Akhra Avidzba
| Akhra Avidzba | |
|---|---|
| Ахра Русланович Авидзба | |
| Ахра Руслан-иԥа Аҩӡба | |
![]() Avidzba durante as celebrações do Dia da Vitória em 2015 em Donetsk | |
| Dados pessoais | |
| Apelido | "Abkahz" |
| Nascimento | 27 de janeiro de 1986 (40 anos) Sóchi, Krai de Krasnodar, RSFS da Rússia, URSS |
| Nacionalidade | Rússia Abecásia República Popular de Donetsk |
| Carreira militar | |
| Força | |
| Anos de serviço | 2014–2016 |
| Hierarquia | |
| Unidade | Brigada Internacional "Piatnashka" |
| Comandos | Brigada Internacional "Piatnashka" |
| Guerras |
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| Honrarias | |
Akhra Ruslanovitch Avidzba (em abcázio: Ахра Руслан-иԥа Аҩӡба; nascido Sóchi, 27 de janeiro de 1986, Krai de Krasnodar) é um ativista político da parcialmente reconhecida República da Abecásia, participante da guerra em Donbas, comandante da brigada internacional “Piatnashka” e Herói da República Popular de Donetsk. Foi um dos principais envolvidos na crise política da Abecásia em 2020, que resultou na renúncia do presidente Khadjimba.[1]
Biografia
Ele nasceu em 27 de janeiro de 1986, em Sóchi. Seu pai era natural da aldeia de Aatsy, no distrito de Gudauta da RSSA da Abecásia, e sua mãe da aldeia de Lykhny, também no distrito de Gudauta. O pai e dois tios de Akhra lutaram pela independência da Abecásia. Avidzba mudou-se para a Abecásia em 2011, após concluir os estudos na filial de Sóchi da Universidade Russa da Amizade dos Povos.[2] Vive tanto na Abecásia quanto na Ucrânia, em território controlado pela República Popular de Donetsk (RPD).
Candidatou-se duas vezes, sem sucesso, ao parlamento abecásio.[1][2] Em 2008, partiu como voluntário para a Ossétia do Sul a fim de participar da guerra ao lado da república não reconhecida, mas não chegou a tomar parte nos combates.[2][3]
Guerra no Donbas
No verão de 2014, Avidzba foi para o Donbas, reunindo um destacamento de 20 voluntários. Em 27 de julho de 2014, integrou-se ao batalhão Oplot (atualmente a 5.ª Brigada de Fuzileiros Motorizados de Guardas Separada nomeada em homenagem a A. V. Zakharchenko das Forças Terrestres da Federação da Rússia). Fundou e tornou-se o primeiro comandante do destacamento internacional, que evoluiu para batalhão e posteriormente para a brigada Piatnashka.[3][4]
Segundo suas próprias declarações, participou das batalhas por Saur-Mogila, Ilovaisk, Marinka, além dos combates na região de Debaltseve e no aeroporto de Donetsk.[3]
Crise na Abecásia
No fim de 2019 e início de 2020, durante a crise político na Abecásia, Akhra liderou ações de rua que terminaram na renúncia do presidente Raul Khadjimba[2] e na realização de novas eleições presidenciais.[5]
Em novembro de 2019, Avidzba retornou às pressas do Donbas para a Abecásia após o assassinato, em 22 de novembro, no restaurante San-Remo em Sucumi, de dois chefes do crime, um deles seu primo Alkhas Avidzba, conhecido como Khasik. Reunindo parentes e aliados, Akhra conseguiu a demissão, em 2 de dezembro, do ministro do Interior, do procurador-geral da Abecásia e de seus adjuntos. No dia 9 de janeiro de 2020, Avidzba tornou-se o principal organizador dos protestos em Sukhumi, quando a Suprema Corte da República da Abecásia começou a analisar a apelação do candidato derrotado Kvitsinia contra a decisão judicial que havia validado as eleições presidenciais de setembro. Avidzba conduziu centenas de manifestantes do tribunal até a sede da administração presidencial, onde, diante da passividade da tropa de choque e da milícia que guardavam o prédio, os manifestantes invadiram o edifício. Depois, ele retornou ao tribunal e convenceu líderes da oposição abecásia a se unirem ao “povo”. Na noite de 12 de janeiro, diante da entrada da administração presidencial, discursou para cerca de duzentos apoiadores, lembrando que em 13 de janeiro se comemorava uma importante festa nacional abecásia, o Dia da Criação do Mundo. Em um discurso inflamado, Avidzba afirmou que o presidente Khadjimba era o verdadeiro culpado da crise ─ “ele nos mantém presos, não nos deixa dispersar”. Ele pediu que os manifestantes não levassem armas de casa, acusou Khadjimba de “atentar contra o sagrado” e ameaçou persegui-lo por toda a Abecásia. Pouco depois, o presidente refugiado em uma residência oficial apresentou sua renúncia. Novas eleições presidenciais foram marcadas para 22 de março, vencidas pelo líder oposicionista Aslan Bjania.[1]
Segundo avaliação da Novaya Gazeta em janeiro de 2020, Avidzba tornou-se nos dias dos protestos o representante mais conhecido da juventude na Abecásia e chegou a ser considerado possível candidato ao cargo de ministro do Interior após a formação do novo governo.[1]
Renúncia
Em 11 de junho de 2020, Avidzba foi nomeado por decreto do presidente da Abecásia, Aslan Bjania, como seu assistente para relações internacionais.[6]
No entanto, em 7 de agosto de 2020, ao entrar na Abecásia vindo da Federação da Rússia, Avidzba rompeu com seu carro a cancela da fronteira, já que os guardas russos se recusavam a liberá-lo devido a dívidas não pagas. O episódio teve grande repercussão e, dois meses depois, ele retornou voluntariamente à Rússia, onde foi inicialmente preso por dez dias por desobedecer às ordens dos guardas de fronteira. Em 26 de outubro, foi multado em 100 mil rublos por atravessar ilegalmente a fronteira estatal da Rússia. Pouco depois, em 9 de novembro, Avidzba anunciou sua renúncia, alegando “perda de fé em nossa causa comum e na continuidade do meu trabalho em uma equipe política que contradiz suas próprias declarações e, na prática, não toma as ações necessárias”. Após isso, retornou ao Donbas.[7]
Caso criminal
Em 4 de março de 2021, Avidzba foi preso em Sucumi durante um interrogatório no serviço de segurança estatal, para o qual havia comparecido voluntariamente. Ele foi acusado de posse ilegal de armas em grupo e mediante prévio acordo, crime que poderia resultar em pena de dois a seis anos de prisão.[8] Junto com ele, foram detidos cinco estrangeiros:[9][10]
- Stanislav Kulta, de Odessa (codinome “Gambit”) — cidadão ucraniano, participante dos acontecimentos de 2 de maio de 2014 em Odessa, convocado para interrogatório pelo SBU, lutou ao lado da RPD no destacamento de “Motorola”.
- Talekh Gasanov — cidadão ucraniano, residente em Donetsk.
- Aslan Guatijev — cidadão russo, ex-investigador do Departamento de Assuntos Internos de Nalchik.
- Andrei Loktionov — cidadão ucraniano, ex-diretor de segurança da fábrica de engenharia de Iasinovataia.
- Vladimir Shcherbakov — cidadão ucraniano, morador de Donetsk, que foi libertado por decisão judicial em 9 de março.
Em 11 de junho de 2021, Avidzba foi condenado pelo Tribunal do distrito de Gulrypsh a três anos de prisão com pena suspensa, dois anos em regime de liberdade condicional e multa de 10 mil rublos por posse ilegal de armas.[11]
Família
Ele foi casado duas vezes. Sua segunda esposa é Iulia Ovcharenko, natural de Donetsk, com quem Avidzba se conheceu em setembro de 2014. É pai de cinco filhos, sendo dois deles de seu primeiro casamento.[2][12]
Alkhaz Avidzba
O primo de Akhra Avidzba, Alkhaz Avidzba (conhecido como “Khasik Gudautsky”), natural de Gudauta, era um famoso vor v zakone (ladrão na lei) na Abecásia.[13] Em 22 de novembro de 2019, ocorreu um ataque no restaurante “San-Remo”, em Sucumi, que resultou na morte de Alkhaz Avidzba e também de outro vor v zakone, Astamur Shamba (Astik). Durante o ataque, a garçonete Dominika Akirtava ficou gravemente ferida e morreu no hospital em 3 de dezembro. Os acusados pelo crime foram identificados como figuras conhecidas do submundo criminoso de Sucumi: Erik Chkadua, Beslan Bganba, Aslan Blabba e os irmãos Dato e Demur Akhalaia.[14]
O assassinato provocou protestos em massa e várias renúncias: deixaram seus cargos o procurador-geral Zurab Achba e seu adjunto Ieshsou Kakalia, assim como o ministro do Interior Garri Arshba e seu vice Kazbek Kishmakov.[15][16] Em janeiro de 2020, o então presidente da Abecásia, Raul Khadjimba, também renunciou ao cargo.[2]
Em 30 de abril de 2021, a acusação formal pelo triplo homicídio foi encaminhada ao Supremo Tribunal da Abecásia.[14] Todos os cinco acusados foram levados a julgamento.[17]
Prêmios
- Herói da República Popular de Donetsk;[18]
- Ordem da Coragem (Abecásia);
- Cruz de São Jorge (RPD);
- Medalha "Por Mérito Militar" (RPD);
- Medalha "Pela Defesa de Shakhtersk" (RPD);
- Medalha "Guerreiro-Internacionalista" (RPD);
- Ordem do Valor de Oficial;
- Medalha "Pelo Fortalecimento da Cooperação Militar" (Ministério da Defesa da Rússia);
Referências
- ↑ a b c d Azar, Ilia Viliamovitch (13 de janeiro de 2020). «O Lenin de Donetsk tomou Sucumi. Como o presidente foi deposto na Abecásia: reportagem especial da Novaya Gazeta.». novayagazeta.ru. Novaya Gazeta. Cópia arquivada em 14 de janeiro de 2020
- ↑ a b c d e f «Akhra Avidzba.». kavkaz-uzel.eu. Kavkazskiy Uzel. 13 de janeiro de 2020. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2020
- ↑ a b c Kotenok, Iuri (23 de janeiro de 2019). «"Nós fizemos um ato de intimidação": ex-comandante da 'Piatnashka' contou como enfrentava as Forças Armadas da Ucrânia "na base da sorte.». dzen.ru. Yandenks.Novosti. Arquivado do original em 13 de janeiro de 2020
- ↑ Shinkarenko, Elena (18 de maio de 2018). «Akhra Avidzba (Abecásia): que nossos inimigos não pensem que vão nos enfraquecer, nós ainda ganhamos o objetivo de vingar Mamai.». donetsk.kp.ru (em russo). Komsomolskaya Pravda em Donetsk. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2020
- ↑ «A Comissão Eleitoral Central da Abecásia marcou as eleições presidenciais para 22 de março.». ria.ru (em russo). Ria Novosti. 12 de janeiro de 2020. Cópia arquivada em 12 de janeiro de 2020
- ↑ «Akhra Avidzba tornou-se assistente do presidente da Abecásia.». eadaily.com (em russo). EurAsia Daily. 11 de junho de 2020
- ↑ «O assistente do presidente da Abecásia, Akhra Avidzba, apresentou sua renúncia.». sputnik.abkhazia.ru (em russo). Sputnik da Abecásia. 9 de novembro de 2020. Cópia arquivada em 1 de dezembro de 2020
- ↑ «Em Sucumi, Akhrik Avidzba – "herói da RPD" e ex-assistente do presidente da Abecásia – foi preso por um mês.». kavkazr.com (em russo). Kavkaz.Realli. 8 de março de 2021. Cópia arquivada em 10 de abril de 2021
- ↑ «Um dos seguranças de Akhra Avidzba será libertado, quatro foram presos por um mês.». ekhokavkaza.com (em russo). Eko Kavkaza. 8 de março de 2021
- ↑ Krutov, Mark (11 de março de 2021). «Um porão para o "herói da RPD". Pelo que Akhra Avidzba foi preso.». kavkazr.com (em russo). Kavkaz.Realii. Cópia arquivada em 6 de abril de 2021
- ↑ «O tribunal condenou o ex-assistente do presidente da Abecásia a três anos de prisão com pena suspensa.» (em russo). Tass. 11 de junho de 2021. Cópia arquivada em 13 de agosto de 2021
- ↑ Gordo, Olga (17 de março de 2017). «A esposa do lendário abecásio – Iulia: "Nós simplesmente não falamos sobre coisas ruins".». donetsk.kp.ru (em russo). Komsomolskaya Pravda em Donetsk. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2020
- ↑ «Avidzba Alkhas Khimtsovitch (Khasik Gudautsky).». primecrime.ru (em russo). PrimeCrime. 13 de agosto de 2021
- ↑ a b Demina, Ekaterina (5 de maio de 2022). «Três vor v zakone foram executados em Sucumi por vingança a outro clã.». ura.news (em russo). URA.news. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2023
- ↑ Sharia, Vitaly Valerianovitch (24 de agosto de 2022). «O caso do triplo assassinato no calçadão de Sucumi: o processo pode ser realizado a portas fechadas.». ekhokavkaza.com (em russo). Eko Kavkaza. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2023
- ↑ «Participantes dos protestos em Sucumi conseguiram a demissão do ministro do Interior da Abecásia.». kavkaz-uzel.eu (em russo). Kavkazskiy Uzel. 2 de dezembro de 2019. Cópia arquivada em 13 de janeiro de 2020
- ↑ Kirillina, Vladlena (2 de maio de 2022). «Na Abecásia, estão sendo julgados os acusados pelo triplo assassinato no calçadão de Makhadjirov.». capost.media (em russo). The Caucasus Post. Cópia arquivada em 9 de fevereiro de 2023
- ↑ «Reveladas as ligações do comandante da RPD detido com o vor v zakone Guli.». news.ru (em russo). News.ru. 8 de junho de 2021. Cópia arquivada em 13 de agosto de 2021
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