Agrocybe putaminum
Agrocybe putaminum
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| Classificação científica | |||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||
| Agrocybe putaminum (Maire) Singer (1936) | |||||||||||||||||
| Sinónimos[1] | |||||||||||||||||
| Naucoria putaminum Maire (1913) | |||||||||||||||||
Agrocybe putaminum é uma espécie de fungo agárico da família Strophariaceae, pertencente ao complexo Agrocybe sororia. Foi descrita como nova para a ciência em 1913. Os basidiomas possuem um píleo marrom-alaranjado opaco com textura fosca, um estipe sulcado e sabor amargo e farináceo. Não são comestíveis.
Cresce em parques, jardins e beiras de estradas em cobertura morta de lascas de madeira na Eurásia, Austrália e oeste da América do Norte.
Taxonomia
Descrita inicialmente como Naucoria putaminum pelo micologista francês René Maire em 1913, da terra do jardim que estava coberta de caroços de ameixa.[2] Foi transferida para o gênero Agrocybe [en] por Rolf Singer em 1936.[3]
Descrição
Os basidiomas possuem um píleo convexo que depois se achata na maturidade, às vezes desenvolvendo um umbo raso; o píleo atinge um diâmetro de 3–10 cm. Sua cor é inicialmente marrom-escura, mas desbota para castanho claro amarelado com a idade. A superfície do píleo é lisa, fosca e finamente pruinosa – como se coberta por farinha muito fina. As lamelas, que têm fixação adnata no estipe, são de cor marrom-cinza pálida, mas depois escurecem para marrom-escuro após a maturação dos esporos. As lamelas são moderadamente próximas e intercaladas com lamélulas (lamelas curtas que não se estendem completamente da margem do píleo até o estipe).[4]
O estipe cilíndrico mede 5–8 cm de comprimento por 1–1,5 cm de espessura e é mais grosso tanto no ápice quanto na base clavada. Inicialmente recheado com medula cotonosa, o estipe eventualmente torna-se oco. Tem a mesma cor do píleo e uma superfície marcada por finas saliências (particularmente perto do topo); essas saliências originam-se de cordões miceliais. A carne do cogumelo é branca, com até 1,5 cm de espessura e não muda de cor quando cortada ou ferida. Seu odor é tanto farináceo (como farinha recém-moída) quanto fúngico, enquanto o sabor é amargo, com um retrogosto de pepino.[4] Os cogumelos não são comestíveis.[5]

Agrocybe putaminum produz uma esporada marrom-escura. Os esporos são aproximadamente elípticos, lisos, de parede espessa com um poro germinativo e medem 10–12 por 5–9 µm. Os basídios (células portadoras de esporos) são clavados, tetraspóricos e medem 25–30 por 10–15 µm.[4] O estipe é coberto por caulocistídios, o que lhe confere uma textura aveludada.[6]
Espécies semelhantes
A espécie do leste da América do Norte Agrocybe smithii é semelhante em aparência a A. putaminum. Pode ser distinguida microscopicamente desta última pelo tamanho e morfologia de seus cistídios (amplamente clavados a lageniformes, 45–60 por 12,5–20 µm) e pela ausência de pilocistídios.[7] Agrocybe sororia também é encontrada no leste da América do Norte.[8] Outra semelhante, A. hortensis, não possui pleurocistídios e possui queilocistídios mais largos (11–25 µm) que A. putaminum.[7] Pode ser distinguida de Agrocybe praecox macroscopicamente pela ausência de anel e de qualquer escurecimento ao ser manuseada.
Habitat e distribuição
Agrocybe putaminum é uma espécie saprófita. Seus basidiomas crescem no solo em grupos ou aglomerados, geralmente em lascas de madeira, e assim podem ser encontrados em jardins, parques e outras áreas que utilizam esse tipo de cobertura morta. É conhecida na América do Norte ocidental e na Europa. A espécie costumava ser considerada rara; após o relatório inicial de sua descoberta em 1913 na França, foi registrada infrequentemente novamente: nos Países Baixos em 1958,[9] na Dinamarca em 1989,[10] no oeste da Bélgica[11] e na Itália em 1998,[12] e na Índia em 2003.[13] O fungo desde então tornou-se mais comum, e sua distribuição expandiu-se junto com o uso crescente de cobertura morta de lascas de madeira em canteiros ornamentais.[5] Um relatório de 2007 da costa central da Califórnia foi o primeiro registro norte-americano.[6] Tem sido relatada várias vezes no sudoeste da Austrália.[14]
Ver também
- Agrocybe pediades
- Deconica coprophila
- Deconica montana
- Protostropharia semiglobata
- Stropharia caerulea
Referências
- ↑ «Agrocybe putaminum (Maire) Singer 1936». MycoBank. International Mycological Association. Consultado em 11 de janeiro de 2026
- ↑ Maire RCJE. (1913). «Études Mycologiques, Fasc. 1». Annales Mycologici (em francês). 11 (3): 331–58
- ↑ Singer R. (1936). «Studien zur Systematik der Basidiomyceten. II». Beihefte zum Botanischen Zentralblatt (em alemão). 56: 157–74 (see p. 167)
- ↑ a b c Pegler DN, Legon NW. (1998). «Profiles of fungi: 92. Agrocybe putaminum». Mycologist. 12 (2): 60. doi:10.1016/S0269-915X(98)80045-1
- ↑ a b Roberts P, Evans S. (2011). The Book of Fungi. Chicago, Illinois: University of Chicago Press. p. 41. ISBN 978-0226721170
- ↑ a b Vellinga EC. (2008). «Wood chip fungi: Agrocuybe putaminum in the San Francisco Bay Area». Fungi. 1 (4): 5, 37–39
- ↑ a b Watling R, Bigelow HE. (1983). «Observations on the Bolbitiaceae – 22». Mycotaxon. 17: 377–97
- ↑ Audubon (2023). Mushrooms of North America. [S.l.]: Knopf. 664 páginas. ISBN 978-0-593-31998-7
- ↑ Bas C. (1958). «Notes on Agaricales—I.». Blumea (Suppl. 4): 137–43
- ↑ Rald E. (1989). «To for Danmark nye hatsvampe, der vokser på træflis: Stropharia percevalii og Agrocybe putaminum». Svampe (em dinamarquês). 19: 39–43
- ↑ De Haan A. (2004). «Een inwijkeling uit het noorden, Agrocybe rivulosa—Geaderde leemhoed». AMK Mededelingen (em neerlandês) (2): 63–65
- ↑ La Chiusa L. (1998). «Agrocybe putaminum. 1º contributo alla conoscenzadi specie interessanti del parco di Monza». Rivista di Micologia (em italiano). 41: 325–28
- ↑ Atri NS, Kaur H. (2003). «New addition to the Indian fleshy fungi from North Western Himalaya». Mushroom Research. 12 (1): 15–16
- ↑ «Agrocybe putaminum». Atlas of Living Australia. Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation. Consultado em 11 de janeiro de 2026

