Amedeo Modigliani

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Amedeo Modigliani
Amedeo Modigliani na década de 1910
Nome completoAmedeo Clemente Modigliani
Nascimento
Morte
24 de janeiro de 1920 (35 anos)

ResidênciaParis, França
Nacionalidadeitaliana
CônjugeJeanne Hébuterne
Filho(a)(s)Jeanne Modigliani (1918-1984)
Alma materAcademia de Belas Artes de Florença
OcupaçãoArtista plástico e escultor
Movimento estéticoModernismo

Amedeo Clemente Modigliani (/a.meˈdɛ.o kle.ˈmɛn.te mo.diʎ.ˈʎa.ni/ [alpha 1]), nascido a 12 de julho de 1884 em Livorno (Itália) e falecido a 24 de janeiro de 1920 em Paris, foi um pintor e escultor italiano ligado à Escola de Paris.

De saúde frágil, Amedeo Modigliani cresceu numa família judaica burguesa, mas desprovida de meios, que, pelo lado materno, apoiou a sua precoce vocação artística. Os seus anos de formação levaram-no da Toscana a Veneza, passando pelo Mezzogiorno, antes de se fixar em 1906 em Paris, então a capital europeia das vanguardas artísticas. Entre Montmartre e o Montparnasse, privando com figuras como Maurice Utrillo, Max Jacob, Manuel Ortiz de Zárate, Jacques Lipchitz, Moïse Kisling ou Chaïm Soutine, «Modi» tornou-se uma das figuras centrais da boémia. Tendo-se dedicado por volta de 1909 à escultura — o seu ideal artístico —, abandonou-a cerca de 1914 devido, nomeadamente, aos seus problemas pulmonares: regressou exclusivamente à pintura, produziu muito, vendeu pouco e morreu aos 35 anos de uma tuberculose contraída na juventude.

Ele encarna, desde então, o arquétipo do artista torturado que se perdeu no álcool, nas drogas e em ligações tempestuosas para aplacar o seu infortúnio. Embora não sejam totalmente infundados, estes clichés — reforçados pelo suicídio da sua companheira Jeanne Hébuterne (1898-1920), grávida, no dia seguinte à morte do artista — substituíram durante muito tempo a realidade biográfica, difícil de estabelecer, bem como o estudo objetivo da obra. Jeanne Modigliani (1918-1984), filha do casal, foi nos anos 1950 uma das primeiras a demonstrar que a criação do seu pai não foi marcada pela sua vida trágica, tendo até evoluído no sentido inverso, para uma forma de serenidade.

Modigliani deixou cerca de vinte e cinco esculturas em pedra, essencialmente cabeças de mulher, executadas em talha direta, possivelmente influenciadas pelo contacto com Constantin Brâncuși e evocando as artes primevas que o Ocidente então descobria. Um aspeto estilizado e escultural encontra-se precisamente nas suas telas, infinitamente mais numerosas (cerca de 400), embora tenha destruído muitas e a sua autenticação seja, por vezes, delicada. Limitou-se essencialmente a dois géneros maiores da pintura figurativa: o nu feminino e, sobretudo, o retrato.

Marcado pelo Renascimento italiano e pelo classicismo, Modigliani não deixou de extrair das correntes derivadas do pós-impressionismo (fauvismo, cubismo, início da arte abstrata) os meios formais para conciliar tradição e modernidade, prosseguindo numa independência profunda a sua busca de harmonia intemporal. O seu trabalho contínuo de depuração das linhas, dos volumes e das cores tornou reconhecível entre todos o seu traço amplo e seguro, todo em curvas: os seus desenhos de cariátides, os seus nus sensuais de tons quentes, os seus retratos frontais de formas alongadas até à deformação e de olhar frequentemente ausente, como que voltado para o interior.

Centrada na representação da figura humana, a sua estética de um lirismo contido fez de Modigliani, a título póstumo, um dos pintores do século XX mais apreciados pelo público. Considerando que não tinha desempenhado um papel decisivo na história da arte, a crítica e o mundo académico tardaram mais a reconhecê-lo como um artista de primeira linha.

Biografia

Foto a preto e branco de lado de uma fachada de casa em pedra
Casa natal de Modigliani (fotografia de 1903)[1].

Amedeo Modigliani, que pouco se confidenciava, deixou cartas, mas nenhum diário[2]. O da sua mãe e a nota biográfica que ela redigiu em 1924[3] constituem fontes parciais. Quanto às memórias de amigos e conhecidos, estas podem ter sido alteradas pelo esquecimento, pela nostalgia da juventude[4] ou pela visão pessoal que tinham do artista: a monografia de André Salmon em 1926, em particular, está na origem de «toda a mitologia Modigliani»[5]. Pouco atraída pela obra do seu pai enquanto historiadora de arte, Jeanne Modigliani esforçou-se por traçar o seu percurso real, «sem a lenda e para além das deformações familiares»[6], devidas a uma espécie de devoção condescendente pelo falecido[[#ref_«O teu pobre pai», artista genial mas egoísta ou mesmo inadaptado: tal era a imagem que a sua avó e, sobretudo, a sua tia lhe transmitiam[7].|↑]] . A biografia da qual entregou uma primeira versão em 1958 contribuiu para reorientar as investigações sobre o homem, a sua vida e a sua criação[8][9].

Juventude e formação (1884-1905)

Amedeo Clemente nasce em 1884 no pequeno palacete da família Modigliani, via Roma 38, no coração da cidade portuária de Livorno[10]. Depois de Giuseppe Emanuele, Margherita e Umberto[[#ref_Giuseppe Emanuele (1872-1947) tornar-se-ia deputado socialista, Margherita (nascida em 1873) professora primária, e Umberto (nascido em 1875) engenheiro de minas[11].|↑]] , ele é o último filho de Flaminio Modigliani (1840-1928), homem de negócios a braços com reveses de fortuna, e de Eugénie, nascida Garsin (1855-1927), ambos oriundos da burguesia sefardita[11]. Amedeo é uma criança de saúde frágil, mas a sua inteligência sensível e a sua inapetência escolar convencem a mãe a acompanhá-lo, desde a adolescência, numa vocação artística[1] que rapidamente o fará deixar o horizonte estreito da sua cidade natal[12].

Duas famílias que tudo opõe

Foto sépia dos pais de Amedeo
Os pais de Amedeo em 1884, antes do seu nascimento[13].

A história familiar traçada por Eugénie[14] e o seu diário íntimo em francês[15] ajudam a retificar os rumores alimentados, ocasionalmente, pelo próprio Amedeo, segundo os quais o seu pai descenderia de uma linhagem de ricos banqueiros e a sua mãe do filósofo Baruch Espinosa[16].

Sem dúvida originários da aldeia de Modigliana, na Emília-Romanha[1], os antepassados paternos do pintor residiam, no início do século XIX, em Roma, onde prestavam serviços financeiros ao Vaticano: se nunca foram «os banqueiros do papa» — mito familiar revivificado em tempos de crise[17] —, adquiriram na Sardenha um domínio florestal, agrícola e mineiro que, em 1862, cobria 60 000 hectares no noroeste de Cagliari. Flaminio explorava-o com os seus dois irmãos e residia lá a maior parte do tempo[11], dirigindo ao mesmo tempo a sua sucursal de Livorno. Pois o seu pai, expulso pelo seu apoio ao Risorgimento ou furioso por ter tido de se desfazer de um pequeno bem fundiário por ser Judeu[18], deixou em 1849 os Estados Pontifícios por esta cidade: os descendentes dos Judeus expulsos de Espanha em 1492 gozam aí, desde 1593, de um estatuto excecional, as leis livornesas concedendo aos «mercadores de todas as nações» um livre direito de circulação, de negócio e de propriedade[19].

Fugindo igualmente das perseguições dos Reis Católicos, os antepassados de Eugénie Garsin estabeleceram-se em Tunes, onde um deles fundou uma escola talmúdica de renome. No final do século XVIII, um Garsin comerciante fixou-se em Livorno com a sua esposa Regina Espinosa — cuja ligação com o filósofo homónimo, morto sem filhos, não está de modo algum provada[14][20]. Um dos seus filhos, em falência, emigra antes de 1850 para Marselha, onde o seu filho, casado com uma prima toscana[21], cria os seus sete filhos numa tradição judeu-espanhola aberta ou mesmo livre-pensadora: instruída por uma governanta inglesa e depois na escola católica[22], Eugénie recebe uma sólida cultura clássica[23] e mergulha num meio racionalista entusiasta das artes, sem tabus nomeadamente quanto à representação da figura humana[24].

Ela não deixa, no entanto, de ser prometida pelo pai, sem o saber, a Flaminio Modigliani, que tinha trinta anos quando ela tinha quinze, mas era mais rico. Em 1872, a jovem noiva muda-se para Livorno para casa dos sogros, onde coabitam quatro gerações[25]. Dececionada por um estilo de vida luxuoso mas submetido a regras rígidas, sente-se mal nesta família conservadora muito patriarcal e de estrita observância religiosa: julgando os Modigliani pretensiosos e ignorantes, enaltecerá sempre o espírito dos Garsin[24]. Além disso, o seu marido está absorvido pelos seus negócios, que definham e já não bastam para as despesas de uma casa numerosa: em 1884 dá-se a bancarrota[25].

Na noite de 11 para 12 de julho, Flaminio faz amontoar na cama da sua mulher os objetos mais preciosos da casa: em virtude de uma lei que proíbe penhorar o que se encontra no leito de uma parturiente, pelo menos isso escapará aos oficiais de justiça que se apresentaram de manhã ao mesmo tempo que o bebé[11]. Este recebe o nome de Amedeo Clemente, em homenagem ao irmão mais novo e preferido de Eugénie e à sua irmã mais nova Clementina, falecida dois meses antes[26].

Modigliani nasceu em uma família judia,[27] em Livorno, Itália.

O seu trisavô materno, Solomon Garsin, emigrara de Túnis para Livorno no século XVIII. Os Garsin eram originários da Espanha, de onde haviam sido expulsos no final do século XV, transferindo-se para Túnis.[28][29] Depois eles se transferiram para Livorno, onde nasceu o bisavô materno de Amedeo Modigliani, Giuseppe Garsin — filho de Salomon Garsin e de Régine Spinoza.[30]

Já a família paterna, os Modigliani, era provavelmente oriunda de Modigliana, perto de Forlì, na região da Romagna. Antes de se estabelecerem em Livorno, teriam vivido em Roma, onde exploravam uma casa de penhores. Segundo Jeanne Modigliani, um certo Emanuele Modigliani teria sido encarregado pelo governo pontifical de fornecer o cobre necessário às emissões extraordinárias de moedas dos dois ateliês pontificais. Posteriormente, não obstante uma lei dos Estados Pontifícios que proibia a posse de terras por judeus, Emanuele teria adquirido um vinhedo nas encostas do Albani, sendo, logo em seguida, obrigado pelas autoridades a se desfazer da vinha. Inconformado, ele teria então deixado Roma com toda a sua família para se instalar em Livorno, em 1849. Naquele mesmo ano, Giuseppe Garsin, depois de sofrer sérios reveses nos negócios, decide deixar Livorno e partir com a mulher, Anna Moscato, e o filho, Isaac, para Marselha, onde foi bem-sucedido.[30]

Na noite de 24 de janeiro de 1920, aos 35 anos, Modigliani morre de tuberculose. Foi sepultado no famoso Cemitério do Père-Lachaise, em Paris.[31]

«Um artista, talvez?»

Foto a preto e branco de uma dezena de rapazes sentados em três fileiras
1895, Liceu Guerrazzi de Livorno: Amedeo está sentado na primeira fila, ao centro[N 1].

Muito próximo da sua mãe, «Dedo» teve uma infância protegida e, não obstante as dificuldades materiais, o seu desejo de se tornar artista não suscitou qualquer conflito familiar[K 1], ao contrário do que pensava André Salmon[M 1].

Eugénie Garsin instalou-se com os filhos numa casa na via delle Ville[N 1], por prudência registada em seu nome[P 1], afastando-se tanto da família do marido como do próprio cônjuge[N 2], que partira para tentar recuperar a sorte na Sardenha[M 2]. Pouco depois, acolheu o seu pai viúvo "um homem culto, mas amargurado até à paranoia pelos seus fracassos comerciais, embora adorasse o neto"[M 3] e duas das suas irmãs: Gabriella, que cuidava da lida doméstica[M 4], e Laura, de saúde mental frágil[M 1] · [[#ref_A primeira suicidou-se em 1915[M 4] e a segunda foi internada várias vezes devido a delírios de perseguição sexual[M 1].|↑]] . Para complementar os seus rendimentos, Eugénie deu lições de francês e, mais tarde, abriu com Laura uma pequena escola privada[P 1], onde Amedeo aprendeu muito cedo a ler e a escrever[N 1]. Apoiada pelos seus amigos intelectuais[M 5], esta mulher forte e estoica[M 6], que apreciava a escrita, dedicou-se ainda à tradução (poemas de Gabriele D'Annunzio) e à crítica literária[M 2] · [K 1].

A lenda diz que a vocação de Modigliani se declarou subitamente em fevereiro de agosto, durante uma grave febre tifoide com complicações pulmonares: o adolescente, que nunca teria tocado num lápis, teria então sonhado com arte e obras-primas desconhecidas[K 1], com o delírio febril a libertar as suas aspirações inconscientes. É mais provável que as tenha apenas reafirmado, pois já manifestara anteriormente o seu gosto pela pintura[N 3]. Em 1895, quando sofrera de uma pleurisia grave, Eugénie — que o considerava um pouco caprichoso "entre a reserva tímida e acessos de exaltação ou cólera[M 7]" — perguntara-se se um artista não sairia um dia daquela crisálida[M 8] · [N 1]. No ano seguinte, ele já pedia aulas de desenho[M 9] e, por volta dos treze anos, em férias com o pai, realizou alguns retratos[P 2].

Iniciado há muito no hebraico e no Talmude[N 1], Amedeo alegrou-se ao fazer o seu Bar-mitzvah[M 8], mas não se revelou um aluno brilhante nem estudioso[P 3]: não sem inquietação, a mãe permitiu que ele, aos catorze anos, abandonasse o liceu para ingressar na academia de Belas-Artes[N 4] "cortando por completo relações com os Modigliani, que reprovavam as atividades de Eugénie, bem como o apoio que ela dava ao filho mais velho, um militante socialista que se encontrava na prisão[M 2]".

De Livorno ao Mezzogiorno

Após dois anos de estudos em Livorno, Modigliani realiza, por motivos de saúde e cultura artística, uma viagem de um ano pelo sul da Itália[A 1].

Quadro mostrando navios à vela e um canto de cais
G. Micheli, No Porto de Livorno, óleo sobre tela, 1895[N 5].

Nas Belas-Artes de Livorno, Amedeo é o aluno mais jovem de Guglielmo Micheli[K 1], pintor de paisagens[M 10] formado por Giovanni Fattori na escola dos Macchiaioli[N 5]: influenciados por Corot ou Courbet, estes artistas romperam com o academicismo para se aproximarem do real, defendendo a pintura "en plein air", o uso da cor em detrimento do desenho[N 6], os contrastes e uma pincelada leve[K 2]. O adolescente convive, entre outros, com Renato Natali, Gino Romiti — que o desperta para a arte do nu — e Oscar Ghiglia, o seu melhor amigo apesar da diferença de idades. Descobre as grandes correntes artísticas, com predileção pela arte toscana e pela pintura italiana gótica ou renascentista[N 4], bem como pelo Pré-rafaelismo. Procura inspiração mais nos bairros populares do que no campo e aluga, com dois colegas, um ateliê onde é possível que tenha contraído o bacilo de Koch[P 4]. Estes dois anos com Micheli terão pouco peso no seu percurso futuro[32], mas Eugénie nota a qualidade dos seus desenhos[M 1], únicos vestígios desta época[N 2].

Painel esculpido em baixo e alto-relevo representando duas árvores e quatro homens, um deles ajoelhado
Camaino, Monumento funerário de Cassone della Torre (detalhe), 1318, Basílica de Santa Cruz (Florença).

Amedeo é um jovem cortês, tímido, mas já dado à sedução[M 11]. Habituado a discussões ardentes em casa da mãe[33], lê aleatoriamente os clássicos italianos e europeus. Tanto por Dante ou Baudelaire, entusiasma-se por Nietzsche e D'Annunzio[M 11], encontrando na mitologia do "Super-homem" um eco para os seus próprios fantasmas pessoais[R 1] Predefinição:Incise. Dessas leituras provém o repertório de versos e citações que lhe valerá em Paris a reputação, talvez um pouco exagerada[M 5], de grande erudição[A 2]. Este "intelectual "metafísico-espiritual" de tendências místicas[A 3]" permanecerá, por outro lado, toda a sua vida indiferente às questões sociais e políticas, ou mesmo ao mundo que o rodeia[A 4]".

Modigliani no ateliê de Gino Romiti.

Em abril de setembro, atingido por uma pleurisia tuberculosa[[#ref_A sua avó materna, a sua tia Clementina e, mais tarde, o seu tio Amedeo sucumbiram à tuberculose, e ele próprio tinha os pulmões fragilizados por doenças anteriores[M 12].|↑]] , é-lhe recomendado repouso ao ar livre na montanha[P 4]. Solicitando a ajuda financeira do seu irmão Amedeo Garsin, Eugénie prefere levar o aspirante a artista numa viagem de formação pelo Sul de Itália[N 7]. No início de 1901, descobre Nápoles, o seu museu arqueológico, as ruínas de Pompeia[P 5] e as esculturas arcaizantes do sienense Tino di Camaino[N 8]: a sua vocação de escultor parece ter-se revelado já nesse momento, e não mais tarde em Paris[M 13]. A primavera é passada em Capri e na Costa Amalfitana[P 5], enquanto o verão e o outono decorrem em Roma, que impressiona profundamente Amedeo e onde conhece o velho macchiaiolo Giovanni Costa[P 6]. Envia ao seu amigo Oscar Ghiglia longas cartas exaltadas[K 2], por vezes obscuras[A 5], nas quais, transbordando vitalidade e um "simbolismo ingénuo"[33], expressa a sua necessidade de inovar na arte[34] e a sua busca por um ideal estético através do qual cumprir o seu destino de artista[N 8].

Florença e Veneza

Em busca de uma atmosfera estimulante, Modigliani passa um ano em Florença e depois três em Veneza, um antegozo da boémia parisiense[N 9].

Em maio de 1902, impulsionado por Costa ou pelo próprio Micheli, Modigliani junta-se a Ghiglia[K 3] na Escola Livre de Nu dirigida por Fattori no seio da Academia de Belas Artes de Florença[M 14]. Quando não está no atelier — uma espécie de cafarnaum onde o professor incentiva os seus alunos a seguir livremente o que sentem perante o "grande livro da natureza"[P 7] —, visita as igrejas, o Palazzo Vecchio, as galerias do Museu dos Ofícios e dos Palácio Pitti ou Bargello[N 10]. Admira os mestres do Renascimento italiano, mas também das escolas flamenga, espanhola e francesa. Christian Parisot[a] situa ali, perante as estátuas de Donatello, Miguel Ângelo, Cellini ou Jean Bologne, um segundo choque que revela ao jovem Amedeo que dar vida à pedra será para ele mais imperioso do que pintar[P 8]. Entretanto, se não faltam cafés literários onde encontrar à noite artistas e intelectuais[K 3], a animação da capital toscana não o preenche[N 10].

Foto a cores de uma fachada de casa alaranjada à beira de um canal
Um dos ateliers[M 14] de Modigliani em Veneza dava para o rio de San Basegio.
Quadro com vegetação e cabeça de leão aureolada em primeiro plano, ao fundo água, um campanário e uma fachada trabalhada
Carpaccio, O Leão de São Marcos (detalhe), 1516, têmpera sobre tela, Veneza, Palácio dos Doges.

A sua inscrição na Escola de Nu da Academia de Belas Artes de Veneza, um cruzamento cultural[33] onde se instala em parte a expensas do seu tio, data de março de 1903. Pouco assíduo, prefere passear pela praça de São Marcos, pelos campi e pelos mercados de Rialto à Giudecca, "desenhar no café ou no lupanar[M 15]" e partilhar os prazeres ilícitos de uma comunidade de artistas cosmopolita e "decadente"[36]: álcool, haxixe, sexo[37], noitadas ocultistas em locais improváveis[P 9].

Foto a preto e branco de um jovem de busto com o queixo ligeiramente levantado para a direita, fato escuro e gravata larga às riscas
Em Livorno, por volta de 1901[N 11].

Também ali procura menos produzir do que enriquecer os seus conhecimentos nos museus e nas igrejas[K 3]. Sempre fascinado pelos toscanos do Trecento, descobre os venezianos dos séculos seguintes: Bellini, Giorgione, Ticiano, Carpaccio — que venera —, Le Tintoret, Veronese, Tiepolo[P 10]. Observa, analisa, enche os seus cadernos de esboços[N 9]. Executa alguns retratos, como o da trágica Eleonora Duse, amante de D'Annunzio[P 11], que traem a influência do simbolismo e da Art nouveau[N 9]. É difícil saber se as suas obras de juventude foram simplesmente perdidas ou se, como afirmava a sua tia Margherita, ele as destruiu[P 12], o que acreditou a imagem do eterno insatisfeito nascido para a arte apenas em Paris[M 16].

Modigliani é então um jovem de pequena estatura[A 1], mas de grande presença[N 2], de uma elegância sóbria[K 3] e de agradável companhia[P 9]. As suas cartas a Oscar Ghiglia revelam, todavia, as angústias do criador idealista. Convencido de que o artista moderno deve imergir nas cidades de arte em vez de na natureza, declara vã qualquer abordagem pelo estilo enquanto a obra não estiver mentalmente concluída[P 13] e, já obcecado pela linha[P 10], vê nela menos um contorno material do que um valor sintético que permite exprimir a essência[N 9], a realidade invisível[K 4]. "O teu dever real é salvar o teu sonho, ordena ele a Ghiglia, afirma-te e supera-te sempre, [… coloca] as tuas necessidades estéticas acima dos teus deveres para com os homens"[P 12]. Se Amedeo pensa já na escultura, falta-lhe espaço e dinheiro para se lançar nela[K 5]. Estas cartas traem, em todo o caso, uma conceção elitista da arte, a certeza do seu próprio valor e a ideia de que não se deve temer jogar a própria vida para a engrandecer[A 4].

Durante estes três anos cruciais em Veneza[32], entrecortados por estadias em Livorno, Modigliani ligou-se a Ardengo Soffici e Manuel Ortiz de Zárate, que será até ao fim um dos seus melhores amigos e lhe faz descobrir os poetas simbolistas[N 4] ou Lautréamont, mas também o impressionismo, Paul Cézanne[N 9] e Toulouse-Lautrec, cujas caricaturas para o semanário Le Rire são difundidas em Itália[P 14]. Ambos lhe elogiam Paris como um cadinho de liberdade[P 15] para artistas audazes[K 6].

Pintura

Retrato pintado em busto de uma mulher de três quartos de face num cromatismo sombrio
A Judia, 1908, óleo sobre tela, , col. priv.

Modigliani atravessa alguns anos de questionamentos: nem a sua experiência veneziana o tinha preparado para o choque do pós-impressionismo[M 17].

Retrato pintado a meio corpo de uma mulher de três quartos de face com um casaco cintado amarelo sobre um fundo sombrio
Mulher de Casaco Amarelo - A Amazona, 1909, óleo sobre tela, , col. priv.

Em Montmartre, pinta menos do que desenha[38] e tateia na imitação de Gauguin, Lautrec, Van Dongen, Picasso ou outros[M 17]. Marcado no Salon d'automne de 1906 pelas cores puras e pelas formas simplificadas de Gauguin[P 16], fica ainda mais impressionado no ano seguinte por uma retrospetiva sobre Cézanne[39], cujos princípios experimenta[36]: A Judia vai buscar elementos a Cézanne[M 18] como a Gauguin[K 7] ou ao traço "expressionista"[40] de Lautrec. A personalidade artística de Modigliani estava, contudo, suficientemente formada para que não aderisse a qualquer revolução ao chegar a Paris: critica ao cubismo[41] um formalismo desprovido de alma[A 6] e recusa assinar o manifesto do futurismo que Gino Severini lhe apresenta em 1910[42] · [N 12].

Independentemente destas influências[39], Modigliani deseja conciliar tradição e modernidade[34]. As suas ligações com os artistas da ainda nascente Escola de Paris — "cada um à procura do seu próprio estilo[43]" — encorajam-no a testar novos procedimentos, para romper com a herança italiana e clássica sem, no entanto, a renegar[N 13] e elaborar uma síntese singular[33]. Procura o despojamento, o seu traço clarifica-se e as suas cores reforçam-se[36]. Os seus retratos manifestam o seu interesse pela personalidade do modelo[K 7]: a baronesa Marguerite de Hasse de Villars recusa o retrato que ele fez dela como amazona, provavelmente porque, privada do seu casaco vermelho e da sua moldura luxuosa, exibe nele uma certa arrogância[K 8] · [N 14].

Embora raramente fale do seu trabalho[44] ou das suas conceções pictóricas[45], Modigliani por vezes expressa-se sobre a arte com um entusiasmo que desperta, por exemplo, a admiração[K 7] de Ludwig Meidner: "Nunca antes ouvi um pintor falar da beleza com tanto ardor[N 15]." Paul Alexandre incentiva o seu protegido a participar nas exposições coletivas da Société des artistes indépendants e a apresentar no Salão de 1908[P 17] um desenho e cinco telas[36]: o seu cromatismo e o seu traço conciso, pessoais mas sem inovação radical, recebem um acolhimento misto[N 16]. No ano seguinte, produz apenas entre seis a dezoito quadros, tendo a pintura passado para segundo plano[P 18]; mas os seis que propõe ao salão em 1910 são notados, especialmente O Violoncelista, do qual Guillaume Apollinaire, Louis Vauxcelles e André Salmon[P 19] apreciam o lado "cézanniano"[N 14] · [46].

Dois períodos em Livorno

Modigliani regressou ao seu país e à sua cidade natal em 1909 e 1913: subsistem incertezas sobre o que ali terá ocorrido.

Foto a preto e branco de um homem em mangas de camisa, com o pé esquerdo sobre uma mesa, lenço ao pescoço e cigarro na mão
Em Florença, em 1909.[N 14]

Em junho de 1909, a sua tia Laura Garsin, de visita a La Ruche, encontra-o tão debilitado quanto mal alojado:[P 20] ele passa, por isso, o verão em casa da mãe, que o mima e cuida de si, enquanto Laura — uma «alma em carne viva, como ele»[P 21] — o associa aos seus trabalhos filosóficos.[M 19] O mesmo não acontece com os antigos amigos. Amedeo considera-os estagnados numa arte de encomenda demasiado convencional; estes, por seu lado, não compreendem o que ele lhes diz sobre as vanguardas parisienses[P 22] nem as «deformações» da sua própria pintura:[M 20] maledicentes, talvez invejosos, tratam-no com frieza no recém-inaugurado Caffè Bardi, na Piazza Cavour.[N 17] Apenas lhe restam fiéis Ghiglia e Romiti, que lhe empresta o seu atelier.[P 22] Modigliani realiza vários estudos e retratos, incluindo O Mendigo de Livorno, inspirado simultaneamente em Cézanne e num pequeno quadro do século XVII napolitano, sendo exposto no Salão dos Independentes no ano seguinte.[M 21]

É provável que as primeiras experiências de Modigliani na escultura em pedra datem desta estadia, com o seu irmão mais velho a ajudá-lo a encontrar um local amplo perto de Carrara e a escolher um belo bloco de mármore em Seravezza ou Pietrasanta (seguindo os passos de Miguel Ângelo). Desejoso de transpor alguns esboços, o artista ter-se-á dedicado ao trabalho sob um calor e uma luz a que já não estava habituado, com a poeira levantada pelo processo de talhe direto a irritar precocemente os seus pulmões. Tal não o impede de regressar a Paris, em setembro, decidido a tornar-se escultor.[P 23]

Num dia do verão de 1912, Manuel Ortiz de Zárate descobre Modigliani desmaiado no seu quarto: há meses que trabalhava obsessivamente, mantendo em paralelo uma vida desregrada. Os seus amigos organizam uma coleta para o enviar de volta a Itália.[P 24] Contudo, este segundo período, na primavera de 1913, não é suficiente para reequilibrar o seu organismo debilitado nem a sua psique frágil.[M 22] Choca novamente com a incompreensão trocista daqueles a quem mostra as fotografias das suas esculturas parisienses.[P 24] Terá ele levado à letra a sugestão irónica dos colegas e atirado ao Fosso Reale as peças que acabara de realizar?[[#ref_Este episódio datará mais provavelmente de 1913 do que de 1909.[P 25] Em 1984, centenário do nascimento do pintor, a municipalidade mandou dragar o canal: as três cabeças então recuperadas e autenticadas por peritos viriam a revelar-se um embuste planeado por três estudantes.[N 18]|↑]] O certo é que a reação destes poderá ter pesado na sua decisão posterior de abandonar a escultura.[M 23]

Modigliani, escultor

Apesar da antiguidade da sua vocação[M 24], Modigliani lança-se na escultura sem formação[N 12].

Foto de uma cabeça em pedra muito alongada, pálpebras salientes, cana do nariz desmesurada, boca pequena
Cabeça, 1912, calcário, Predefinição:Tunité, Nova Iorque, Metropolitan Museum of Art.

Há anos que considera a escultura como a arte maior e os seus desenhos como exercícios prévios ao trabalho com cinzel[P 26]. Em Montmartre, ter-se-ia exercitado desde 1907 em travessas de madeira, embora a única estatueta de madeira autenticada seja posterior[M 25]. Das raras obras em pedra realizadas no ano seguinte, subsiste uma cabeça de mulher de oval alongada[P 26]. O período 1909-1910 marca uma viragem estética[38]: entrega-se de corpo e alma à escultura sem deixar totalmente de pintar[46] · [M 26] · [K 5] "alguns retratos, poucos nus entre 1910 e 1913[P 27]", tanto mais que a tosse causada pela poeira do talhe e do polimento[P 26] o força a suspender a sua atividade por períodos[M 27]. Desenhos e pinturas de cariátides acompanham o seu percurso de escultor[M 28] como outros tantos projetos abortados[A 7].

Nestes anos de entusiasmo pela «arte negra», Picasso, Matisse, Derain, muitos experimentam a escultura[K 5]. Seja ou não para se juntar a Constantin Brâncuși[M 24], que o Dr. Alexandre lhe apresentou[A 8], Modigliani muda-se para a Cité Falguière e obtém calcário em antigas pedreiras[N 19] ou nos estaleiros de Montparnasse (edifícios, metro)[K 9]. Embora ignorando tudo sobre a técnica, trabalha de manhã à noite no pátio: ao fim do dia, alinha as suas cabeças esculpidas, rega-as com cuidado e contempla-as demoradamente[P 28] "quando não as adorna com velas numa espécie de encenação primitiva[N 20] · [K 10]".

Pintura a óleo de uma mulher nua agachada em tons ocre vermelho com os braços levantados como que para sustentar um teto
Cariátide, c. 1912, óleo sobre tela, , Düsseldorf, Kunstsammlung Nordrhein-Westfalen.

Brâncuși encoraja-o[43] e convence-o de que o talhe direto permite «sentir» melhor a matéria[N 21]. A recusa em modelar previamente o gesso ou a argila agrada, sem dúvida, também ao jovem neófito pelo caráter irremediável do gesto, que obriga a antecipar a forma final[K 10]. "A plenitude aproxima-se […] Farei tudo em mármore", escreve ele[N 22], assinando as cartas à mãe como "Modigliani, scultore"[K 11].

A partir do que admira "estatuária antiga e renascentista, arte africana, oriental[M 29] e contemporânea[P 28]", Modigliani encontra o seu estilo justiniano[K 9]. Em março de 1911, expõe várias cabeças de mulher com esboços e guaches[P 28] no grande atelier do seu amigo Amadeo de Souza-Cardoso[M 28]. No Salon d'automne de 1912, apresenta "Têtes, ensemble décoratif", sete figuras concebidas como um todo após numerosas têmperas preparatórias[36]: embora erroneamente associado aos cubistas, é, ao menos, reconhecido como escultor[P 29]. Quanto às cariátides "regresso deliberado ao antigo[K 12]", se apenas deixou uma, inacabada[P 30], ele sonhava com elas como as "colunas de ternura" de um "Templo da Voluptuosidade"[A 9].

Modigliani abandona gradualmente a escultura a partir de 1914[P 31], continuando esporadicamente até 1916[M 30]: os médicos desaconselharam-lhe repetidamente o talhe direto[47] e os seus acessos de tosse levam-no agora ao desfalecimento[P 26]. Outras razões podem ter-se somado: o esforço físico exigido por esta técnica[A 10], a falta de espaço que o obrigava a trabalhar ao ar livre, o custo dos materiais[39] e, por fim, a pressão de Paul Guillaume, dado que os compradores preferiam os quadros[A 11]. É possível que estas dificuldades e as reações do público tenham desencorajado o artista[M 31]: logo em 1911-1912, os seus próximos observam que ele está cada vez mais amargo, sarcástico e de um cabotinismo extravagante[P 32]. Roger van Gindertael evoca, além disso, a sua inclinação nómada e a sua impaciência em expressar-se e concluir a obra[48]. Ter de renunciar ao seu sonho não terá, de forma alguma, contribuído para o curar das suas adições[49].

Galeria

Notas

Referências

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Ligações externas


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