António de Noronha, capitão de Malaca
| António de Noronha, capitão de Malaca | |
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| Nascimento | 1517 Lisboa |
| Morte | 1556 (38–39 anos) Estado Português da Índia |
| Cidadania | Reino de Portugal |
| Progenitores | |
| Ocupação | fidalgo, administrador colonial |
| Lealdade | Império Português |
| Título | Dom |
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D. António de Noronha (Lisboa, c. 1517 - Estado da Índia, c. 1556), filho do terceiro vice-rei da Índia D. Garcia de Noronha, foi um militar português do século XVI, que exerceu o cargo de governador e capitão de Malaca de 1554 a 1556.[1]
Biografia
Nasceu em Lisboa cerca do ano de 1517, filho do casamento de D. Garcia de Noronha com D. Inês de Castro, que era irmã do 4.º vice-rei da Índia, D. João de Castro.[2]
Fez a sua carreira militar no Oriente, para onde partiu muito jovem, e se distinguiu como capitão-mor de naus, explorador e comandante militar em várias regiões do império português na Ásia. Destacou-se sobretudo pelos serviços que prestou sob os sucessivos governos do seu tio materno, D. João de Castro, do seu sogro Garcia de Sá, de Jorge Cabral e do seu parente D. Afonso de Noronha.
O cronista Diogo do Couto descreve-o como "o maior, e mais formoso homem, que na Índia havia",[1] e relata com minúcia várias missões militares e navais que desempenhou no Estado da Índia, assim como o seu casamento com a filha do governador Garcia de Sá, que se celebrou em Goa no ano de 1549.
Diogo de Couto refere como Garcia de Sá, "porque se via velho e com duas filhas", resolveu casá-las, sendo que uma delas, Joana de Albuquerque, contraiu casamento com D. António:
... a quem deu o bom velho em casamento tudo o que tinha, e ambos [os noivos] foram juntos à porta da Igreja a pé. O Bispo os recebeu, e a Cidade lhes fez muitas festas. D. António de Noronha ia muito galante, e custosamente vestido.[1]
Em 1554, o vice-rei D. Afonso de Noronha, descontente com a desobediência do então capitão de Malaca, D. Álvaro de Ataíde da Gama, nomeou D. António para o substituir no cargo.
Ataíde da Gama foi sujeito a processo judicial, sendo de seguida deposto do cargo e colocado sob prisão, com os seus bens confiscados.
A ordem de prisão foi estendida a todos os principais colaboradores de D. Álvaro de Ataíde da Gama, que ficaram por isso revoltados, e fugiram para fora da cidade, oferecendo os seus serviços aos potentados locais, o que deixou Malaca desguarnecida e sujeita a ser tomada pela força.[3]
Fernão Mendes Pinto, na sua obra Peregrinação conta como, na sequência, a situação em Malaca rapidamente degenerou para uma quase anarquia. E só se acalmou devido à prudente tomada de posição do novo governador, António de Noronha, que soube impor um recuo nas decisões anteriormente tomadas, dando um perdão geral a todos os colaboradores de Ataíde da Gama, que assim regressaram à fortaleza.[3]
D. António exerceu o cargo de capitão de Malaca até o início do ano de 1556,[3] tendo provavelmente falecido pouco depois, como se pode depreender deste excerto das Décadas, de Diogo do Couto:
D. António de Noronha viveu também pouco, ele e sua mulher; e ficou-lhe um filho chamado D. Garcia de Noronha, como o avô, que foi levado a Portugal menino, onde se criou; e depois de ter idade pera servir El Rey, tornou à Índia com um Alvará de lembrança para lhe darem [a capitania de] Ormuz. Viveu também este fidalgo pouco, ficou-lhe uma filha, chamada D. Joanna, como sua avó, que sua mãe levou pera o Reino, e se foi apresentar em Aveiro.[1]
O retrato de D. António de Noronha encontra-se nas famosas tapeçarias de D. João de Castro, como um dos personagens presentes na cena que representa a entrada triunfal do seu tio e vice-rei em Goa, a 22 de abril de 1547.[2][4][5]
Casamento e descendência
Do seu casamento em Goa, no ano de 1549, com D. Joana de Albuquerque, filha do governador Garcia de Sá, teve geração, nomeadamente:
- D. Garcia de Noronha (Goa, dezembro de 1549 - c. 1583), que foi capitão de Ormuz, tendo casado cerca do ano de 1570, na Índia, com Filipa de Aragão, com a seguinte geração:
- D. Joana de Noronha (Estado da Índia, c. 1573 - Aveiro, antes de 1624), filha herdeira e sucessora na casa paterna. Casou a 21 de Março de 1599, em Aveiro, com Sebastião de Sousa de Meneses (c. 1560 - c. 1640), senhor de Francemil; com descendência, designadamente nos morgados e depois condes de Bertiandos e nos Lemos, senhores da Trofa e de Bordonhos.[6][7][8]
Referências
- ↑ a b c d Couto, Diogo do; Impressao Regia (Lisboa) (1781). Da Asia de Diogo de Couto : dos feitos que os portuguezes fizeram na conquista e descubrimento das terras e mares do Oriente : decada sexta, parte segunda. Biblioteca de la Universidad de Sevilla. Lisboa: na Regia Officina Typografica. pp. 109–110, 522–523. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ a b Manuel Abranches de Soveral. «D. António de Noronha». roglo.eu. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ a b c Fernão Mendes Pinto (2014). The Travels of Mendes Pinto. Edited and Translated by Rebecca D. Catz (em inglês). Chicago and London: The University of Chicago Press. pp. 567–568, 577, 670. ISBN 0-226-66951-3. Consultado em 1 de outubro de 2025.
Anarquia em Malaca - A 16 de abril do ano de 1554, o padre reitor, mestre Belchior, partiu para Malaca a bordo da nau que estava transportando Dom António de Noronha, filho de Dom Garcia de Noronha, anteriormente vice-rei da Índia, para tomar posse dessa Fortaleza, porque o vice-rei havia ordenado a prisão do seu capitão, Dom Álvaro de Ataíde, por desobediência às suas ordens e outras queixas que tinha contra ele, de que não me vou ocupar aqui, pois nada têm a ver com o meu propósito (p. 577)
- ↑ «Tapeçarias de D. João de Castro». DE OUTRA MANEIRA. 30 de novembro de 2014. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ «Tapeçarias de Dom João de Castro». Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ «Digitarq. Diligência de habilitação para a Ordem de Cristo de Damião de Sousa de Menezes». digitarq.arquivos.pt. Consultado em 13 de dezembro de 2025.
Âmbito e conteúdo: Fidalgo cavaleiro da Casa Real, capitão de infantaria, filho de D. Joana de Noronha, natural da Índia; neto materno de D. Garcia de Noronha e de sua mulher D. Filipa de Aragão. Consulta sobre as suas provanças. Data de produção: 1642-06-05
- ↑ Manuel Abranches de Soveral. «D. Joana de Noronha». roglo.eu. Consultado em 30 de setembro de 2025
- ↑ Manuel José da Costa Felgueiras Gaio. «Nobiliário de famílias de Portugal, [Braga], 1938-1941. Tomo XXI. Título "Noronhas" - Biblioteca Nacional Digital». purl.pt. Consultado em 30 de setembro de 2025
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