António Pires de Lima

 Nota: Se procura o jurista homónimo, veja António Pires de Lima (jurista).
António Pires de Lima
Ministro(a) de Economia de Portugal
PeríodoXIX Governo Constitucional de Portugal
Antecessor(a)Álvaro Santos Pereira
Sucessor(a)Miguel Morais Leitão
Dados pessoais
Nascimento7 de abril de 1962 (63 anos)
Lisboa, Portugal
PartidoCDS – Partido Popular (até 2021)
Independente (a partir de 2021)
ProfissãoEconomista, Gestor de empresas
WebsitePortal do Governo

António de Magalhães Pires de Lima GCIH (Lisboa, 7 de abril de 1962) é um gestor e administrador de empresas, político e ex-governante português.

Foi Ministro da Economia entre 2013 e 2015.

Biografia

António Pires de Lima nasceu no seio de uma família burguesa, conhecida como Pires de Lima.

Entre outros familiares, identificam-se Fernando Pires de Lima, seu tio avô, que foi professor catedrático de Direito Civil da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra (chegando igualmente a exercer o cargo de Ministro da Educação, no Estado Novo, com Oliveira Salazar como chefe do Governo).

O pai, o advogado António Pais Pires de Lima, foi bastonário da Ordem dos Advogados[1].

Percurso académico

António Pires de Lima completou a sua licenciatura em Economia, na Faculdade de Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa (1984)[2].

Antes, frequentara o ensino dos padres jesuítas do Colégio de São João de Brito[3][4].

Obteve posteriormente o MBA (Master of Business Administration) em Administração de Empresas do IESE, Universidade de Navarra (1986) e o AMP (Advanced Management Program) do INSEAD, em Fontainebleau (1998)[5].

Realizou ainda formações complementares internacionais em programas de gestão, nomeadamente os de Foundations of Private equity and Venture Capital da Harvard Business School, de Mergers & Acquisitions, do IMD, Lausanne, e de Negotiation, de novo no INSEAD[5].

Percurso empresarial

António Pires de Lima desenvolveu toda a sua carreira no setor empresarial privado, em diversos setores económicos, mas durante um período relevante ligado à indústria, e, em particular, à indústria agroalimentar.

No seu percurso, destacam-se as suas funções no Grupo Nutrinveste, detentora de empresas como a Sovena (produtora dos azeites Oliveira da Serra e dos óleos Fula), a Compal ou a Triunfo (produtora das bolachas homónimas), bem como na Unicer, conhecida como produtora da cerveja Super Bock[6].

Pires de Lima foi, assim, no princípio dos anos 2000, presidente da Comissão Executiva da Compal e da Nutricafés, bem como vice-presidente executivo da holding Nutrinveste, de Jorge de Mello[7].

Posteriormente, durante cerca de uma década (sete anos, entre junho de 2006 e julho de 2013), foi CEO da Unicer.[8]

Em 2016, depois da sua passagem pelo governo de Pedro Passos Coelho, em que assumiu a função de Ministro da Economia, fundou a consultora Best Anchor Capital & Services.

Já em 2020, Pires de Lima surgia como Presidente da Comissão Executiva da Brisa — assim, pela primeira vez ligado ao setor dos serviços e concessões —, função descrita no meio dos negócios em Portugal como um dos cargos mais cobiçados da altura[9].

O ingresso no órgão de administração da empresa ocorreu após à conclusão da operação de venda da participação de 81,1% do Grupo José de Mello na concessionária ao consórcio liderado pelo fundo holandês de pensões Algemene Pensioen Groep (APG)[10].

Paralelamente, o economista assumiu funções de gestão e consultoria em outras empresas, portuguesas e estrangeiras — de novo no setor alimentar, como Senior Adviser da Carlsberg (acionista da Unicer) e adviser da GL; na área dos produtos de cosmética e vestuário, como consultor e CTO (Chief Transformation Officer) da Parfois; como Operating Partner do fundo de private equity Advent.

Foi igualmente designado como membro, porém não executivo, do Conselho de Administração Fundação de Serralves e da Media Capital, a sociedade conhecida como dona da TVI e da Rádio Comercial[11].

Intervenção política

Pires de Lima foi militante do CDS-PP desde os anos 1980 até 2021, ano em que anunciou a sua desfiliação dessa estrutura, sendo líder Francisco Rodrigues dos Santos (conhecido como "Chicão").[12]

Apoiante de Paulo Portas, chegou à Comissão Política Nacional, que integrou como Vice-Presidente, sendo Portas o líder do partido, entre 2004 e 2005[13].

Refira-se que a ligação a Portas vinha da infância, desde que os dias haviam coincidido no Colégio de São João de Brito nos primeiros anos de escolaridade[4]. Com o futuro líder político havia igualmente integrado a Direção da Associação de Estudantes do mesmo colégio[14].

Posteriormente, seria Presidente do Conselho Nacional, de 2007 a janeiro de 2014.[15]

Pelo CDS-PP, foi deputado à Assembleia da República, nas VIII e X Legislaturas, pelo círculo de Santarém (1999-2002) e pelo círculo do Porto (2005-2007), tendo sido ,ao mesmo tempo, porta-voz do partido, de 2002 a setembro de 2004[2].

Em julho de 2013 ingressava na função de Ministro da Economia no XIX Governo Constitucional de Portugal, chefiado por Pedro Passos Coelho, resultante de coligação pós-eleitoral entre o PSD e o CDS-PP[2][13]. Exerceu o cargo até ao término desse governo, em novembro de 2015[12].

No Poder Local, entre 2005 e 2014, foi presidente da Assembleia Municipal de Cascais, eleito pela Coligação Viva Cascais (PPD/PSD - CDS-PP) nas eleições autárquicas de 2005, 2009 e 2013, sucessivamente. Renunciou ao mandato em setembro de 2014, alegando incompatibilidade com o exercício da função de Ministro da Economia[16].

Polémicas

A 6 de novembro de 2014, Pires de Lima protagonizou um episódio irónico no Parlamento ao contestar a taxa turística proposta pelo então presidente da Câmara Municipal de Lisboa e líder da oposição, António Costa, pela forma como disse "Só espero que, depois de termos resistido à criação de taxas, por exemplo na área das dormidas, a administração local, nomeadamente aqui na zona de Lisboa, liderada pelo autarca que também é candidato a primeiro-ministro, António Costa, quando apresentar o orçamento da Câmara de Lisboa para 2015, tenha o mesmo poder de resistir à tentação que demonstrou o Governo".[17]

Condecorações oficiais

A 7 de março de 2016 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.[18]

Prémios

Em 2009 foi-lhe atirbuído o Best Leader Awards na categoria de "Líder em Internacionalização".[7]

Em 2025 recebeu da Católica Lisbon School of Business and Economics o Prémio Carreira desse ano[5].

Família

António Pires de Lima é filho de António Pais Pires de Lima, advogado, que foi Bastonário da Ordem dos Advogados, sendo este filho de António Pedrosa Pires de Lima, igualmente jurista mas na Função Pública (que foi Presidente da Câmara Municipal de Setúbal, em cuja qualidade integrou a Câmara Corporativa, durante o Estado Novo)[19], sobrinho de Fernando Pires de Lima, Professor Catedrático da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, que também foi Ministro da Educação Nacional no Estado Novo, sendo igualmente neto materno de uma Espanhola, filha do 3.º Marquês de Gerona, e de sua mulher, Maria José Temudo Barata Pereira Dias de Magalhães, esta sobrinha-bisneta do 1.º Visconde de Rendufe.

Os de Lima são descendentes por linha feminina de D. Leonel de Lima, 1.° Visconde de Vila Nova de Cerveira, e de sua mulher D. Filipa da Cunha.

Referências

  1. DN, Redação (14 de junho de 2009). «Da lavoura aos centros do poder na advocacia e política». Diário de Notícias (em inglês). Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  2. a b c «Deputados e Grupos Parlamentares / Biografia». Assembleia da República. Consultado em 13 de abril de 2012 
  3. «Entrevista a António Pires de Lima». SIC Notícias. 19 de julho de 2012. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  4. a b «António Pires de Lima». anabelamotaribeiro.pt. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  5. a b c «CATÓLICA-LISBON Entrega Prémio Carreira 2025 a António Pires de Lima». CATÓLICA-LISBON. 25 de junho de 2025. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  6. Lusa (18 de março de 2016). «Pires de Lima e Pilar del Rio vão integrar administração da Media Capital». PÚBLICO. Consultado em 11 de janeiro de 2026 
  7. a b Best Leader Awards
  8. Conselho de Administração da Unicer[ligação inativa]
  9. «Pires de Lima é o novo presidente da Brisa. Negócio de venda fechado hoje». Expresso. 13 de outubro de 2020. Consultado em 3 de fevereiro de 2026 
  10. «Pires de Lima é o novo presidente da Brisa. Negócio de venda fechado hoje». Expresso. 13 de outubro de 2020. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  11. Lusa (18 de março de 2016). «Pires de Lima e Pilar del Rio vão integrar administração da Media Capital». PÚBLICO. Consultado em 11 de janeiro de 2026 
  12. a b CDS-PP: António Pires de Lima anuncia desfiliação, Jornal de Negócios 31.10.2021
  13. a b Centrista Pires de Lima diz que não lhe "passa pela cabeça" ser convidado para o Governo[ligação inativa], SIC Notícias
  14. «Entrevista a António Pires de Lima». SIC Notícias. 19 de julho de 2012. Consultado em 17 de janeiro de 2026 
  15. «Pires de Lima sai do Conselho Nacional e é substituído por Telmo Correia». Jornal Público. publico.pt. 12 de janeiro de 2014. Consultado em 13 de janeiro de 2014 
  16. António Pires de Lima renuncia ao cargo de presidente da Assembleia Municipal de Cascais, Lusa 29.07.2014
  17. Wilson Ledo (6 de novembro de 2014). «Pires de Lima recorre à ironia para desafiar António Costa». Jornal de Negócios. Consultado em 11 de janeiro de 2021 
  18. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "António de Magalhães Pais de Lima". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 16 de abril de 2016 
  19. DN, Redação (14 de junho de 2009). «Da lavoura aos centros do poder na advocacia e política». Diário de Notícias. Consultado em 3 de julho de 2025 

Ligações externas

Precedido por
Álvaro Santos Pereira
(como ministro da Economia e do Emprego)
Ministro da Economia
XIX Governo Constitucional
2013 – 2015
Sucedido por
Miguel Morais Leitão