Antônio Carlos de Assunção

Antônio Carlos de Assunção
Antônio Carlos de Assunção
Prefeito de São Paulo
Período22 de agosto de 1933
a 7 de setembro de 1934
Dados pessoais
Nascimento30 de janeiro de 1872
Tietê, São Paulo, Brasil
Morte15 de maio de 1952 (80 anos)
São Paulo, São Paulo, Brasil
Alma materFaculdade de Direito da Universidade de São Paulo
ProfissãoEmpresário, advogado, político

Antônio Carlos de Assunção[nota 1] (Tietê, 30 de janeiro de 1872São Paulo, 15 de maio de 1952) foi um empresário, advogado e político brasileiro. Atuou no comércio dos municípios de São Paulo e Santos, sendo presidente das associações comerciais de ambas as cidades.[1] Fez parte do governo do interventor federal Armando de Sales Oliveira, atuando como prefeito de São Paulo de 22 de agosto de 1933[2] a 6 de setembro de 1934.

Formação e carreira empresarial

Nascido em Tietê, mudou-se para a capital paulista para ingressar na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, onde se tornou bacharel em ciências jurídicas em 1891 e em ciências sociais em 1896. Montou em 1898 consultório de advocacia com seu irmão.[3] Exerceu por dez anos a profissão, quando se dedicou ao comércio e indústria, mudando-se para Santos. Lá fez parte de uma firma comissionária de café de nome Toledo Assumpção, que intermediava a venda do café entre as fazendas e as casas de exportação. Em 1910 formou a Whitaker, Brotero e Cia. Exportadora de Café, empresa que chegou a movimentar 100 mil sacas de café. Tornou-se presidente da Associação Comercial de Santos de junho a dezembro de 1912,[4] período marcado por várias greves.[1]

Retornando à capital, foi eleito em 1918 presidente da recém-formada Bolsa de Mercadorias de São Paulo (entidade depois unificada com outras no que se transformaria na bolsa de valores B3). Fundou e presidiu ainda a Companhia de Armazéns Gerais de São Paulo (entidade que se formaria depois a CEAGESP), a Caixa de Liquidação de São Paulo e a Companhia Paulista de Comércio e Exportação Ltda.[1] Em 1926, já importante figura do empresariado paulista, foi incorporado ao quadro diretivo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), assumindo o cargo de presidente. Deixando o cargo brevemente, foi reeleito em 1928 por ser um candidato conciliatório entre indústria e comércio, que haviam se dividido em chapas opostas.[5] Defendeu a união entre os dois grupos em seu discurso inaugural, afirmando: Comércio e indústria podem e devem, muitas vezes, dar as mãos, unindo e complementando seus esforços. A discórdia, no entanto, culminou na cisão da ACSP, levando à formação do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP) no final de seu segundo mandato.[6]

Enquanto presidente da ACSP, Assunção enfrentou crises no comércio, tendo estimulado debates sobre a reformulação aduaneira, a modificação da legislação associada às falências, que eram dominadas por fraudes, e medidas para reduzir o congestionamento do Porto de Santos, importante via de exportação do estado, em especial do café, fato que reduzia a quantidade de exportações. A indústria cafeeira ainda estava sendo afetada por uma política federal deflacionária, que retirou capital das empresas, e por novas tarifas ferroviárias, que encareciam o preço do produto final. Assunção criou a Liga de Defesa do Comércio e da Indústria, buscando combater as fraudes nas falências. A ACSP também questionou a desigualdade nas tarifas entre São Paulo e Rio de Janeiro; os paulistas, principalmente exportadores, pagavam mais impostos. No âmbito do comércio, a ACSP sob sua gestão defendeu que o calçamento da Rua Direita, importante centro comercial, fosse refeito.[1]

Foi presidente do Banco do Estado de São Paulo[7] após sua passagem pela prefeitura da capital, tendo posteriormente pedido demissão por motivo de saúde em outubro de 1936.[8]

Prefeitura de São Paulo

Inauguração do Monumento a Ramos de Azevedo na Avenida Tiradentes, 1934.

Foi nomeado prefeito de São Paulo por Armando de Sales Oliveira, sucedendo no cargo o capitão Carlos dos Santos Gomes, prefeito interino. Sales Oliveira o escolheu principalmente por sua atuação conciliatória, equilibrando interesses da elite agrária da República Velha e da nascente classe industrial.[5] Em entrevista logo após a posse, reforçou a necessidade de conter gastos em obras públicas, continuando as já em andamento apenas "dentro das possibilidades do erário municipal".[9]

Em 25 de janeiro de 1934, como parte das celebrações do aniversário da cidade, Assunção inaugurou o Monumento a Ramos de Azevedo, escultura de Galileo Emendabili inicialmente situada à Avenida Tiradentes e posteriormente transferida para a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira. Assunção em seu discurso elogiou o monumento e o engeheiro-arquiteto por ele homenageado.[10]

Em meio à verticalização imposta pelos surgimento dos arranha-céus na cidade, restringiu em ato de março de 1934 o limite máximo de altura a 80 metros, com exceção feita às ruas nobres do "centro novo" (Rua Barão de Itapetininga, Rua Coronel Xavier de Toledo, Rua Sete de Abril, Rua Vinte e Quatro de Maio, Rua Conselheiro Crispiniano e Praça da República), limitados a "dez pavimentos" ou 50 metros de altura máxima. Assunção aprovou ainda em sua gestão os planos do Viaduto Martinho Prado, que futuramente se situaria acima da Avenida Nove de Julho e que, com isso, permitiu a continuidade das obras da avenida.[5]

Assunção visitou em maio de 1934 a pedreira de Rio Grande da Serra com o objetivo de negociar o fornecimento de material para os serviços de pavimentação das ruas de São Paulo, parados até então.[11]

Autorizou a criação da Revista do Arquivo Municipal em 1934, destinada à divulgação de documentos históricos inéditos de São Paulo e pesquisas deles derivadas, tornando-se repertório de estudos significativo sobre o assunto.[12]

A ideia do marco zero da cidade de São Paulo, monumento localizado na Praça da Sé que tem como função marcar o ponto de início das ruas da cidade assim como a numeração em quilômetros das rodovias estaduais, surgiu por iniciativa do jornalista Américo R. Neto em 1921. No entanto, o projeto ficou no papel por anos, sendo sua construção iniciada apenas no mandato de Assunção e sua inauguração em 19 de setembro de 1934, pouco após deixar o cargo de prefeito.[13][14]

Após ser escolhido para a presidência do Banco do Estado de São Paulo, Assunção deixou a prefeitura em 6 de setembro de 1934, assumindo o cargo de prefeito em seu lugar Fábio da Silva Prado, também empresário.[5]

Vida pessoal e legado

Faleceu aos 80 anos de idade em São Paulo no dia 15 de maio de 1952, sendo enterrado no dia seguinte no Cemitério do Santíssimo Sacramento.[15] Era filho de Domingos Teixeira de Assunção e Maria Luisa de Morais.[4] Casou-se em 29 de julho de 1898 com Julieta de Sousa Queirós, neta do Barão de Sousa Queirós, tendo seis filhos.[16][17]

Em 1968, foi homenageado com o nome da Rua Doutor Antônio Carlos de Assunção, no Jardim América.[3] Deu nome ao Centro Cultural e Desportivo "Antonio Carlos de Assumpção" em 1976, que se tornaria o Sesc Ribeirão Preto.[18]

Notas e referências

Notas

  1. Na grafia original, anterior ao Formulário Ortográfico de 1943 e mantida ao longo de sua vida, Antonio Carlos de Assumpção.

Referências

  1. a b c d Paulo de Assunção (2019). «Antonio Carlos de Assumpção». Associação Comercial São Paulo. Consultado em 15 Jun 2025 
  2. «Diário Oficial do Estado de São Paulo - Pg. 3». 22 de agosto de 1933. Consultado em 5 de maio de 2014 
  3. a b «Rua Doutor Antônio Carlos de Assunção». DIC.ruas (Dicionário de Ruas de São Paulo). Consultado em 15 de junho de 2025 
  4. a b Willians, Sergio. «Você sabia? Presidente da Associação Comercial de Santos em 1912 se tornou prefeito de São Paulo nos anos 1930!». ACS História. Consultado em 15 de junho de 2025 
  5. a b c d Neto, Campos; Malta, Candido; Gunn, Philip Oliver Mary (1999). «Os rumos da cidade: urbanismo e modernização em São Paulo» (PDF). ReP USP. doi:10.11606/T.16.1999.tde-24042025-115108. Consultado em 15 de junho de 2025 
  6. Lamarão, Sergio; Faria, André. «ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO (ACSP)». Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC). Consultado em 15 de junho de 2025 
  7. «Banco do Estado de São Paulo tem o prazer de communicar...». Folha da Manhã. 4 de julho de 1935. Consultado em 15 de junho de 2025 
  8. «O presidente do Banco do Estado solicitou demissão». Folha da Manhã. 16 de outubro de 1936. Consultado em 15 de junho de 2025 
  9. «Um programa de governo compatível com a situação financeira do município da capital». Folha da Manhã: 1. 24 de agosto de 1933. Consultado em 15 de junho de 2025 
  10. «Ramos de Azevedo passou para o bronze num monumento a São Paulo e que sintetiza o gênio do paulista». Folha da Manhã: 4. 26 de janeiro de 1934. Consultado em 15 de junho de 2025 
  11. «Deverão reiniciar-se, dentro em breve, os serviços de pavimentação da cidade». Folha da Manhã: 1. 5 de maio de 1934. Consultado em 15 de junho de 2025 
  12. Claro, Silene Ferreira. Revista do Arquivo Municipal de São Paulo: um espaço científico e cultural esquecido (proposta inicial e as mudanças na trajetória - 1934-1950) (PDF) (Tese). Universidade de São Paulo, Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA). doi:10.11606/t.8.2008.tde-09022009-164245Acessível livremente. Consultado em 15 de junho de 2025 
  13. «História Marco Zero». Prefeitura de São Paulo. Consultado em 15 de setembro de 2016 
  14. Oliveira, Abrahão (14 de agosto de 2019). «O Marco Zero e a iniciativa do Touring Clube do Brasil». SP In Foco. Consultado em 15 de junho de 2025 
  15. «Falecimentos: Dr. Antonio Carlos de Assumpção». O Estado de S. Paulo: 7. 16 de maio de 1952. Consultado em 15 de junho de 2025 
  16. Instituto Ana Rosa. «História da Família Souza Queiroz» (PDF). Consultado em 15 de junho de 2025 
  17. Silva Leme, Luiz Gonzaga da (1903). Genealogia paulistana. 4. São Paulo: Duprat & Comp. p. 158 
  18. «Unidades do Sesc São Paulo: de 1967 até hoje». Sesc São Paulo. 18 de setembro de 2021. Consultado em 15 de junho de 2025 

Precedido por
Carlos dos Santos Gomes
Prefeito de São Paulo
19331934
Sucedido por
Fábio da Silva Prado