Antonieta Farani

Antonieta Farani
Nome completoMaria Concetta Farani
Pseudônimo(s)Irmã Antonieta de São Miguel Arcanjo
Nascimento
Morte
7 de maio de 1963 (56 anos)

Nacionalidadebrasileira
ProgenitoresMãe: Rafaela Milito
Pai: Giuseppe Farani
OcupaçãoReligiosa Passionária
PrêmiosVenerável

Irmã Antonieta Farani, ou Irmã Antonieta de São Miguel Arcanjo, nascida Maria Concetta Farani (Curitiba, 29 de julho de 1906São Paulo, 7 de maio de 1963[1][2]), foi uma religiosa católica passionista brasileira que após a morte recebeu o título de serva de Deus, no grau de venerável.

Biografia

Primeira filha de pais italianos prósperos comerciantes de tecido radicados em Curitiba, Paraná, Maria Concetta nasceu em 29 de julho de 1906, a primeira de 4 filhos. Seguiram-se a ela Rosa Beatriz e Giovanni. Quando sua mãe estava grávida do 4º filho, seu pai faleceu, vítima de pneumonia, em 16 de setembro de 1913.

Com a morte do pai, sua mãe, Rafaela, foi vítima de golpe por pessoas que a traíram,[nota 1] lhe solicitando assinatura em um documento, que considerava ter seu marido uma enorme dívida, o que fez a família perder toda a riqueza até então acumulada.[5][4]

Então com 7 anos, Maria Concetta perdeu o pai e com ele todos os bens, a própria casa, o irmão Giovanni (que faleceu pouco tempo depois), as amizades e até a possibilidade de continuar a frequentar a escola.[1]

Sabedora da traição de seu tio e da negativa de perdão por sua mãe, Maria recusou fazer a Primeira Comunhão enquanto guardasse rancor pelos seus padrinhos e tios. Só aos 15 anos sentiu-se capaz de receber a comunhão. Nesse dia, dirigiu-se à casa dos padrinhos e os perdoou.

“Mãe, hoje senti o céu. Nunca pude fazer alguém tão feliz”.

— contou a Raffaella ao voltar para casa.[3]

Com 14 anos, após muito estudo, conseguiu formar-se professora e iniciou a trabalhar, como arrimo de família, e foi a primeira professora de Várzea do Capivari[6] conseguindo recuperar parte do patrimônio que seu pai acumulara.[1] Com 20 anos, rejeitou uma proposta vantajosa de casamento, preferindo ingressar na Congregação das Irmãs Passionistas de São Paulo da Cruz, o que fez em 1927, mudando-se para São Paulo e assumindo o nome de Irmã Antonieta de São Miguel Arcanjo.[5][1]

Vida religiosa

Como irmã passionista, Irmã Antonieta Farani dedicou sua vida a cuidar dos necessitados, trabalhando com crianças, idosos e doentes em várias instituições, escolas e hospitais, trabalhando não só nos cuidados físicos, como nos espirituais.[4]

Seu legado era de fé e de perdão. Em uma das cartas escritas para sua mãe (que voltara para a Itália com os outros filhos[3]), disse:

“Minha felicidade não mudou!… Vou de um lugar para outro, de um ofício para outro e minha alma não se move do seu centro. Deus está em nós e nós Nele”.[4]

Em 1934, Irmã Antonieta foi nomeada superiora da Santa Casa de Bebedouro, tendo permanecido por apenas quatro meses, retornando a São Paulo por estar com a saúde debilitada.[2]

Após atuar em escolas e asilos em Curitiba, São Paulo, Pederneiras, e de ter viajado à Itália, ela voltou a Bebedouro, em 1958, e voltou a gerir a Santa Casa. Em 1962, voltou a São Paulo, e em 1963 foi nomeada Superiora provincial. Naquele mesmo ano começou a sentir os sintomas do tumor cerebral que a acometeu, e naquele mesmo ano, em 7 de maio, faleceu.

Foi a primeira brasileira a assumir o cargo de superiora provincial em sua congregação no Brasil.[6]

Beatificação

O corpo de Irmã Antonieta, após sua morte, foi levado para o jazigo da Congregação no cemitério São Paulo. Em 4 de fevereiro de 1980 sua urna foi transladada para a capela do Colégio Santa Luzia, com uma placa de bronze com os dados essenciais da sua vida e a frase extraída do seu diário:

Perdida no oceano imenso de suas graças[5]

Em 1982 abriu-se o processo de canonização. A análise da beatificação de Irmã Antonieta Farani foi concluída em 1992, com o Papa João Paulo II, que promulgou um decreto reconhecendo a heroicidade de suas virtudes.[6][1]

Notas

  1. Algum tempo depois Rafaela veio a saber que seu cunhado Nicola, irmão de Giuseppe e seu sócio nos negócios,[3] e sua esposa Angélica, ambos padrinhos de batismo de Maria, estavam envolvidos na traição, pois eles se apresentaram, confessaram seu envolvimento e pediram perdão, o que não obtiveram: "Não posso te perdoar. Que Deus te perdoe"[4]

Referências

  1. a b c d e «Quem foi Ir. Antonieta Farani». Consultado em 29 de abril de 2025 
  2. a b José Pedro Teniosso (11 de abril de 2025). «Irmã Antonieta Farani: a passagem por Bebedouro e o processo de beatificação». Gazeta de Bebedouro. Consultado em 29 de abril de 2025 
  3. a b c «Conheça a história da freira que pode ser a primeira santa de Curitiba». Centro Educativo Passionista Ir. Antonieta Farani. Consultado em 29 de abril de 2025 
  4. a b c d «Venerável Madre Antonieta Farani: A apóstola do perdão». Aliança de Misericórdia. 26 de novembro de 2024. Consultado em 29 de abril de 2025 
  5. a b c «Venerável Madre Antonieta Farani». Santos do Brasil. Consultado em 29 de abril de 2025 
  6. a b c «Conheça a história da freira que pode ser a primeira santa de Curitiba». Consultado em 29 de abril de 2025