Joseph Albert
| Joseph Albert | |
|---|---|
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| Nascimento | 24 de novembro de 1875 Bordéus |
| Morte | 12 de novembro de 1908 (32 anos) Paris |
| Cidadania | França |
| Ocupação | jornalista, anarquista |
| Religião | ateísmo |
| Ideologia política | anarquismo |
Joseph Albert (Bordéus, 24 de novembro de 1875 – Paris, 12 de novembro de 1908) foi um militante e escritor anarquista individualista francês. Sob o pseudônimo Albert Libertad (conhecido também apenas como Libertad),[1] notabilizou-se como o editor da publicação anarquista L'Anarchie.[2]
Vida
Joseph Albert nasceu em Bordéus, sendo abandonado pelos pais ainda bebê. Em decorrência de uma doença na infância, perdeu o uso das pernas, mas acabou utilizando as muletas como armas em confrontos com a polícia. Anos mais tarde, passou para a tutela da Assistência Pública de Bordéus, responsável pelo acolhimento de crianças abandonadas.[2]
Em 1896, aos 21 anos, mudou-se para Paris e rapidamente passou a atuar em círculos anarquistas, chegando a viver nos escritórios do jornal Le Libertaire. Ficando conhecido por seu pseudônimo Libertad, participou de diversos grupos anarquistas e foi defensor da propaganda pelo ato. Apesar disso, candidatou-se como abstencionista no 11.º arrondissement de Paris, em 1902 e 1904, utilizando as campanhas eleitorais como meio de difundir ideias anarquistas.
Durante o caso Dreyfus, fundou a Liga Antimilitarista (1902) e, em parceria com Paraf-Javal, criou as Causeries populaires, espaços de debates públicos que atraíram grande interesse no país. Essa iniciativa contribuiu para a abertura de uma livraria e de vários clubes em diferentes bairros de Paris.
Em 1905, fundou L'Anarchie, provavelmente o mais influente jornal do anarquismo individualista, que contou com colaboradores como André Lorulot, Émile Armand, Victor Serge e sua companheira Rirette Maîtrejean.
O teórico francês Raoul Vaneigem relatou que Libertad ganhou notoriedade por uma chamada à ação em que “convidou os cidadãos a queimar os seus documentos de identificação e tornar-se humanos novamente, recusando-se a deixar-se reduzir a um número, devidamente registrados nos inventários de estatística do Estado”.[3] Trabalhou como revisor com Aristide Briand, editando La Lanterne, e depois com Sébastien Faure. Ativista do amor livre, Libertad também escreveu no En Dehors, jornal fundado por Zo d’Axa.
No dia 6 de novembro de 1908, foi admitido no Hospital Lariboisière, em Paris, após uma briga seguida de uma batida policial. Segundo o relatório médico, Libertad morreu seis dias depois vítima de doença infecciosa grave (possivelmente fleuma ou carbúnculo).[4] Em relatos publicados por alguns autores anarquistas sugeriram que ele teria sido envenenado com antraz, mas a falta de evidências oficiais tornam essa interpretação especulativa.[5]
Anarquismo
Em 14 de julho de 1906, nas comemorações do Dia Nacional da França, o periódico L'Anarchie publicou e distribuiu, em Paris, 100.000 exemplares do manifesto La Bastille de l’Autorité (“A Bastilha da Autoridade”), dirigido ao público leitor do movimento anarquista.[6] Além da intensa atividade de propaganda contra a ordem social, Libertad organizava festas, bailes e excursões pelo país para expressar sua concepção do anarquismo como “alegria de viver”, e não como sacrifício militante ou culto da morte. Buscava conciliar a autonomia individual com a luta contra a sociedade autoritária.
Libertad mostrava-se contrário à oposição entre revolta individual e revolução social, sustentando que a primeira constitui um momento da segunda, e não a sua negação. Para ele, a revolta emerge da tensão própria do indivíduo e, ao se ampliar, pode assumir um caráter de libertação social. Em sua perspectiva, o anarquismo não implica isolamento social, vida em comunidades separadas ou submissão a papéis sociais tradicionais, mas a prática imediata de viver como anarquista, sem concessões. Nessa formulação, revolta individual e revolução social não se excluem, mas se complementam.[7]
Obra
- Le Culte de la charogne. Anarchisme, un état de révolution permanente (1897-1908), Éditions Agone, 2006. ISBN 2-7489-0022-7
Ver também
Referências
- ↑ Libertad (2006). Le Culte de la charogne. Anarchisme, un état de révolution permanente (1897–1908). Marseille: Éditions Agone. ISBN 2-7489-0022-7. Arquivado do original em 17 de julho de 2011
- ↑ a b «Glossary of People: Li». www.marxists.org. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ «No borders no papers, Raoul Vaneigem - No Border Bxl». www.noborderbxl.eu.org. Consultado em 24 de novembro de 2025
- ↑ «LIBERTAD (Albert, Joseph, dit) – Maitron» (em francês). Consultado em 24 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de novembro de 2025
- ↑ «Ephéméride Anarchiste 12 novembre». www.ephemanar.net. Consultado em 24 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de novembro de 2025
- ↑ «LIBERTAD, (Albert, Joseph dit) - [Dictionnaire international des militants anarchistes]». militants-anarchistes.info. Consultado em 24 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de novembro de 2025
- ↑ «Articles from "Machete" #1 (Various Authors) | The Anarchist Library». www.theanarchistlibrary.org (em inglês). Consultado em 24 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 8 de junho de 2012
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Albert Libertad».
