Sebastiano Serlio

Sebastiano Serlio
Nascimento6 de setembro de 1475
Bolonha
Morte1554 (78–79 anos)
Fontainebleau
Ocupaçãoarquiteto, pintor, escritor, contrato de empreitada, designer
Obras destacadasChâteau de Roussillon, Castelo d'Ancy-le-Franc
Pinacoteca de Brera.

Sebastiano Serlio (Bolonha, 6 de setembro de 14751554) foi um arquiteto italiano do Renascimento. Integrou a equipe que construiu o Château de Fontainebleau e foi o autor do tratado I sette libri dell'architettura e ajudou a consolidar a Ordem Arquitetônica.

Serilo foi para Roma em 1514 e permaneceu lá ate 1527 quando ocorre o Saque de Roma. Foi para Veneza mas deixou poucas marcas ali porém é lá que surge o primeiro volume de seu tratado denominado "Regole generali d'architettura [...]" ou Regras Gerais da Arquitetura.

As publicações de Serilo chamaram a atenção do rei Francisco I da França. A carreira do arquiteto decola quando recebe um convite deste rei para ser conselheiro na construção e decoração do Château de Fontainebleau onde uma equipe italianos havia sido formada.

Morreu em 1554 e sua maior contribuição foi seu tratado, tido como guia prático para arquitetos, que teve grande repercussão na França, Países Baixos e Inglaterra.

O Sexto Livro de Serlio e sua importância na arquitetura

Tratado de Sebastiano Serlio.

Autor do tratado "Tutte L'Opere de L'Arquitettura et Prospetiva", Sebastiano Serlio foi de extrema influência na canonização das ordens clássicas da arquitetura e na história arquitetônica como um todo. Dentre os sete livros da série, o sexto, "Delle habitationi fuori e dentro delle città" (Sobre as habitações dentro e fora das cidades), possui uma preciosidade singular por sua raridade. Afinal, este não foi publicado durante a vida do arquiteto, apenas seus manuscritos foram encontrados. O tratado exerceu influência decisiva sobre a evolução da arquitetura veneziana, especialmente o Livro VI, pois é ele que define a primeira tipologia da arquitetura doméstica ocidental.[1]

Manuscrito do Livro VI - Sebastiano Serlio.

Composto por diversas ilustrações acompanhadas de texto, o sexto volume trata de casas e villas para todos as camadas sociais, desde as classes inferiores até os palácios reais, abordando amplamente a arquitetura residencial da época. Nele, duas séries independentes são abordas: a primeira relacionada a habitações rurais e, a segunda, a urbanas. Ambas as séries usam o mesmo modelo social como base, onde um tipo de construção adequado é atribuído a cada classe.[2] De certa maneira acabada formando uma espécie de catálogo consultivo de uma tipologia arquitetônica normalmente construída sem a presença de um arquiteto. Deste modo, Sebastiano Serlio é capaz de prever uma nova clientela (especialmente burguesa) que se forma em meio ao Renascimento, popularizando assim a profissão do arquiteto. Havia então a existência de um grande mercado em potencial para o modelo apresentado em seu sexto livro que, após sua morte, continuou sendo seguramente confiado como inspiração para inúmeros artistas e construtores.[3]

Além de ter previsto a disseminação da arquitetura como profissão, o Livro VI do tratado de Serlio auxiliou no entendimento da enorme mudança social que ocorria no período com a ascensão da burguesia. As diversas mudanças políticas e sociais que vinham ocorrendo refletiam diretamente na organização das cidades e suas habitações. Com o decorrer da história, percebe-se a necessidade de novos espaços de convivência, e consequentemente uma nova ordenação do espaço público nas cidades. As necessidades das construções alteram-se com o tempo, promovendo novas reflexões e abordagens no processo de projeto e na relação entre arquiteto e cliente. A obra em destaque contém diversos modelos desenhados de maneira clara e elegante, acompanhados de explicações e ideias pessoais de Serlio. Desta forma, o arquiteto apresenta exemplos genéricos de palazzi, ville, casas urbanas e camponesas.[1][2][3][4][5][6]

Influência

Os volumes de Serlio foram altamente influentes na França, Holanda e Inglaterra como um transportador do estilo renascentista italiano e rapidamente se tornaram disponíveis em vários idiomas. Seus planos e elevações de muitos edifícios romanos forneceram um repertório útil de imagens clássicas, muitas vezes reimpressas.[7]

Cinco anos após sua publicação original, o estudioso flamengo Pieter Coecke van Aelst publicou, em Antuérpia, adaptações do Livro IV em flamengo, alemão e francês; Serlio considerou essas versões não autorizadas de seu trabalho como falsificações inferiores; no entanto, eles serviram como vetores significativos na disseminação de sua influência.[8] O aluno de Coecke van Aelst, o arquiteto e engenheiro holandês Hans Vredeman de Vries, propagou o estilo e os ornamentos de Serlio ao norte dos Alpes. E uma versão holandesa dos Livros I-V - publicada em Amsterdã em 1606 e baseada em grande parte no trabalho de Coecke van Aelst em flamengo - serviu de base para a tradução para o inglês dos Livros I-V publicados por Robert Peake em Londres em 1611. Embora tenha sido de quarta mão, permaneceu a edição inglesa mais completa de Serlio por quase quatro séculos. Seu exemplo contrariou a influência das gravuras do maneirismo de Antuérpia, que foram a principal inspiração para a arquitetura jacobina. Mais tarde, o livro de Serlio estava nas bibliotecas de Sir Christopher Wren e John Wood, o Velho, o arquiteto e empresário que projetou Bath. Inigo Jones possuía edições italianas, que ele anotou.[9]

Os livros III e IV foram publicados em espanhol em 1552 em Toledo por Juan de Ayala com as mesmas ilustrações das edições italianas originais.[7]

Referências

  1. a b Columbia University Libraries. «Sebastiano Serlio - on domestic architecture». Columbia University 
  2. a b Carpo, Mario. «The Architectural Principles of Temperate Classicism: Merchant Dwellings in Sebastiano Serlio's Sixth Book». The University of Chicago Press Journals 
  3. a b Barbosa, Rinaldo Ferreira. «Renascimento Italiano e o Surgimento do Processo». Revista Tecnologia e Tendências 
  4. Dinsmoor, William Bell. «The Literary Remains of Sebastiano Serlio». JSTOR 
  5. Cartwright, Cartwright. «Sebastiano Serlio». World History Encyclopedia 
  6. Rosenfeld, Myra Nan. «Sebastiano Serlio's Late Style in the Avery Library Version of the Sixth Book on Domestic Architecture». JSTOR 
  7. a b Hart, Vaughan, Day, Alan (1995). ‘A Computer Model of the Theatre of Sebastiano Serlio, 1545’, Computers and the History of Art, Harwood Academic Publishers, vol.5 no.1, pp.41-52.
  8. Hart & Hicks 1996, p. xxxii-xxxiii, 470.
  9. Hart & Hicks 1996, p. xxxiv.

Bibliografia

  • Columbia University Libraries: ABOUT SEBASTIANO SERLIO -- ON DOMESTIC ARCHITECTURE
  • CARPO, Mario: The Architectural Principles of Temperate Classicism: Merchant Dwellings in Sebastiano Serlio's Sixth Book
  • BARBOSA, Rinaldo Ferreira: Renascimento Italiano e o Surgimento do Processo
  • DINSMOOR, William Bell: The Literary Remains of Sebastiano Serlio
  • CARTWRIGHT, Mark: Sebastiano Serlio
  • ROSENFELD, Myra Nan: Sebastiano Serlio's Late Style in the Avery Library Version of the Sixth Book on Domestic Architecture.

Ligações externas