Antoine Gizenga
Antoine Gizenga | |
|---|---|
![]() Antoine Gizenga em 2009. | |
| 20º Primeiro-ministro da República Democrática do Congo | |
| Período | 30 de dezembro de 2006 até 10 de outubro de 2008 |
| Presidente | Joseph Kabila |
| Antecessor(a) | Likulia Bolongo |
| Sucessor(a) | Adolphe Muzito |
| Vice-primeiro-ministro do Congo-Léopoldville | |
| Período | 24 de junho de 1960 até 14 de setembro de 1960 |
| Antecessor(a) | Escritório estabelecido |
| Sucessor(a) | Jean Bolikango |
| Primeiro-ministro do Congo-Stanleyville | |
| Período | 12 de dezembro de 1960 até 5 de agosto de 1961 |
| Antecessor(a) | Escritório estabelecido |
| Sucessor(a) | Escritório abolido |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 5 de outubro de 1925 Mbanze, Congo Belga |
| Morte | 24 de fevereiro de 2019 (93 anos) Quinxassa |
| Nacionalidade | congolês |
| Filhos(as) | Lugi Gizenga Lumumba Gizenga Dorothée Gizenga |
| Partido | PALU, PSA |
| Profissão | politólogo, político, professor e estadista |
Antoine Gizenga (Mbanze, 5 de outubro de 1925 — Quinxassa, 24 de fevereiro de 2019) foi um politólogo, político, professor e estadista quinxassa-congolês.[1]
Biografia
Antoine Gizenga nasceu em 5 de outubro de 1925 na pequena vila de Mbanze, na atual província de Cuílo, no que era então o Congo Belga.[1] Ele frequentou uma escola primária missionária católica e recebeu sua educação secundária e superior, respectivamente, nos seminários de Kinzambi e Mayidi. Ele se tornou padre católico ordenado em 1947 e liderou uma paróquia em sua terra natal, Cuílo.
Deixou seu cargo sacerdotal por motivos pessoais e assumiu vários empregos administrativos e contábeis. Depois de servir brevemente como funcionário público no governo colonial, Gizenga tornou-se professor em uma escola secundária católica. Logo depois, ele se casou com Anne Mbuba, com quem mais tarde teve quatro filhos.
Carreira política
Inspirado pelas ideias nacionalistas e pan-africanistas do histórico líder quinxassa-congolês Patrice Lumumba, o fundador do Movimento Nacional Congolês (MNC-L), Gizenga ajudou a organizar e tornou-se o líder do Partido da Solidariedade Africana (PSA) — abertamente de esquerda, porém com uma ideologia inicialmente federalista contrária ao unitarismo do MNC-L.[1] Liderou o partido na independência e nas primeiras eleições nacionais quinxassa-congolesas em 1960.[1]
Em 1960, Gizenga tornou-se vice-primeiro-ministro do Congo-Léopoldville, sob o governo do primeiro-ministro Patrice Lumumba.[2] Logo depois do assassinato deste, em 1961,[3] tornou-se primeiro-ministro de um contra-governo no Congo-Stanleyville, entre 1961 e 1962, que tinha como maior aliado o lumumbista Christophe Gbenye do MNC-L.[2] O seu governo, com sede em Stanleyville (actual Quissangane) foi reconhecido por 21 países de África, Ásia e Leste Europeu em fevereiro de 1961.[2][4]
Esteve no cárcere entre janeiro de 1962 e julho de 1964[2] e outra vez entre outubro de 1964 e novembro de 1965.[1] Viveu no exílio na União Soviética entre 1965 e 1992, onde licenciou-se e doutorou-se em ciências políticas.[1]
Gizenga retornou ao país em 1992. Em 1993, ele consolidou as organizações lumumbistas no Partido Lumumbista Unificado (PALU).[1] O partido inicialmente tinha poucos membros, mas Gizenga angariou respeito por sua história de oposição a Mobutu.[1] Ele apoiou a tomada do poder por Laurent-Désiré Kabila em 1997, o que resultou na mudança do nome do país de volta para República Democrática do Congo. Posteriormente se opôs à liderança de Kabila.
Em 2006 apresentou-se às primeiras eleições presidenciais democráticas do país à frente do partido PALU.[1] Nessas eleições obteve 13,06% dos votos e a terceira posição depois de Joseph Kabila e de Jean-Pierre Bemba.[1] Na segunda volta, Gizenga apoiou Kabila, e este ao vencer nomeou-o primeiro-ministro, a 30 de dezembro de 2006.[1]
O seu primeiro governo era formado por seis ministros de estado, 54 ministros e vice-ministros, entre os quais Nzanga Mobutu, filho de Mobutu Sese Seko na pasta da agricultura e numa teórica vice-presidência. Também esteve entre eles o antigo líder rebelde Mbusa Nyamwisi, como ministro dos negócios estrangeiros.[1]
Em 25 de setembro de 2008, Gizenga apresentou sua renúncia ao cargo de primeiro-ministro a Kabila devido à sua idade avançada.[1] Kabila aceitou a renúncia de Gizenga em 28 de setembro, com este entregando suas funções em 10 de outubro.[1] Foi substituído pelo Ministro do Orçamento, Adolphe Muzito.[1]
Aposentadoria e morte
Em 1 de fevereiro de 2009, foi anunciado que Kabila havia designado Gizenga como Herói Nacional, a maior honraria da República Democrática do Congo. Sua admissão à Ordem dos Heróis Nacionais Kabila-Lumumba o tornou o único natural quinxassa-congolês vivo, naquele momento, a receber tal honraria.[5]
Gizenga morreu no Centro Médico de Quinxassa, em 24 de fevereiro de 2019, aos 93 anos.[1]
| Precedido por Escritório estabelecido |
Vice-primeiro-ministro do Congo-Léopoldville 24 de junho de 1960 até 14 de setembro de 1960 |
Sucedido por Jean Bolikango |
| Precedido por Escritório estabelecido |
Primeiro-ministro do Congo-Stanleyville 12 de dezembro de 1960 até 5 de agosto de 1961 |
Sucedido por Escritório abolido |
| Precedido por Likulia Bolongo |
20º Primeiro-ministro da República Democrática do Congo 30 de dezembro de 2006 até 10 de outubro de 2008 |
Sucedido por Adolphe Muzito |
Referências
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p «Antoine Gizenga, African statesman and national hero, 93». The Courier. 26 de fevereiro de 2019
- ↑ a b c d «Man in the News; Leading Congo Leftist Antoine Gizenga». The New York Times. 18 de julho de 1964
- ↑ «How the West Destroyed Congo's Hopes for Independence». Jacobin. 12 de fevereiro de 2025
- ↑ «The Congo and the african situation». Office of the Historian, Foreign Service Institute - United States Department of State. 1962
- ↑ «Ordonnance ° 09/001 du 24 janvier 2009 portant admission dans l'Ordre National Héros Nationaux» (PDF). Journal Officiel de la République Démocratique du Congo. Première partie (em francês). 50 (3). 1 de fevereiro de 2009
