Amoebozoa
Amoebozoa
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![]() Chaos carolinense | |||||||||
| Classificação científica | |||||||||
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| Subfilos e infrafilos | |||||||||
Amoebozoa é um filo de protozoários amebóides, incluindo a maioria que se move através de movimentos citoplasmáticos internos. Os seus pseudópodes têm a forma de dedo e são denominados lobopódios. A maioria são unicelulares, e são comuns no solo e em habitats aquáticos, com alguns encontrados como simbiontes de outros organismos, incluindo alguns organismos patogénicos.
Classificação
O clado Amoebozoa pode ser categorizado como supergrupo ou então filo dependendo da classificação proposta.[1] Cavalier-Smith propôs dois subfilos dentro do grupo: Conosea e Lobosea.[2] A monofilia do clado é baseada na análise genética da pequena subunidade ribossomal (SSU rRNA) e da análise combinada de sequências proteícas.
As amebas são difíceis de classificar, e as relações dentro do filo são confusas.
Parece que os amebozoários (baseando-nos no seu proteoma) são um grupo irmão dos animais e fungos, que divergiram deles depois de todos eles se separarem de outros grupos,[3] como se ilustra no esquema:
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As grandes semelhanças entre os Amoebozoa e os Opisthokonta (incluindo fungos e animais) levaram a propor que formam o clado Unikonta.
Amebozoários Lobosa
Tradicionalmente, todas as amebas com pseudópodes lobosos foram classificadas juntas no grupo Lobosea, situado com outros ameboides no filo Sarcodina ou Rhizopoda, mas estes são considerados atualmente como um grupo não natural. Os estudos estruturais e genéticos determinaram que os percolozoários e várias archamoebae são grupos independentes. Nas filogenias baseadas no ARNr estes grupos são separados de outras amebas, e parecem divergir perto da base da linha evolutiva dos eucariotas, tal como a maioria dos bolores limosos.
Contudo, as árvores evolutivas revistas por Cavalier-Smith e Chao em 1996[4] sugerem que os restantes lobosa formam um grupo monofilético, e que as archamoebae e Mycetozoa estão intimamente relacionadas com eles, mas que os percolozoários não. Posteriormente, modificaram o antigo filo Amoebozoa para introduzir este supergrupo.[5] Estudos baseados noutros genes forneceram fortes evidências da unidade deste grupo.[6] Patterson incluiu no grupo amebas filosas testadas como os ramicristados,[7] baseando-se nas semelhanças das suas mitocôndrias, mas estes últimos foram agora movidos para os Cercozoa.
O subfilo Lobosa é parafilético. Foram identificadas duas classes principais de Lobosa, a Tubulinea e a Flabellinea, mas há outras que são mais difíceis de situar.
Outros Amebozoários (Conosa)

As Archamoebae e Mycetozoa foram classificadas no subfilo Conosa. Esta classificação é apoiada por alguns dados de filogenias moleculares.
As Archamoebae caracterizam-se pela ausência de mitocôndrias nas suas células. Os géneros Entamoeba e Endolimax são parasitas ou comensais internos dos animais e podem originar disenteria no ser humano. Os outros géneros vivem em habitats de água doce e possuem flagelos. A maioria tem um só núcleo e um flagelo, mas a ameba gigante Pelomyxa tem muitos núcleos.
Os Micetozoos passam por três estádios durante o seu ciclo de vida. Começam a sua vida como células ameboides de um só núcleo. Em certas condições transformam-se em plasmodios, ou seja, grandes massas de protoplasma que contêm muitos núcleos e não estão divididas em células individuais. Nalguns grupos forma-se um pseudoplasmodio por agregação de amebas individuais. Esta fase é conhecida como bolor limoso ou mucilaginoso, que forma uma massa ou lâmina de bastante extensão, que se desloca deslizando pelo chão. Por fim, em condições desfavoráveis, o bolor transforma-se numa estrutura compacta chamada corpo frutífero que contém esporos.
Patogenicidade
Várias espécies de Amoebozoa causam infecções em humanos, entre elas:
- Entamoeba histolytica
- Entamoeba gingivalis
- Acanthamoeba spp.
- Balamuthia mandrillaris
- Sappinia diploidea
- Sappinia pedata
Registro de fósseis
Microfósseis (VSMs) em forma de vaso descobertos ao redor do mundo mostram que amoebozoas já existiam desde a Era Neoproterozoica. As espécies de fósseis Melanocyrillium hexodiadema, Palaeoarcella athanata e Hemisphaeriella ornata vêm de rochas com 750.000 mil anos de idade. Todos os três VSMs compartilham uma forma hemisférica, abertura invaginada e recortes regulares, que se assemelham fortemente com arcellinids modernos, que são Testate amoebae. P. athanata em particular, tem a mesma aparência do gênero Arcella existente.[8][9]
Ver também
Referências
- ↑ Jan Pawlowski (2008). «The twilight of Sarcodina: a molecular perspective on the polyphyletic origin of amoeboid protists» (PDF). Department of Zoology and Animal Biology, University of Geneva (em inglês). Protistology. Consultado em 10 de novembro de 2013
- ↑ Cavalier-Smith, T. (2009). «Megaphylogeny, cell body plans, adaptive zones: causes and timing of eukaryote basal radiations». Journal of Eukaryotic Microbiology. 56: 26-33. doi:10.1111/j.1550-7408.2008.00373.x
- ↑ Eichinger, L.; Pachebat, J.A.; Glöckner, G.; Rajandream, M.A.; Sucgang, R.; Berriman, M.; Song, J.; Olsen, R.; Szafranski, K.; Xu, Q.; Others (2005). «The genome of the social amoeba Dictyostelium discoideum». Nature. 435 (7038): 43–57. PMC 1352341
. PMID 15875012. doi:10.1038/nature03481
- ↑ Cavalier-Smith, T. & Chao, E.E. (1996). «Molecular phylogeny of the free-living archezoan Trepomonas agilis and the nature of the first eukaryote». Journal of Molecular Evolution. 43 (6): 551–562. PMID 8995052. doi:10.1007/BF02202103
- ↑ Cavalier-Smith, T. (1998). «A revised six-kingdom system of life». Biological Reviews of the Cambridge Philosophical Society. 73 (3): 203–266. PMID 9809012. doi:10.1111/j.1469-185X.1998.tb00030.x
- ↑ Baldauf, S.L. ; et al. (2000). «A kingdom-level phylogeny of eukaryotes based on combined protein data». Science. 290 (5493): 972–977. PMID 11062127. doi:10.1126/science.290.5493.972
- ↑ David J. Patterson (1999). «The Diversity of Eukaryotes» (PDF). American Naturalist. 154 (S4): S96–S124. PMID 10527921. doi:10.1086/303287. Consultado em 19 de junho de 2012. Cópia arquivada (PDF) em 13 de setembro de 2012
- ↑ Porter, Susannah H., Meisterfeld, Ralf, and Knoll, Andrew H. (2003). «Vase-shaped microfossils from the Neoproterozoic Chuar Group, Grand Canyon: a classification guided by modern testate amoebae». Journal of Paleontology (em inglês). 77 (3): 409–429
- ↑ Porter, Susannah M. (2006). «Neoproterozoic Geolobiology and Paleobiology». Dordrecht, Países Baixos: Springer. The Proterozoic Fossil Record of Heterotrophic Eukaryotes (em inglês). 27: 1–21. doi:10.1007/1-4020-5202-2. Consultado em 10 de novembro de 2013
