Arquitetura maneirista

Uffizi, Florença
Portal composto projetado por Wendel Dietterlin na década de 1590.

A arquitetura maneirista refere-se àquela fase da arquitetura europeia que se desenvolveu aproximadamente entre 1530 e 1610, ou seja, entre o final do Renascimento e o advento do Barroco.[1]

O Maneirismo é geralmente considerado pelos historiadores como a última fase do Renascimento, precedido pelas do Humanismo Florentino e do Classicismo Romano ; se as duas primeiras fases são temporalmente distintas, o mesmo não se pode dizer, contudo, do Classicismo e do Maneirismo, que coexistiram desde o início do século XVI.[2]

O termo “maneira”, já utilizado no século XV para indicar o estilo de cada artista, foi readotado por Giorgio Vasari no século seguinte para descrever um dos quatro requisitos das artes (“ordem, medida, desenho e maneira”), com particular referência às obras de Michelangelo Buonarroti.[3] Contudo, o termo "maneirismo" apenas apareceu pela primeira vez com a afirmação do Neoclassicismo, usado para indicar um devaneio do próprio ideal da arte; foi posteriormente utilizado pelo historiador Jacob Burckhardt para definir desdenhosamente a arte italiana entre o Renascimento e o Barroco.[4] Não obstante, no início do século XX, à luz das recentes correntes surrealistas e expressionistas, a crítica reavaliou a cultura maneirista, interpretando-a não como uma decadência, mas como uma expressão da crise espiritual e do mal-estar do homem moderno.[5]

Contexto histórico

Na terceira década do século XV, as bases políticas, sociais e culturais sobre as quais se desenvolvera o Renascimento tinham-se transformado enormemente. A Itália, sob o impacto das invasões promovidas por França e Espanha, viu-se privada de sua independência. Esse cenário resultou numa profunda instabilidade política, agravada por uma severa crise interna na Igreja Católica. O prestígio da instituição foi abalado por uma rebelião religiosa que fragmentou o continente, levando quase metade da Europa a aderir ao protestantismo. Por volta de meados do século XVI, os fundamentos políticos da sociedade florentina, que tinham sido a base do Renascimento, desapareceram; até mesmo a concepção do cosmos foi revolucionada, enquanto as divisões que se desenvolveram dentro da Igreja Católica tornaram-se o símbolo da desintegração de um mundo unificado e absoluto. No campo artístico, o sentimento de dúvida e a consequente alienação do indivíduo encontraram expressão no Maneirismo.[6]

O final do século XV viu o desenvolvimento de grandes monarquias, na Espanha, França e Inglaterra; em 1493 Maximiliano I de Habsburgo tornou-se imperador do Sacro Império Romano, enquanto a Rússia encontrou unidade política sob Ivan III.[7] Posteriormente, com a ascensão ao trono francês de Francisco I e a coroação de Carlos V de Habsburgo, os cenários europeus sofreram uma alteração radical, com a anexação à Espanha da Alemanha e outros territórios, como Milão, Nápoles e sul da Itália.

Na Itália, em 1527 houve o saque de Roma pelos lansquenetes; este evento é geralmente considerado o início do Maneirismo.[8] Muitos artistas foram forçados a deixar Roma, mudando-se para Florença e Veneza. Em Florença, os acontecimentos de 1527 favoreceram a expulsão dos Médici; a rebelião foi reprimida apenas com um longo cerco, entre 1529 e 1530, que restabeleceu a casa no comando da cidade. Veneza, por outro lado, era o arsenal mais importante da Itália e um importante centro cultural, graças à ampla difusão da atividade editorial.

Posteriormente, em 1542, o Papa Paulo III restaurou o Santo Ofício da Inquisição, que precedeu a convocação do Concílio de Trento em alguns anos. O clima da Contra-Reforma levou à formação da Sociedade de Jesus por Inácio de Loyola (1534), que também exerceu considerável influência no campo artístico, dirigindo a arquitetura religiosa em direção ao estilo barroco.[9]

Características

O Maneirismo rejeita o equilíbrio e a harmonia da arquitetura clássica, opondo-se ao antropocentrismo renascentista e concentrando-se, por sua vez, no contraste entre norma e exceção, preferindo à natureza o artificial, o complicado; pretende surpreender, maravilhar, deslumbrar. [10]

A forma de dispor os elementos arquitetónicos tradicionais em relação à carga perde importância: o suporte passa a poder não suportar nada (por exemplo na fachada do desaparecido Palazzo Branconio dell'Aquila em Roma, por Raffaello Sanzio, onde as semicolunas do plano térreo são colocadas em correspondência com os nichos do primeiro andar); a fuga da perspectiva não termina num ponto focal, como na Arquitetura Barroca, mas antes termina no nada; as estruturas verticais assumem dimensões excessivas e conferem ao complexo um inquietante equilíbrio "oscilante".[11]

Se na arquitetura renascentista os edifícios revelam muitas vezes a sua conformação interna também no exterior (por exemplo destacando "cimalhas de andar", extradorso e intradorso), as obras maneiristas geralmente distanciam-se desta tendência, ocultando ou disfarçando a própria estrutura de base.[12]

Do ponto de vista decorativo, o fenómeno do Grotesco, tema pictórico da época do Romano, redescoberto no final do século XV durante algumas escavações arqueológicas, assumiu particular importância. Estas pinturas, centradas em representações fantásticas e irracionais, voltaram à moda durante o Maneirismo (por exemplo nas decorações do palazzo Te) e, ainda que esporadicamente, influenciaram a própria arquitetura; isso é evidente nas aberturas bizarras na frente do Palazzo Zuccari em Roma e no Giardino Orsini em Bomarzo. [13] Outras influências, especialmente ligadas a temas zoomórficos, antropomórficos e fitomórficos, foram encontradas nos paramentos de edifícios como a Casina di Pio IV nos Vaticano de Pirro Ligorio, ou Almo Collegio Borromeo, em Milão.

Difusão

O estilo maneirista, inicialmente concebido em Roma e Florença, rapidamente se espalhou para norte da Itália e depois para o resto da Itália e Europa [14], onde os princípios mais genuínos da arte italiana dos séculos XV e XVI quase nunca foram totalmente compreendidos, e a arquitetura renascentista se manifestou prevalentemente na sua variante maneirista.[15]

Giulio Romano, com o seu Palazzo Te em Mântua, introduziu o Maneirismo no Vale Padana, enquanto Michele Sanmicheli transformou Verona na esteira desta nova corrente, criando uma série de palácios sob influência direta de Giulio Romano e do Classicismo Romano. Outras influências também são registadas no sul da Itália, por exemplo na Capela do Monte di Pietà em Nápoles, por Giovan Battista Cavagna.[16]

Sebastiano Serlio, autor dum importante tratado de arquitetura, contribuiu para a sua difusão também na Europa; também trabalhou na chamada Escola de Fontainebleau, que se tornou o principal centro maneirista da França. Os seus Sete Livros de Arquitetura, publicados entre 1537 e 1551 em ordem irregular, tiveram notável difusão e foram fonte de inspiração para os classicistas além dos Alpes.[17]

Desde os primeiros anos do século XVI, o espírito maneirista também se difundiu na Espanha como uma reação à gótica tardia nacional (o estilo plateresco).[18] Por sua vez, a Inglaterra e a Alemanha voltaram-se para o Maneirismo clássico apenas no século XVII, através de artistas como Inigo Jones e Elias Holl, que importaram os modelos italianos para contextos ainda dominados por tradições construtivas locais.[19]

Principais obras

Itália

Um ponto de partida da arquitetura maneirista é a Villa Farnesina de Roma, construída por Baldassarre Peruzzi por volta de 1509.[20] Apresenta uma planta em "U", com duas alas que encerram uma parte central onde, no piso inferior, se abre um pórtico composto por cinco arcos de volta perfeita. A articulação da fachada, adornada com pilastras e bossagem de silhares angulares, mantém-se ainda fiel aos cânones clássicos; contudo, o friso ricamente decorado com festões e putti, que se estende até ao topo do edifício, já evidencia uma transição clara nos gostos ornamentais.[21]

Além disso, numa sala do andar superior (a Sala delle Prospettive), o próprio Peruzzi pintou colunatas em trompe-l'oeil e paisagens urbanas, com o objetivo de ampliar ilusoriamente o espaço arquitetónico, um recurso de cenografia que se tornaria recorrente no período maneirista.[22]

Palazzo Massimo alle Colonne, Roma
Palazzo Te, Mântua

No entanto, a obra-prima de Peruzzi pode ser encontrada no Palazzo Massimo alle Colonne, que remonta a 1532. A estrutura assenta num terreno em formato de “L” de dimensões irregulares. A fachada é curvilínea e apresenta pórtico arquitravado com colunas livremente espaçadas, cuja profundidade contrasta com o registo superior da fachada; São inusitadas as molduras que decoram as janelas dos pisos superiores, encostadas a uma parede decorada com silhares planos. A forma dos pórticos do pátio também é nova: são constituídos por duas lógias sobrepostas, fechadas no topo por um terceiro andar aberto por janelas retangulares tão largas quanto a colunata abaixo. Todas estas soluções, em parte influenciadas pelas assimetrias do lote, mostram uma prevalência da excepção à norma e colocam o Palazzo Massimo entre as mais interessantes fábricas da arquitetura maneirista.[23]

Opinião semelhante pode ser expressa para o famoso Palazzo Te em Mântua, construído por Giulio Romano na década entre 1525 e 1534. O palácio é um edifício de planta quadrada, com um pátio quadrado no centro; a entrada principal foi resolvida com uma lógia, onde se repetem arcos de volta perfeita e serlianas. A frente dá para um jardim ladeado, no lado oposto, por uma vasta exedra semicircular. Esses elementos remetem ao código clássico, mas o caráter rústico do edifício (ordem e silhar deixam de estar em dois níveis distintos, e unem-se a um único elemento nas fachadas laterais) aproxima a obra dos cânones da arquitetura maneirista.[24] Além disso, Giulio Romano também aplicou a serliana na profundidade do pórtico, transformando aberturas bidimensionais em elementos espaciais.

Outros dois edifícios em Mântua, projetados por Giulio Romano, exibem acentuadas características rústicas: a sua própria residência e o pátio Cavallerizza no Palazzo Ducale. No primeiro caso, a cantaria estende-se até ao topo do edifício, enquanto a ordem clássica dá lugar a um conjunto de pilares rústicos sobre os quais se assentam arcos de volta perfeita.[25] Os dois andares da casa são divididos por um cordão (marcapiano) que, na entrada, flete-se para cima para formar um tímpano, interrompendo a progressão horizontal retilínea da própria linha.[26] O pátio Cavallerizza ainda é dividido em duas ordens, mas as paredes rústicas são caracterizadas, no registro superior, por extravagantes semicolunas tortile que introduzem um ritmo helicoidal e dinâmico, subvertendo a estática das ordens clássicas."[27]

Palazzo Canossa, Verona
Villa Barbaro, Maser (Treviso)

A relação entre natureza (silhar) e artifício (colunas), que em algumas obras de Giulio Romano se dissolve a fim de fundir os dois elementos numa única estrutura parietal, encontra outros exemplos em alguns palácios venezianos construídos por Michele Sanmicheli, Andrea Palladio e Jacopo Sansovino. Sanmicheli foi o responsável pelo Palazzo Pompei, construído em Verona nas primeiras décadas do século XVI. O traçado da fachada, em duas ordens, remete à fachada da Casa de Rafael, projetada por Bramante (1508), embora com algumas diferenças importantes visando acentuar, no registo inferior, os sólidos sobre os espaços vazios; em vez disso, no segundo andar, no lugar das janelas desenhadas por Bramante na Casa de Rafael, Sanmicheli introduziu uma lógia de grande força expressiva. [28]

A arquitectura civil oferece ainda exemplos importantes em alguns palácios venezianos, cujas características predominantes foram teorizadas por Sebastiano Serlio nos seus Sete Livros de Arquitectura. [29] Nos desenhos de Serlio, bem como nas criações de Sansovino, a massa das paredes da fachada é aligeirada com grandes aberturas, onde as ordens arquitectónicas são utilizadas não só como objectos decorativos, mas também como elementos de suporte. Pertencem a esta tipologia edifícios como o Palazzo Corner (1532), concebido por Sansovino através da fusão do esquema florentino-romano com o veneziano. Além disso, a articulação da fachada, em que os espaços vazios prevalecem sobre os cheios, antecipa o desenho da Libreria Marciana (1537), posteriormente erguida por Sansovino para delimitar a praça próxima da Basílica de São Marcos.[30] De facto, a fachada da Biblioteca Marciana está organizada em dois níveis: o primeiro baseia-se no modelo romano, com colunas que suportam arquitraves e aberturas em arco pleno; o segundo, no qual o gosto maneirista é mais evidente, é composto por serlianas enquadradas por colunas que suportam um friso ricamente decorado.[31]

Também de Sansovino é o Palazzo della Zecca (c. 1537), erguido adjacente à biblioteca acima referida. A disposição da fachada é inovadora: o pórtico do piso térreo suporta uma loggia formada por colunas aneladas (rústicas) onde a cantaria alterna com a estrutura lisa, encimada por uma dupla arquitrave; o último piso, acrescentado posteriormente e provavelmente projetado pelo mesmo arquiteto, dá continuidade ao tema das colunas rústicas, intercaladas por grandes janelas com tímpanos triangulares.[32]

No entanto, as obras de artistas como Sansovino e Palladio dificilmente poderiam ser definidas como maneiristas da mesma forma que as criadas pelos já mencionados Giulio Romano ou Michelangelo Buonarroti, os dois principais expoentes do movimento. [33] Na análise da arquitetura de Miguel Ângelo, alguns edifícios florentinos são particularmente significativos, como a Sagrestia Nuova (concluída em 1534) e a Biblioteca Medicea Laurenziana (projetada em 1523). Em comparação com exemplos anteriores, onde a atenção do designer está geralmente concentrada na planta e nas superfícies da fachada, a Nova Sacristia de Florença surge como um espaço concebido para albergar esculturas. Ergue-se perto da Basílica de San Lorenzo e é uma imagem especular da Antiga Sacristia projetada por Filippo Brunelleschi, da qual retira a sua planta. Miguel Ângelo elaborou livremente as formas adotadas na Sacristia Velha, mas privou-as da harmonia de Brunelleschi. Por exemplo, acima dos portais de entrada, criou entablamentos retilíneos suportados por grandes mísulas, com nichos pouco profundos encimados por tímpanos invulgares escavados na parte inferior. [34]

A restauração da Praça do Capitólio (1546) e a cúpula da Basílica de São Pedro no Vaticano completam o ciclo de Miguel Ângelo, onde a rejeição ao equilíbrio bramanteano e a adoção de escalas colossais reforçam o caráter inquietante do Maneirismo romano. [35] Finalmente, a Igreja do Gesù de Vignola em Roma (1568) consolida a transição para o Barroco, utilizando a planta de nave única para atender aos preceitos litúrgicos da Contra-Reforma. [36]

Na Biblioteca Laurenciana, construída sobre o claustro da mesma basílica, Miguel Ângelo teve de considerar as condições preexistentes. O projeto foi resolvido através da criação de dois espaços adjacentes: o átrio (ou ricetto), de pequena superfície e caracterizado por um pé-direito elevado, e a sala de leitura, localizada num piso superior. As paredes do átrio configuram-se como fachadas palacianas viradas para o interior, com nichos cegos e colunas recuadas (encastradas para reforçar a parede); por outro lado, a sala de leitura, acessível através de uma escadaria que parece expandir-se para baixo (executada por Bartolomeo Ammannati), é um espaço mais iluminado e de proporções verticais contidas, mas muito mais extenso em comprimento, o que altera radicalmente a perceção espacial convencional.[37]

Palazzo Corner, Venezia
La Zecca di Venezia

De regresso a Roma, Miguel Ângelo ocupou-se da reconstrução da Basílica de São Pedro no Vaticano e do arranjo da Praça do Capitólio (1546). Para a basílica, rejeitou o projeto de Antonio da Sangallo, o Jovem e regressou ao plano centralizado original, subvertendo, contudo, o equilíbrio idealizado por Bramante: através de uma fachada com pórticos, conferiu uma direção principal a todo o edifício e, após demolir partes construídas pelos seus antecessores, reforçou os pilares que sustentavam a cúpula, afastando-se das proporções delicadas de Bramante em favor de uma escala colossal.[38]

Na Praça do Capitólio, Miguel Ângelo teve, mais uma vez, de considerar os edifícios preexistentes; por conseguinte, concebeu um espaço trapezoidal, delimitado, na direção do Fórum, pelo Palazzo Senatorio e, ao longo dos lados divergentes, pelo Palazzo Nuovo e pelo simétrico Conservatori. Esta geometria trapezoidal, combinada com o desenho elíptico do pavimento, inverte a perspetiva tradicional e centraliza o espaço no monumento equestre de Marco Aurélio.[39]

Uma das suas últimas obras foi a Porta Pia (1562), à qual dedicou numerosos esboços onde se revelam formas complexas e heterodoxas que serviram de inspiração a vários arquitetos maneiristas e, posteriormente, barrocos.[40]

Outros artistas toscanos do século XVI produziram obras de estilo maneirista, apoiando-se sobretudo na definição de detalhes ornamentais; exemplo disso é a escadaria exterior da Villa Medici de Artimino, de Bernardo Buontalenti. Por outro lado, um caso especial é o Palácio dos Uffizi, de Giorgio Vasari (1560), no qual, além da atenção ao detalhe, sobressai o elevado valor de planeamento urbano: o complexo está inserido entre o Palazzo Vecchio e o Arno para formar um corredor fechado, voltado ao rio, através de uma janela serliana. Os alçados baseiam-se na repetição de um módulo de vão; contudo, é evidente que os Uffizi não foram concebidos apenas como uma sucessão de fachadas, mas em termos de profundidade espacial.[41]

Uma fusão de temas classicistas e maneiristas é visível na arquitetura de Jacopo Barozzi da Vignola, que, em 1550, construiu a pequena igreja romana de Sant'Andrea sulla via Flaminia, caracterizada por uma cúpula elíptica contida num retângulo. Esta solução rompe com a tradição da planta centralizada circular do Renascimento, antecipando o dinamismo espacial do Barroco.[42]

Em 1551, ainda em Roma, ergueu a Villa Giulia, na qual colaboraram também Miguel Ângelo, Vasari e Ammannati. A peculiaridade do edifício reside no contraste entre o exterior, de formas regulares e severas, e o interior, que se abre para o jardim num amplo hemiciclo semicircular, criando um jogo de perspetivas e níveis que subverte a unidade clássica do palácio.[43]

Em 1558, Vignola transformou uma fortaleza de Sangallo no Palazzo Farnese, em Caprarola. O exterior mantém a planta pentagonal defensiva, mas o interior surpreende com um pátio circular de duas galerias sobrepostas. A ambiguidade da obra reside no binómio fortaleza-residência: as superfícies exteriores são planas e austeras, enquanto o pátio interior revela uma profunda articulação espacial.[44]

A obra mais célebre de Vignola é a Igreja do Gesù em Roma (1568), modelo fundamental da Contra-Reforma, que exerceu uma influência global na arquitetura religiosa dos séculos seguintes.[45]

França

Castelo de Blois

O Maneirismo italiano influenciou profundamente os castelos franceses, embora inicialmente limitado ao aparato decorativo.[46] Entre 1515 e 1524, Francisco I iniciou a reforma e ampliação do Castelo de Blois, onde foram introduzidas janelas de cruz e mansardas de gosto maneirista. No entanto, a elevada cobertura do castelo ainda remete para os modelos medievais e para a tradição francesa, tal como a estrutura da célebre escadaria exterior que, apesar de decorada segundo o gosto renascentista e de apresentar uma volumetria complexa, mantém a sua morfologia gótica de caracol.[47]

No Castelo de Fontainebleau, a partir de 1528, a Porte Dorée e a Galeria de Francisco I fundem o vocabulário italiano (como as lógias de Urbino e as pilastras rústicas) com os telhados de forte inclinação típicos da tradição local, criando uma variante distinta do Maneirismo europeu.[48]

Castelo de Chambord
Cour Carrée, Palácio do Louvre

Da mesma forma, o Castelo de Chambord apresenta um contraste nítido entre os corpos de edifícios e as coberturas. Foi construído entre 1519 e 1547 por Domenico da Cortona, arquiteto italiano formado sob a orientação de Giuliano da Sangallo. O conjunto, inteiramente rodeado por um fosso, possui planta retangular com quatro torres circulares nos ângulos, um vasto pátio central e, no lado longitudinal, uma torre de menagem de planta quadrangular, também delimitada por quatro torres circulares. A torre de menagem constitui o coração do castelo e é servida por uma escada em espiral dupla, inspirada num conceito de Leonardo da Vinci, desenhada para que quem desce não se cruze com quem sobe.[49]

Outro italiano, o já mencionado Sebastiano Serlio, trabalhou no Castelo de Ancy-le-Franc, onde introduziu, em torno de um pátio quadrado, edifícios fechados em cada ângulo por torres também de planta quadrada. Este modelo, inspirado numa vila napolitana de Giuliano da Maiano (a Villa di Poggioreale, hoje desaparecida)[50], obteve um sucesso considerável em residências suburbanas; trata-se de um esquema que Serlio ajudou a consolidar através da vasta difusão do seu Tratado. As frentes internas do pátio retomam o tema dos nichos e pilastras gémeas já adotado por Bramante no Pátio do Belvedere, no Vaticano.[51]

A Cour Carrée do Louvre, encomendada por Francisco I para substituir o castelo medieval preexistente, remonta a esta tipologia de planta. As obras, confiadas a Pierre Lescot, iniciaram-se em 1546; o projeto original previa um edifício de dois pisos, ao qual foi acrescentado um sótão durante a execução. O registo inferior é marcado por um sistema duplo de arcos e arquitraves; o piso superior articula-se através de colunas e janelas com frontões alternados (triangulares e curvos); o sótão é enriquecido com esculturas de Jean Goujon, que conferem à Cour Carrée um caráter decididamente maneirista.[52]

Espanha

Mosteiro Escorial, Madrid

A Espanha voltou-se para o maneirismo com o palácio de Carlos V na Alhambra de Granada (1526).[53] Desenhado por Pedro Machuca, foi continuado pelo seu filho Luís até 1568. A planta é um quadrado de aproximadamente 60 metros de lado, com ângulos chanfrados; ao centro existe um vasto pátio circular, definido por colunatas de duas ordens, que antecipa a solução de Vignola para o Palazzo Farnese e, simultaneamente, remete ao pátio inacabado da Villa Madama de Raffaello Sanzio.

Mesmo o exterior, com pilastras inseridas na cantaria rústica, recorda o estilo italiano, em particular a Casa de Rafael (Palazzo Caprini) desenhada por Bramante. Mais impressionante é o Mosteiro do Escorial, em Madrid, encomendado por Filipe II de Espanha e construído entre 1563 e 1584 por Juan Bautista de Toledo e Juan de Herrera. A planta, ligada por Filarete ao Hospital Maior de Milão, consiste num retângulo de aproximadamente 200 por 160 metros, com pátios monumentais e uma igreja inspirada no projeto de São Pedro de Bramante. No exterior, pontuado por quatro torres de ângulo, a arquitetura é austera e despojada, enquanto o interior revela volumes complexos com a interseção de telhados de duas águas e a cúpula central.[54]

Inglaterra

Hardwick Hall, Derbyshire
Banqueting House, Londres

No final do século XVI, várias casas de campo foram construídas na Inglaterra num estilo mais voltado para a "ordem" do que para a "liberdade".[19] Entre estas, devem mencionar-se a Longleat House, a Wollaton Hall e a Hardwick Hall.

A primeira foi construída entre 1572 e 1580 em Wiltshire; caracteriza-se por grandes aberturas retangulares e frontais semelhantes a janela em arco, enquanto o elemento mais renascentista é representado pelo portal de acesso. Em 1580, iniciaram-se também os trabalhos em Wollaton Hall, em Nottinghamshire, onde a planta retoma o esquema do quadrado ladeado por torres de ângulo; na parte central do edifício surge uma torre com mais quatro torres circulares nas laterais.[55]

Tal como em Longleat House, grandes janelas marcam as fachadas de Hardwick Hall, em Derbyshire (15901596). A planta reconduz-nos a um retângulo com torres de ângulo e janelas em arco; o topo do edifício, tal como nas residências anteriores, é delimitado por balaustradas decorativas.[56]

A influência italiana, e em particular a palladiana, é mais evidente nas obras de Inigo Jones, onde os elementos que remetem ao maneirismo (frontões recortados, cornijas de perfis complexos, lápides e painéis decorados, etc.) assumem um papel secundário face à busca de uma arquitetura "sólida, mensurável segundo as regras, viril, livre de afetações".[57]

O seu primeiro grande trabalho foi a Queen's House em Greenwich. A planta possui a forma de "H", possivelmente inspirada na Vila Medici de Poggio a Caiano, com grandes janelas regulares e uma loggia colocada no centro de um dos lados maiores, à qual se contrapõe, no lado oposto, uma sala cúbica de quarenta pés (12 metros).[58]

Intimamente ligada à Casa da Rainha está a Banqueting House, que foi concebida como uma basílica sem naves laterais, um espaço unitário baseado na proporção matemática do cubo duplo (110x55x55 pés). Originalmente, Jones incluiu uma abside no extremo sul para o trono real, mas esta foi removida poucos anos após a conclusão, simplificando o volume para um paralelepípedo perfeito.[59]

A fachada externa, rematada por um friso ricamente decorado, é composta por duas ordens sobrepostas em silhares lisos, com colunas e pilastras que enquadram os vãos retangulares, segundo um estilo que remete aos modelos palladianos.[60]

O princípio de configuração dos edifícios segundo espaços regulares, no qual emerge uma estreita relação entre a configuração interna e externa, encontra-se também noutras obras de Inigo Jones: por exemplo, a Capela da Rainha remete para a modularidade do cubo duplo (1623), enquanto a planta da igreja de Covent Garden (1631) é definida como um quadrado duplo.[61]

Outros países

Prefeitura de Antuérpia

Bélgica e Holanda

Na Bélgica, uma das obras mais significativas encontra-se na Câmara Municipal de Antuérpia, que Cornelis Floris de Vriendt construiu entre 1561 e 1566. O palácio está localizado à beira de uma grande praça com vista para edifícios tardo-góticos com detalhes renascentistas e barrocos; apesar da presença de um avancorpo central de tradição nórdica, o edifício deriva de Bramante e Serlio.[62]

A fachada, perfurada por grandes vãos, está disposta em quatro ordens delimitadas por cornijas marcapiano; o corpo central, com arcos de volta perfeita, é decorado com colunas e nichos emparelhados.

Este modelo foi importado para várias regiões europeias, começando pela Holanda e Alemanha.[19]

Alemanha

Entre 1615 e 1620, Elias Holl construiu a Câmara Municipal de Augusta, com o corpo central fechado por um tímpano moldado; nas laterais da cobertura erguem-se duas torres de planta quadrada, sobre as quais se inserem dois volumes poligonais com cúpulas bulbosas. Por sua vez, na arquitetura religiosa alemã, uma das primeiras igrejas ligadas à Contra-Reforma foi a Michaelskirche de Munique, construída a partir de 1585 seguindo o modelo da Igreja do Gesù de Roma. Caracterizada por uma fachada maneirista, o interior surpreende pela grande abóbada de berço que cobre a nave central. À semelhança da basílica romana, também aqui as capelas laterais abrem-se diretamente para a nave através de uma série de arcos, mas os espaços resultantes, comparados ao modelo de Vignola, apresentam uma maior integração com o espaço central.[63]

Portugal

As influências maneiristas chegaram a Portugal em meados do século XVI. A igreja de Nossa Senhora da Graça, em Évora, já apresenta formas mais severas. É nela que se emprega pela primeira vez o sistema arquitetónico clássico com plena consciência nas obras régias, patenteando soluções avançadas que anunciam uma plástica proto-maneirista. A ideia de elevar uma dependência fenestrada sobre um pórtico e, sobretudo, a de coroar a fachada com um frontão duplo, são consideradas antecipações de novidades formais que só no final do século seriam divulgadas pelos tratados de Andrea Palladio.[64]

Este processo de mudança estética foi impulsionado pela instabilidade política na Itália, invadida por França e Espanha, e pela crise interna da Igreja Católica, que reagiu com o Concílio de Trento (1547), tornando-se o principal agente de reorientação cultural.[65] Em Portugal, o Maneirismo consolidou-se através de dois fatores fundamentais: a circulação dos tratados de Vignola e Serlio e a difusão do modelo da igreja jesuíta, funcional e de linhas simples, pela Companhia de Jesus.[66]

Vale a pena mencionar Diogo de Torralva, influenciado por Serlio e Palladio no seu Claustro de D. João III (ou de São Filipe) em Tomar, uma das primeiras manifestações do primeiro Maneirismo arquitetónico pós-Alto Renascimento.[67] A influência de Vignola é também percetível na igreja de São Vicente de Fora, em Lisboa, obra de finais do século da autoria de Filippo Terzi. Este edifício tornou-se o modelo dominante para numerosos templos maneiristas, como a Sé Nova de Coimbra e São Bento no Porto, caracterizando-se pela sobriedade exterior em contraste com interiores extravagantes de talha e azulejo.[66]

O Maneirismo português percorreu três etapas evolutivas: a inicial, de absorção de modelos italianos; a do "Triunfo da Bela Maneira"; e a fase de defesa ativa dos valores da Contra-Reforma, servindo uma clientela composta pelo monarca, nobreza e misericórdias.[68] Esta influência estendeu-se ao Império, como se observa na Catedral de Velha Goa e na igreja inaciana de Macau, de direta inspiração italiana.[66]

Bibliografia

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  • Bruno Zevi, Michelangelo architetto, Turim 1964

Referências

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  4. De Fusco, Renato (2011). Mil anos de arquitetura na Europa. Lisboa: Edições 70. p. 254 
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