Alexandre Luís de Queirós e Vasconcelos

Alexandre Luís de Queirós e Vasconcelos, o Quebra[1] (Cachoeira do Sul, 19 de abril de 1772 - 1833) foi um militar, pioneiro abolicionista e republicano brasileiro.

Filho de pai homônimo, dragão de Rio Pardo[2], e de Maria Emília Pereira Pinto[3], filha de Francisco Barreto Pereira Pinto[2], foi casado com a filha de um coronel.

Pertenceu ao Regimento de Dragões do Rio Pardo, chegando ao posto de major, depois desertou e uniu-se à tropa de José Borges do Canto,[2] na expedição militar de 1801, em que portugueses retomaram dos espanhóis a zona das Missões.

Fez amizade com José Artigas e lutou pela província de Entre Ríos, contra a hegemonia de Buenos Aires, na Banda Oriental, sempre que pôde.[2]

Teve arroubos de loucura republicana[4]: em pleno domínio português no Brasil, em 1803, revoltou-se contra a monarquia e investiu contra a guarda estadual, liderando um grupo que, aos gritos de liberdade, libertou todos os escravos que encontrou pelo caminho[4][5], incorporando-os à sua tropa, o que aumentou consideravelmente sua força[2].Dominado por força superior, fizeram-no passar por 'louco varrido', 'mente insana', como registrado nos documentos da época.[6] Foi então trancafiado no Forte Jesus, Maria, José.[2], para evitar o fuzilamento o comandante local, Patrício Correia da Câmara, seu parente, alegou que era insano.[2]

Foi anistiado e exilou-se em Entre Rios, onde permaneceu nas fileiras republicanas argentinas, lutando nas campanhas de 1816 a 1820, devido a sua bravura, considerada por muitos como beirando a loucura, recebeu o posto de sargento-mor de milícias.[6][2] Retornou, então, coberto de louros argentinos e se estabeleceu em Cachoeira do Sul[3].

Logo retomou suas atividades republicanas, arregimentando seguidores [3]. Numa noite quente investiu contra a vila de Cachoeira, libertou todos os presos da cadeia, assim como os escravos [3] e mandou degolar os portugueses, mas não executou a ordem[6]. Vestiu seu escravo liberto de confiança, que o acompanhava desde os tempos da Argentina[2], chamado Pedro[3], com o fardão do comandante da Vila, José Carvalho Bernardes, e o respectivo bastão de comando, mandando que saísse pelas ruas, proclamando a igualdade de todos, na República que acabava de proclamar.[2] A declaração para executar os portugueses provocou um escândalo na província, provocando a reunião de uma força numerosa para sua captura.[6]. Cercaram Cachoeira e o prenderam.[2]

Foi enviado para o Rio de Janeiro, com recomendação de seus poderosos parentes de que era louco e que tinha feito as mesmas desordens no tempo de Dom João VI e tinha sido anistiado.[2] D. Pedro I, não se sabe porque também o indultou, podendo Alexandre Luís voltar para Cachoeira, pregando a República.[2]

Depois da Batalha do Passo do Rosário[7], que revoltou vários rio-grandenses, levando-os a se juntar à tropa do general Alvear, levou também ao Quebra,[2], que prometeu organizar um corpo de Libertadores do Rio Grande, com o que contou com alguns republicanos rio-grandenses[6], sendo ele nomeado comandante, com o posto de coronel.[8] A ação do Regimento ficou somente no papel, já que com a Argentina esgotada, pouco tempo depois foi assinada a paz.[2]

Em 1830, aparece em Caçapava do Sul, onde de novo reúne escravos no campo e os liberta, proclamando idéias republicanas,[2] aparentemente articulado com a sedição de 1830, o movimento de alguns oficiais estrangeiros, em São Leopoldo, cuja conspiração é descoberta.[6][9] Perseguido, foge para a fronteira, com Pedro e alguns escravos liberto, onde se refugia e falece em 1833.[2]

Referências

  1. Quebra é uma expressão regional que significava valente, forte, respeitável
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q SPALDING, Walter. Construtores do Rio Grande. Livraria Sulina, Porto Alegre, 1969, 3 vol., 840pp.
  3. a b c d e LESSA, Barbosa. Rio Grande do Sul, Prazer em Conhecê-lo.Editora AGE, 4a ed., ISBN 8574970220, ISBN 9788574970226
  4. a b «BAKOS, Margaret M. Abolicionismo no Rio Grande do Sul. Caderno de História nº 29, Memorial do Rio Grande Sul, 2007.» (PDF). Consultado em 12 de junho de 2009. Arquivado do original (PDF) em 21 de novembro de 2008 
  5. PICCOLO, Helga I. L., Da descolonização da República: a questão do separatismo versus federação no Rio Grande do Sul no século XIX.
  6. a b c d e f Núcleo de estudos da cultura gaúcha do DF[ligação inativa]
  7. DONATO, Hernâni. Dicionário das batalhas brasileiras. 2a ed, IBRASA, 1996, ISBN 8534800340, ISBN 9788534800341, 593 pp.
  8. Segundo Donato, op. cit., teria comandado o Regimentos de Libertadores do Rio Grande contra as tropas brasileiras, na Batalha do Passo do Rosário.
  9. Segundo Piccolo, op. cit., teria sido em 1832; segundo Spalding seria 1831.