S. Bernardo, este voto foi feito numa quinta-feira 13 de Março de 1147. Neste local mais tarde designado de Memória, em alusão ao voto ai feito pelo 1º Rei de Portugal, este decidiu acampar mas devido ao vento que ai se fazia sentir suspendeu a ordem e mandou avançar para melhor local, que acabou por ser na área envolvente da Lagoa Pequena aí chegados, e perante o agrado que o lugar lhe provocou, mandou "arrimar armas e animais" e foi esta exclamação de "Arrimar**", que mais tarde com a evolução fonética viria a dar o nome à povoação de ARRIMAL.
Segundo a tradição oral D. Afonso Henriques terá feito aqui uma promessa que se conseguisse conquistar Santarém aos Mouros no regresso mandaria iluminar a serra dos «Alvardos» como era conhecida nessa altura com candeias de azeite, a promessa incluía ainda que os moradores deste local realizassem uma festa anual em honra de N.S. das Candeias. No seu regresso vitorioso ao passar por este lugar ordenou que se cumprisse a sua promessa iluminando a serra com as candeias de azeite e ordenando aos moradores locais que todos os anos realizassem uma festa em honra de Santíssima Virgem Maria. Dai o nome da Serra dos Candeeiros e a devoção a Nossa Senhora das Candeias (Santa Maria). E também cumpriu a promessa de doar todas as terras que se avistavam desde o local onde está hoje o Arco da Memória até ao mar; aos monges da ordem de S. Bernardo fundando a Abadia de Santa Maria de Alcobaça o que ficou consagrado através da Carta de Couto datada de 8 de Abril de 1153.
*Nota: Serra de Alvardos que mais tarde passou a ser denominada de Albardos - Num estudo, de Pinho Leal, á sua etimologia “Albardos, do árabe albarde que significa coisa fria” [3]
**Nota: arrimar - (ar·ri·mar) - Verbo transitivo - 1. Pôr em ordem. = ARRUMAR, 2. Pôr em pilha, em montão. Verbo transitivo e pronominal, - 5. Deixar ou ficar encostado ou apoiado.[4]
Em 14 de Agosto de 1385 o rei Juan de Castela e as suas tropas fugiram em debandada do campo de batalha de Aljubarrota tendo o rei com os seus cavaleiros na fuga apressada passado pelo Arrimal a caminho de Santarém para onde o rei se pretendia se refugiar.
A criação da Paróquia do Arrimal, começou por ser um curato da apresentação da Colegiada de S. Pedro de Porto de Mós, de cuja freguesia se desanexou em 1525, por determinação do arcebispo de Lisboa o cardeal do título de S Braz, e infante D. Affonso, filho do rei D. Manuel I, mandaram os seus representantes que os ditos vigários e beneficiados lhes dessem capelão, que lhes administrasse os santos sacramentos e dissesse missa; o que no ano seguinte 1526, foi confirmado pelo dito arcebispo. E foi elevada a freguesia alguns anos mais tarde sabe-se que foi após 1537[5].
Durante a segunda Invasão Francesa que iniciara em Outubro de 1810 e se prolongara pelo inverno de 1810/1811 comandada pelo general André Massena, as tropas napoleónicas passaram pela freguesia tendo segundo, a tradição oral o destacamento quando chegou instalou-se na Igreja de Santo. António do Arrimal montando aí o seu acampamento no adro e colocando os cavalos dentro da igreja. Durante o período das Invasões Francesas conta-se que o cálice de ouro e outras alfaias litúrgicas da igreja foram escondidas na encosta do Arrimal, no estábulo da casa do pároco para evitar a sua pilhagem pelo invasor. [6].
Organização Administrativa
A freguesia começou por pertencer à comarca de Ourém a partir do ano de 1839 passou a pertencer à Comarca de Leiria, tendo sido integrada na Comarca de Porto de Mós em 1855.
Por supressão do concelho de Porto de Mós, esteve anexa ao concelho de Alcobaça de 7 de Setembro de 1895 a 13 de Janeiro de 1898, ano que regressou á tutela do restaurado concelho (atual município) de Porto de Mós, a que ainda hoje pertence.
Lugares
A Freguesia de Arrimal englobava os seguintes lugares:
- Arrimal este lugar também é designado por “Encosta do Arrimal";
- Casal Novo;
- Serventia; (Os lugares de Arrimal Serventia e o Casal Novo, presentemente são designados globalmente por “Arrimal”).
- Arrabal;
- Alqueidão do Arrimal;
- Portela de Vale Espinho
- Vale da Pia;
- Casal de Vale de Ventos (repartida pelas freguesias de Arrimal, Évora de Alcobaça e Turquel)
- Portela do Pereiro (repartida pelas freguesias de Arrimal e Évora de Alcobaça)
Colectividades
- Igreja de Santo António (Arrimal)
- Edifício da Junta de Freguesia do Arrimal
- O Centro Cultural e Recreativo e Desportivo do Arrimal - C.C.R.D de Arrimal *O C.C.R.D. do Arrimal dispõe de um Pavilhão Gimnodesportivo CCRD - Arrimal - Utilizado, para eventos Desportivos, Recreativos e Culturais da comunidade. C.C.R.D. do Arrimal, dispõe de um Pavilhão Gimnodesportivo CCRD - Arrimal - Utilizado, para eventos Desportivos, Recreativos e Culturais da comunidade.
- Campo de Futebol do Arrimal
- Terra com tradições ancestrais que se podem reviver com o seu Rancho Folclórico Luz dos Candeeiros.
- Escola Básica do Arrimal
- Jardim de Infância do Arrimal
- Parque de Campismo - PNSAC
- Lavadouros
- Cemitério do Arrimal
- Furo de Água da Lagoa Grande
Património
Património Arquitetônico
- Arco da Memória
- Poço da Corrente
- Chafariz do Poço da Corrente - (já demolido)
- Antiga Escola Primária do Arrimal
- Monumento aos Combatentes do Arrimal na Praça dos Combatentes
Património de Natureza
- Lagoa Pequena do Arrimal
- Lagoa Grande do Arrimal
- Lagoa da Portela de Vale de Espinho
Património Religioso
- Antiga Igreja de Santo António do Arrimal
- Capela de São João Batista (Arrimal)
- Capela de São Silvestre (Alqueidão do Arrimal)
- Cruzeiro do Poço da Corrente no Arrimal
- Cruzeiro do Outeiro
- Cruzeiro de São Miguel na Lagoa Grande
- Cruzeiro do Adro do Alqueidão do Arrimal
- Cruzeiro da Travessa de Além no Alqueidão do Arrimal
Património Industrial
- Moinhos da Portela de Vale de Espinho
- Moinho da Portela do Pereiro
- Moinho do Alqueidão do Arrimal
- Moinhos da Cabeça Gorda
- Moinhos do Casal de Vale de Ventos
- Mina e Forno de Carvão de São João no Alqueidão do Arrimal
- Mina de Carvão da Portela do Pereiro
- Mina de Carvão do Casal de Vale Ventos
Lendas
- O cabrito de ouro – Na Serra da Lua existia um único ponto de onde eram observáveis as torres de três igrejas: de Serro Ventoso, da Mendiga e de Monsanto. Segundo a lenda, quando em noites de lua cheia se coloca no local um cincaimão* materializado por corda ou cordel de trovisco ou alfavaca ,de modo que três pontas consecutivas daquele símbolo apontem para as três torres , um cabrito de ouro vem ai repousar no seu abrigo subterrâneo.
A chegada deste é precedida por uma brisa forte e de curta duração. Se o cincaimão estiver bem montado e as pessoas não se assustarem, o cabrito não dá pela sua presença, saltando exatamente para o centro do símbolo, some-se para o seu abrigo. A tradição diz ter havido várias tentativas para o apanhar, todas elas falhadas. Quem algum dia o tentou, sempre foi destetado pelo cabrito, o qual o desmemoriou para que ninguém saiba do seu paradeiro exato. Relativamente ao sítio dos Cabrinzes, na mesma serra, corre outra lenda sobre um cabrito de ouro, se é que não se trata da mesma. Segundo ela, há naquele sítio uma pequena lapa onde à meia-noite da passagem de ano, aparece o Feto Rei. Quem o colher é que apanha o cabrito de ouro.
- Cincaimão* Signo de Saimão ou Símbolo de Salomão, é uma forma geométrica sob a forma de uma estrela de cinco pontas e foi largamente utilizado em práticas mágicas e em crendices condensadas no Grande Livro de S. Cipriano. É um símbolo/amuleto de sorte.
- Vale da Lapa – Num sítio do vale da Lapa, no lugar de Alqueidão havia escondido, um pote de oiro e outro de veneno.
- Panela de Ferro com Oiro – Num lugar da área do Alqueidão dizia-se haver uma panela de ferro cheia de oiro, que alguém enterrara. O aro ficara de fora para referenciar o local mas as cabras, ao passarem, foram – no desgastando, não tendo por isso sido ainda encontrado. A panela situa-se num antigo carreiro de cabras.
- Painel - Bairrada - No sítio Painel – Bairrada, houve-se berrar um bezerro durante certas noites. Quem tentar aproximar-se do local onde o houve, passará de imediato a ouvi-lo do sítio oposto. Se não for perseguido, ouvir-se-á cantar próximo um galo e á volta ver-se-ão luzes dançando. Passando por ali em animal não ferrado, ver-se-ão as luzes porem sobre os cascos do animal, donde começarão a sair faúlhas como de uma fornalha. As faúlhas não queimam nem gastam os cascos.
- Relveiro das Bruxas – Neste sítio da Serventia dançavam as bruxas em noites de luar. Um homem que por ali passou certa noite, e que se viu apoquentado por elas, abateu uma a cajado. O reboliço gerado foi tal que se viu forçado a levá-la, as costas, para casa. Assim ficou a saber quem era
Economia
No final do século XIX e inicio do século XX, o Arrimal era a freguesia do concelho de Porto de Mós que possuía a maior riqueza de produção agrícola, sobretudo ao nível dos cereais, como o milho e o trigo. Mas o produto agrícola de maior riqueza da freguesia era sem dúvida o azeite tendo tal importância este produto agrícola que no brasão da freguesia possuía entre quatro ramos de oliveira de ouro frutados de negro que simbolizam a Agricultura. A grande abundância de oliveiras da região permitia uma grande produção de azeite e de uma qualidade excecional.
A partir dos anos 50 do século XX o sector primário do ramo da Agricultura entrou em declínio tendo se mantido sobretudo ancorado pelo aumento da produção pecuária, mas por volta dos anos 90 do século XX a atividade agropecuária entrou em declínio e presentemente apenas se mantem algumas explorações pecuárias e a agricultura que se pratica é sobretudo de subsistência.
A economia do Arrimal é sobretudo baseada no setor primário, da indústria extratora de pedra. O setor secundário também apresenta alguma relevância, sendo a principal fonte de receita existente na freguesia proveniente da indústria de transformação de pedra. O sector terciário embora existente não é tão relevante abrangendo estabelecimentos comerciais dos seguintes ramos restauração, ao comércio a retalho serviços públicos e hotelaria.
Personalidades
- Pe. Manuel Mathias (1761 - 1843) - Sacerdote (Foi pároco da freguesia do Arrimal dos anos de 1826 a 1835. Encontra-se sepultado no antigo cemitério do adro da Igreja Velha de Santo António do Arrimal).
- Pe. Francisco António Pereira (1859 - 1934) - Professor, Sacerdote, (Formou-se no Colégio/Seminário da Serra de Santo António estabelecimento de ensino este que foi criado pelos frades franciscanos de Varatojo Frei Manuel da Conceição (desconhecida) 26/03/1875 e do Frei José da Conceição 1802/1803 - 31/10/1886), após a Revolução Liberal devido à perseguição religiosa resultante da extinção das ordem religiosas pela conhecida lei do (Mata Frades) e ali se fixaram dando assim continuidade à sua nobre missão de ensinar) Foi padre da paróquia do Arrimal desde do ano de 1879 até ao seu falecimento em 1934, tendo sido um padre muito acarinhado sobretudo pela sua bondade. Foi ele quem criou a Escola Primária do Arrimal em 1880 tendo sido o professor desta até 1882. Encontra-se sepultado ao fundo do cemitério do Arrimal.
- Arq. Paulo Henrique Durão (1978) - Arquitecto (Licenciou-se na Universidade Lusíada de Lisboa) Em 2002, torna-se arquitecto e foi convidado para Assistente de Arquitectura II da Universidade Lusíada de Lisboa, exercendo a função até 2011. Entre 2006 e 2011 é professor convidado de Projecto IV e V na Escuela Tecnica Superior Arquitetura Madrid, na unidade docente Campo Baeza. Doutor em Arquitectura pela Escuela Técnica Superior de Arquitectura de Madrid, sob o tema O TEMPO NO IMAGINÁRIO – em Arquitectura, Literatura e Cinema. Os seus projectos e obras já foram selecionados para vários prémios, como o Prémio ENOR 2009 e o AR HOUSE 2010, tendo sido distinguido como um dos 20 jovens arquitectos mais promissores de 2013 pela revista Wallpaper*. Em 2014 é identificado como uma das 40 personalidades abaixo dos 40 anos, que estão a transformar Portugal, segundo a revista Exame. Igualmente em 2014 é nomeado para o IAKOV CHERNIKHOV INTERNATIONAL PRIZE.
- Pe. Manuel dos Santos José (1938 - 2017) - Professor, Sacerdote (Formou-se no seminário de Fátima e foi Ordenado em 1963 e neste mesmo ano celebrou a sua primeira missa na paróquia do Arrimal. Foi nomeado capelão do Santuário de Fátima em 1963 e em 2005. Em 1965 foi convidado a trabalhar como Professor e Prefeito no Seminário de Leiria. Em 1970 foi nomeado Secretário Diocesano da Catequese. Em 1997 foi nomeado moderador da equipa de Secretariado Diocesano do ensino da Igreja nas Escolas. Em 2000 foi nomeado Juiz do Tribunal Eclesiástico. Em 2006 foi nomeado Assistente da Associação de Servitas de Nossa Senhora de Fátima. Foi padre nas paróquias de Coimbrão-1964, Azoia-1990, Minde-2001. Em 1996 fundou a Fundação Maria Mãe da Esperança, com o apoio de 26 leigos fundadores e 3 sacerdotes. Encontra-se sepultado no cemitério do Arrimal.
- Médico Manuel Francisco Cordeiro Catarino (1940 - 2023) - Médico Oftalmogista (Exerceu funções de médico oftalmogista no Hospital da Senhora da Oliveira Guimarães entre 1983 e 2006 os últimos sete anos como director de Serviço. Encontra-se sepultado no cemitério Municipal da Autoguia.
- Dr. Luís Matias (1957) - Músico, Filósofo e Gestor Hospitalar (Formou-se em Administração Hospitalar em Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade Nova de Lisboa, Formou-se em Piano e composição no Conservatório de Música do Porto, Formou-se em Hermann Gmainer Akademie - Innsbruck-Áustria, Formou-se em Faculdade de Filosofia de Braga da Universidade Católica Portuguesa. Formou-se em Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa do Porto). Foi Director das Aldeias SOS de Gulpilhares- Gaia entre 1990 e 2003. Foi presidente da Associação das Aldeias de Crianças SOS de Portugal. entre 2004 e 2007. Trabalhou como administrador nos Hospitais de Póvoa de Varzim, Sebastião da Feira, Matosinhos, Famalicão e como vogal do concelho de administração no Hospital Joaquim Urbano. Foi Presidente do concelho de administração da ULSLA - Unidade de Saúde do Litoral Alentejano. Foi consultor da Direcção Provincial da Saúde do Cuanza Sul de Angola e trabalhou na Unidade Local de Saúde da Póvoa de Varzim/Vila do Conde EPE.
- Ramiro Martins (1954 - 1998) - Músico (Contrabaixista), (Estudou Música na Bélgica onde se dedicou ao contrabaixo). Fundou a banda “Plâncton”, em 1972 e promoveu a ressuscitação de uma banda que já antes tinha existido, os BEATNICKS, liderando esta banda que no final dos anos 70 e princípios de 80 foi considerada das melhores bandas de Rock Progressivo em Portugal. Foi casado com a cantora Lena de Águas.
- Eng. Rui Pedro Sousa Barreiro (1965) - Engenheiro Zootécnico, Politico (Formou-se em Engenharia Zootécnica na Universidade de Évora, tornou-se mestre em Economia Agrária e Sociologia Rural, pelo Instituto Superior de Agronomia, Universidade Técnica de Lisboa e Pós-Graduado em Avaliação Imobiliária, pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias). Foi Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural no Governo de José Sócrates (2009/2011), tendo ocupado ainda os cargos de diretor Regional de Agricultura do Alentejo e de diretor-geral do Desenvolvimento Rural. Em 1993 desempenhou funções como vereador, e foi adjunto do governador civil de Santarém Carlos Cunha, antes de ser eleito presidente presidente da Câmara de Santarém (2001/2005).
Alojamentos
- Parque de Campismo do Arrimal
- Casa da Figueira
- Casa Arrimal
- Recanto da Serra
Referências
- ↑ «Lei n.º 11-A/2013 de 28 de janeiro (Reorganização administrativa do território das freguesias)» (pdf). [1] Partilhada com o autor da secção, oralmente, pela população. Diário da República eletrónico. Consultado em 28 de Março de 2014. Cópia arquivada (PDF) em 6 de janeiro de 2014
- ↑ Instituto Nacional de Estatística (Recenseamentos Gerais da População) - https://www.ine.pt/xportal/xmain?xpid=INE&xpgid=ine_publicacoes
- ↑ «Serra de Albardos ou dos Candeeiros»
- ↑ «Priberam - Dicionário». "arrimar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2025, https://dicionario.priberam.org/arrimar.
- ↑ Cacela, António Martins (1977). PORTO DE MÓS E O SEU TERMO. [S.l.: s.n.] p. 18
- ↑ Partilhada com o autor da secção, oralmente, pela população


