Dunshee de Abranches (dirigente esportivo)

Dunshee de Abranches
Dunshee de Abranches em 1982
60º. presidente do Clube de Regatas do Flamengo
Período18 de dezembro de 1980
a 14 de agosto de 1983[1]
Antecessor(a)Marcio Braga
Sucessor(a)Eduardo Fernando de Mendonça Motta (mandato interino)
Dados pessoais
Nome completoAntônio Augusto Dunshee de Abranches
Nascimento25 de outubro de 1936
Rio de Janeiro, DF
Morte7 de setembro de 2025 (88 anos)
Rio de Janeiro, RJ

Antônio Augusto Dunshee de Abranches (Rio de Janeiro, 25 de outubro de 1936 – Rio de Janeiro, 7 de setembro de 2025) foi um jornalista, advogado e dirigente esportivo brasileiro que exerceu a função de presidente do Clube de Regatas do Flamengo.[2][3]

Primeiros anos

Nascido no Rio de Janeiro, Dunshee de Abranches era filho de Hilda Dunshee de Abranches e de Carlos Alberto Dunshee de Abranches[4], professor catedrático de Direito Internacional Público da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos da OEA.[5][6]

Era neto de Clóvis Dunshee de Abranches, considerado um dos maiores criminalistas brasileiros de sua época e famoso por atuar como advogado de defesa no caso Sílvia Serafim Thibau, no assassinato de João Suassuna[7][8] e na defesa do atleta vascaíno Mingote no caso que ocasionaria na Resposta Histórica.[9] Antônio Augusto era, ainda, sobrinho-neto do poeta e deputado João Dunshee de Abranches Moura, trineto do jornalista e político português João António Garcia de Abranches e sobrinho de Heloísa Dunshee de Abranches Sabin e Albert Sabin.[10][11]

Por indicação de sua tia, a Condessa Pereira Carneiro, trabalhou, ainda jovem, como pauteiro ao lado de Armando Nogueira no Jornal do Brasil.[12]

Carreira como dirigente esportivo

Jogadores do Flamengo comemorando a conquista da Copa Libertadores da América de 1981.

Em 1976, fez parte da Frente Ampla pelo Flamengo, ao lado de nomes como George Helal, Walter Clark, Kléber Leite e Marilene Dabus, entre outros executivos da Rede Globo, Som Livre, banqueiros e empresários, com o objetivo de fazer mudanças radicais na gestão do clube.[13][14] Apesar de serem vistos como pessoas que não sabiam o suficiente sobre gestão no futebol, a Frente Ampla pelo Flamengo conseguiu eleger o tabelião Marcio Braga para a presidência já na temporada seguinte.[15]

Após as conquistas do tricampeonato carioca em 1978, 1979-I e 1979-II e do Campeonato Brasileiro em 1980, a Frente Ampla pelo Flamengo elegeu Dunshee de Abranches como presidente na temporada de 1981. A gestão Dunshee de Abranches é considerada um dos períodos mais vitoriosos da história rubro-negra, quando o clube conquistou a Copa Intercontinental, a Copa Libertadores e o Campeonato Carioca em 1981, além do Campeonato Brasileiro em 1982.[2][3]

Apesar dos títulos expressivos, a gestão de Antônio Dunshee ficou marcada negativamente pela venda de Zico, principal jogador do time e um dos principais da Seleção Brasileira, para a Udinese Calcio, em 1983. Ao Flow Sport Club, Zico afirmou que não queria sair do Flamengo, mas que Dunshee de Abranches insistiu em sua saída para que pudesse arrecadar dinheiro com a venda.[16] O valor estipulado foi de 2 bilhões de cruzeiros, que seriam utilizados para comprar o terreno onde hoje funciona o Ninho do Urubu.[17]

Mesmo após a conquista do Campeonato Brasileiro de 1983, a desaprovação da venda de Zico por parte da torcida gerou inúmeras tensões na política interna do clube, com Marcio Braga afirmando que a venda de Zico havia ocorrido apenas para cobrir uma diferença de caixa.[18] A publicação pelo jornal O Globo de uma fotografia de Dunshee rindo enquanto segurava uma camisa 10 do Flamengo ofendeu Zico e deteriorou ainda mais a imagem do presidente com a torcida.[19]

No dia 14 de agosto de 1983, após uma derrota por 3 a 0 para o Botafogo, Dunshee de Abranches foi confrontado por Eugênio Onça, líder da Torcida Jovem, ainda no vestiário do Maracanã e precisou ser escoltado pela polícia para conseguir sair do estádio. No mesmo dia, anunciou que renunciaria à presidência do Flamengo.[20][21][22] O vice-presidente de futebol, Eduardo Fernando de Mendonça Motta, assumiu interinamente a presidência para os meses finais do mandato.[21]

Após a presidência do Flamengo

A Frente Ampla pelo Flamengo seria encerrada junto à renúncia de Dunshee.[18] Ainda assim, as eleições seguintes teriam como vencedores dois ex-componentes da coalisão, George Helal e Marcio Braga.[23]

Nos anos seguintes e até o final de sua vida, Dunshee de Abranches se dedicou ao direito, dirigindo um escritório de advocacia sediado no bairro do Castelo, no Rio de Janeiro, e um blog na internet.[4] Chegou a relançar a Frente Ampla pelo Flamengo com Márcio Braga no começo de 1998, mas abandonou o movimento poucas horas antes da solenidade, em abril daquele ano,[24] e nunca mais voltaria a assumir um cargo na política do Flamengo.[25]

Em 2016, o então presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, organizou uma festa em homenagem a Dunshee de Abranches, à ocasião de seu aniversário de 80 anos. O evento contou com a presença de vários jogadores que fizeram parte do time campeão em 1981, como Júnior, Tita, Andrade, Leandro e Nunes. Zico não estava presente.[26] Em 2025, Zico reconheceu a importância de Dunshee para o Flamengo, mas externou que teve problemas pessoais com ele.[22]

Seu filho, Rodrigo Villaça Dunshee de Abranches, atuou como vice-presidente do Flamengo durante a gestão de Rodolfo Landim e concorreu à presidência em 2024, quando perdeu para Luiz Eduardo Baptista.[27][28] Assim como Antonio Dunshee, Rodrigo recebeu o apoio de diversos jogadores da geração de 1981 em sua campanha, mas não o de Zico, que declarou apoio a Baptista.[29]

Morreu em 7 de setembro de 2025, aos 88 anos.[3][22]

Referências

  1. «Morre Dunshee de Abranches, presidente campeão mundial pelo Flamengo». Uol. 7 de setembro de 2025. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  2. a b «Morre, aos 88 anos, Dunshee de Abranches, ex-presidente do Flamengo». Terra. 7 de setembro de 2025. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  3. a b c «Morre Dunshee de Abranches, presidente do Flamengo nos títulos da Libertadores e do Mundial de 1981». O Globo. 7 de setembro de 2025. Consultado em 7 de setembro de 2025 
  4. a b «Antonio Augusto Dunshee de Abranches». Blogspot. Dunshee de Abranches Advogados. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  5. «Carlos Alberto Dunshee de Abranches, professor catedrático de Direito Internacional Público da UERJ». O Explorador. 21 de novembro de 2012. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  6. «Ex Comissários da CIDH». Organização dos Estados Americanos. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  7. «A Primeira Tragédia de Nelson Rodrigues – Linha Direta Justiça – Memória». Consultado em 9 de setembro de 2025 
  8. «O pai de Ariano Suassuna - Quem foi João Suassuna, como se deu a sua morte e como este fato influenciou a vida e obra do seu filho Ariano». Tok de História. 23 de março de 2022. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  9. Fred Gomes (12 de agosto de 2013). «Primeiro estadual completa 90 anos, e família de campeão abre o baú». GloboEsporte. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  10. «Heloisa Sabin Obituary - Washington, DC». Dignity Memorial (em inglês). Consultado em 11 de setembro de 2025 
  11. «Memórias do Box 32: Heloísa Sabin, viúva do cientista Albert Sabin». NSC Total. 11 de outubro de 2021. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  12. Joaquim Ferreira dos Santos. «Parque de diversões». Revista Piauí. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  13. Diogo Miloni. «Márcio Braga». Terceiro Tempo. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  14. Vinicius Paiva (3 de dezembro de 2012). «Um novo tempo para o Flamengo». Globo Esporte. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  15. André Rocha (11 de junho de 2017). «Há 40 anos, a paciência foi de ouro para o Flamengo. Vale o mesmo agora». Uol. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  16. Zico não queria sair do Flamengo. Flow Sport Club. 18 de julho de 2022. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  17. «1983, o ano que Dunshee vendeu Zico». Jornal dos Sports. 15 de outubro de 2024. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  18. a b Thiago Henrique de Morais (22 de setembro de 2023). «Ainda pode piorar». Jornal de Brasília. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  19. Paulo Vinícius Coelho (2 de junho de 2023). «Quarenta anos da venda de Zico! Quarenta anos sem o Brasil do futebol». Uol. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  20. Carlos Eduardo Mansur (2 de junho de 2023). «Zico na Udinese: os 40 anos da venda mais dolorosa da história do Flamengo». Globo Esporte. Consultado em 30 de setembro de 2025 
  21. a b «Zico cita "problemas pessoais", mas lamenta morte de presidente do Flamengo que o vendeu; veja a história». Globo Esporte. 8 de setembro de 2025. Consultado em 11 de setembro de 2025 
  22. a b c «Zico lamenta morte de presidente que o vendeu e cita "problemas pessoais"». Terra. 8 de setembro de 2025. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  23. «Uma breve história da política do Flamengo». 21 de maio de 2012. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  24. «Chapa de oposição no Fla nasce rachada». Uol Esporte. 7 de abril de 1998. Consultado em 10 de setembro de 2025 
  25. «Morre Dunshee de Abranches, ex-presidente do Flamengo». G1. 7 de setembro de 2025. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  26. Fred Gomes (26 de outubro de 2016). «Presidente do Mundial, Dunshee terá festa por seus 80 anos na Gávea». Globo Esporte. Consultado em 10 de setembro de 2025 
  27. Gabriella Lourenço (7 de setembro de 2025). «Morre Dunshee de Abranches, ex-presidente do Flamengo, responsável pela época mais vitoriosa da história do clube». Diário do Rio. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  28. Emanuelle Ribeiro (18 de dezembro de 2024). «Bap toma posse como presidente do Flamengo e nomeia 14 vice-presidentes; veja a lista». G1. Consultado em 9 de setembro de 2025 
  29. «Zico x craques dos anos 80: eleição opõe ídolos no Flamengo». Brasil Online. 6 de dezembro de 2024. Consultado em 10 de setembro de 2025 

Ligações externas