Ambystoma mexicanum
| Ambystoma mexicanum | |
|---|---|
| |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Amphibia |
| Ordem: | Urodela |
| Família: | Ambystomatidae |
| Gênero: | Ambystoma |
| Espécies: | A. mexicanum
|
| Nome binomial | |
| Ambystoma mexicanum (Shaw and Nodder, 1798)
| |
| |
| Sinónimos[2] | |
| |
O Axolote (do náuatle axolotl) (Ambystoma mexicanum) é um tipo único de salamandra que mantém suas características larvais aquáticas durante toda a vida, como as brânquias externas, em vez de passar por metamorfose como a maioria dos anfíbios.[3] Embora essa característica seja rara, não é exclusiva dos axolotes, pois outras salamandras (ambystomatidae), como o salamandra-tigre e o Necturus, também podem apresentar traços semelhantes.[4] Originalmente, os axolotes habitavam uma rede de lagos e áreas alagadas no planalto do México, especialmente em Xochimilco e Chalco. No entanto, grande parte de seu habitat natural foi destruída após a colonização espanhola, quando os lagos foram drenados para dar lugar ao que hoje é a Cidade do México.[5]
Apesar de terem sido uma parte importante da dieta dos povos indígenas durante o período colonial, os axolotes estão atualmente criticamente ameaçados de extinção na natureza devido à perda de habitat, poluição e espécies invasoras como a tilápia e a carpa.[4] A população selvagem estimada varia entre 50 e 1.000 indivíduos. Felizmente, existem grandes populações em cativeiro, e esses animais são amplamente utilizados em pesquisas científicas por sua extraordinária capacidade de regenerar partes do corpo. Os axolotes também se tornaram populares em zoológicos, aquários e até como animais de estimação. Além disso, eles se tornaram ícones culturais, frequentemente aparecendo na mídia e em obras de arte contemporâneas.[6][7][8]
Etimologia
Axolote é um nome asteca, que numa tradução aproximada significa "monstro aquático", e na mitologia asteca era a evocação do deus Xolotl.
Descrição

Um axolote adulto pode medir de 15 a 45 cm embora o comprimento mais comum seja 23 cm e seja raro encontrar um espécime com mais de 30 cm. Os axolotes possuem características típicas do estado larval das salamandras, incluindo brânquias externas e barbatanas caudais desde o final da cabeça prolongando-se por toda a extensão da cauda. Isso ocorre porque esses anfíbios apresentam tireoide rudimentar e não há liberação de hormônios tireoideanos, essenciais na metamorfose de anfíbios. Quando um axolote recebe hormônio tireoideano, transforma-se em animal adulto com caracteristícas terrestres[9]: pulmão e patas e perda da cauda por reabsorção, tornando-se muito similar à salamandra-tigre Ambystoma velasci (em muitos casos,[10] essa metamorfose ocorre naturalmente).
As cabeças são amplas e possuem olhos sem pálpebras. Os machos são identificáveis apenas na época de reprodução pela presença de cloacas muito mais pronunciadas e de aspecto redondo.
O genoma do axolote é o maior já sequenciado, possuindo cerca de 32 bilhões de pares de bases, 10 vezes maior que o genoma humano.[11]
Habitat
Ao contrário do que ocorre com seus parentes próximos, como sapos e rãs, que passam a viver na terra quando deixam as formas larvais, os axolotes permanecem na água por toda a vida. O seu único habitat natural consiste dos lagos próximos da Cidade do México, em especial o lago Xochimilco e o lago Chignahuapan, este último no estado de Puebla. Atualmente, no lago Chignahuapan, são raramente encontrados. Isto se deve à predação dos seus ovos por espécies não autóctones introduzidas pelo homem. Além disso, a capacidade de regeneração do axolote também traz alguns problemas, uma vez que em certas zonas do México é apreciado em caldos e pela medicina naturista (como vitamínico).[4]
Evolução
Acreditava-se que os anfíbios atuais os quais conservam suas brânquias durante toda a vida seriam as formas mais primitivas. No entanto, após a descoberta de fósseis cujo aparato branquial desaparecia com a idade, tal qual ocorre em batráquios atuais, tal concepção foi abandonada.[12] Assim, não se considera mais o axolote como um "fóssil vivo".[4]
Regeneração
A espécie é intrigante, haja vista sua regeneração expressiva, apesar de sua alta complexidade em relação a outros seres com elevado potencial regenerativo, como esponjas, planárias e estrelas-do-mar. O axolote é capaz de regenerar, por meio de desdiferenciação celular, membros inteiros, que são constituídos por estruturas não comumente regeneradas, como nervos, musculatura, ossos e vasos sanguíneos. É capaz ainda de reparar completamente metade de seu coração ou cérebro.[13][14] Tais propriedades são frequentemente analisadas em laboratório.[15][16]
Estado de conservação
Um artigo publicado na revista científica Nature no final de 2017 mostrava que a espécie está cada vez mais próxima da extinção. Em 1998, existiam 6000 axolotes por quilómetro quadrado na região mexicana de Xochimilco; dois anos depois, este número tinha baixado para 1000 espécimes por quilómetro quadrado. Em 2008, dez anos depois, os números eram ainda mais preocupantes: havia apenas 100 axolotes por quilómetro quadrado. Em 2018, sobretudo por causa da poluição, há menos de 35 destes animais por quilómetro quadrado.[4]
O axolote é um completo paradoxo de conservação, é provavelmente o anfíbio mais espalhado pelo mundo, em laboratórios e lojas de animais, e ainda assim está quase extinto na natureza. O que traz problemas: como existe uma baixa diversidade genética destes animais, são mais propensos a doenças.[4]
Produção de xarope para a tosse
Um grupo de freiras do município mexicano de Pátzcuaro está a ajudar a criar e a devolver alguns destes animais ao seu habitat natural naquela região. Há anos que o grupo religioso utiliza estes animais na produção de um famoso xarope para a tosse, uma prática que passou de geração em geração — mas a forma como esse remédio é feito (e a maneira como os anfíbios entram na fórmula) não é revelada pelas freiras.[4]
Com laboratórios dentro do mosteiro, as freiras tornaram-se mestres da criação de axolotes – e têm um papel importante na devolução de alguns destes animais ao seu habitat natural.[17]
Referências
- ↑ IUCN SSC Amphibian Specialist Group (2020). «Ambystoma mexicanum». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2020: e.T1095A53947343. doi:10.2305/IUCN.UK.2020-3.RLTS.T1095A53947343.en
. Consultado em 12 de novembro de 2021
- ↑ Frost, Darrel R. (2018). «Ambystoma mexicanum (Shaw and Nodder, 1798)». Amphibian Species of the World: an Online Reference. Version 6.0. American Museum of Natural History. Consultado em 10 de agosto de 2018
- ↑ Lima, Mariana Araguaia de Castro Sá. «Axolote (Ambystoma mexicanum)». Mundo Educação. Consultado em 21 de dezembro de 2018
- ↑ a b c d e f g Malacinski, George M. (Primavera de 1978). «The Mexican Axolotl, Ambystoma mexicanum: Its Biology and Developmental Genetics, and Its Autonomous Cell-Lethal Genes». American Zoologist. 18 (2): 195–206. doi:10.1093/icb/18.2.195
- ↑ Tickell, Sofia Castello Y. (30 de outubro de 2012). «Mythic Salamander Faces Crucial Test: Survival in the Wild». The New York Times. Consultado em 30 de julho de 2015
- ↑ Woodcock, M. Ryan; Vaughn-Wolfe, Jennifer; Elias, Alexandra; Kump, D. Kevin; Kendall, Katharina Denise; Timoshevskaya, Nataliya; Timoshevskiy, Vladimir; Perry, Dustin W.; Smith, Jeramiah J.; Spiewak, Jessica E.; Parichy, David M.; Voss, S. Randal (31 de janeiro de 2017). «Identification of Mutant Genes and Introgressed Tiger Salamander DNA in the Laboratory Axolotl, Ambystoma mexicanum». Scientific Reports. 7 (1). 5 páginas. Bibcode:2017NatSR...7....6W. ISSN 2045-2322. PMC 5428337
. PMID 28127056. doi:10.1038/s41598-017-00059-1
- ↑ «Mexican Walking Fish, Axolotls Ambystoma mexicanum» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em 15 de março de 2018
- ↑ «Axolotols (Walking Fish)». Aquarium Online. Consultado em 12 de setembro de 2013. Cópia arquivada em 10 de abril de 2013
- ↑ Attemborough, David (1980). «6. A Invasão da Terra». A Vida na Terra. Porto: Selecções do Reader's Digest. p. 156. 368 páginas
- ↑ «Rare 'Peter Pan' axolotl grows up». BBC (em inglês). 27 de dezembro de 2007. Consultado em 30 de junho de 2012
- ↑ «The largest genome ever: decoding the axolotl». IMP-Research Institute of Molecular Pathology. 24 de janeiro de 2018. Consultado em 25 de janeiro de 2018
- ↑ SANTOS, Eurico (1981). Zoologia Brasílica - Volume 3: Anfíbios e Répteis 3ª ed. Belo Horizonte: Editora Itatiaia. p. 19
- ↑ It's Okay To Be Smart (15 de maio de 2018), The Deadpool Salamander, consultado em 18 de maio de 2018
- ↑ Amamoto, Ryoji; Huerta, Violeta Gisselle Lopez; Takahashi, Emi; Dai, Guangping; Grant, Aaron K; Fu, Zhanyan; Arlotta, Paola. «Adult axolotls can regenerate original neuronal diversity in response to brain injury». eLife. 5. ISSN 2050-084X. PMC 4861602
. PMID 27156560. doi:10.7554/eLife.13998
- ↑ PORTAL UFBA - Estratégias de regeneração em anfíbios urodelos
- ↑ Experiments on developing limb buds of the axolotl Ambystoma mexicanum, M. Maden 1 and B. C. Goodwin
- ↑ «As freiras mexicanas estão a salvar o axolote da extinção — por acidente»
Ligações externas
- Scientific American Brasil: Anfíbio mexicano sob ameaça
- Criaturas Estranhas - Em busca do Axolote (Nick Baker)
- Ambystomatidae


