After Virtue
| After Virtue | |
|---|---|
| After Virtue: A Study in Moral Theory Depois da Virtude: um estudo de teoria moral [BR] | |
| Autor(es) | Alasdair MacIntyre |
| Idioma | inglês |
| País | |
| Género | filosofia moral • ética das virtudes |
| Editora | University of Notre Dame Press |
| Lançamento | 1981 |
| Páginas | 286 (3.ª edição) |
| Edição brasileira | |
| Tradução | Jussara Simões |
| Editora | Edusc / Loyola |
| Lançamento | 2001 (1.ª edição brasileira) 2011 (edição revista) |
| Páginas | 352 |
After Virtue: A Study in Moral Theory é um livro publicado em 1981 pelo filósofo escocês-americano Alasdair MacIntyre. Considerada uma das obras mais influentes da filosofia moral do século XX, a obra desencadeou o renascimento contemporâneo da ética das virtudes e tornou-se a crítica mais célebre ao projeto ético do Iluminismo.[1] No Brasil foi traduzida por Jussara Simões com o título Depois da Virtude: um estudo de teoria moral.[2]
Tese central
MacIntyre sustenta que o discurso moral moderno se encontra em estado de grave desordem porque os conceitos herdados da tradição (dever, justiça, bem) perderam o contexto teleológico que os tornava inteligíveis.[3] Após o Iluminismo ter rejeitado a concepção aristotélica de um telos humano, os filósofos tentaram fundamentar a moralidade sem esse elemento, o que estava condenado ao fracasso. O resultado foi o emotivismo transformado em cultura dominante, em que os juízos morais não passam de expressões de preferência disfarçadas de argumentos racionais.
O autor abre o livro com a famosa alegoria da ciência destruída e reconstruída a partir de fragmentos, alegoria que aplica à moralidade contemporânea.[3] Nietzsche é reconhecido como o pensador que diagnosticou com maior clareza a crise, mas a sua resposta, o super-homem solitário, é rejeitada por conduzir ao solipsismo. A única saída viável, segundo MacIntyre, consiste na recuperação crítica da tradição aristotélico-tomista, centrada nas práticas sociais cooperativas, nos bens internos que elas geram, nas narrativas que dão unidade à vida humana e nas tradições vivas de investigação racional.[3] O livro termina com a frase que se tornou antológica: «não estamos à espera de um Godot, mas de outro, sem dúvida muito diferente, São Bento».[3]
Brad Kallenberg resume o argumento central afirmando que as virtudes só são inteligíveis dentro de práticas, as práticas dentro de narrativas, as narrativas dentro de tradições históricas e as tradições na busca de um telos humano partilhado.[4]
Recepção e crítica
A obra recebeu aclamação quase imediata e gerou debate contínuo ao longo de quatro décadas.
Peter Sedgwick elogiou em 1982 o estilo teatral do livro e a evolução intelectual de MacIntyre do marxismo cristão para o aristotelismo, mas questionou se a rejeição total de Kant, Hume e Mill não foi excessiva e se comunidades virtuosas são viáveis na modernidade fragmentada.[5]
Richard Bernstein considerou em 1984 que MacIntyre apresenta um falso dilema entre Nietzsche e Aristóteles, pois o verdadeiro desafio consiste em conciliar a ética das virtudes com os ideais iluministas de liberdade universal e inclusão de todos os seres humanos, ideais que o próprio MacIntyre implicitamente aceita.[6]
Vittorio Hösle propôs em 2012 uma narrativa histórica alternativa na qual, em vez de declínio, houve progresso lento rumo ao universalismo ético, do estoicismo a Kant, e defendeu que a tarefa atual consiste em alargar o universalismo kantiano à justiça intergeracional e ao valor intrínseco da natureza.[7]
George Scialabba, William Connolly, Anthony Ellis e Christos Evangeliou, entre outros, reconheceram a força do diagnóstico, mas apontaram que a proposta positiva permanece vaga ou excessivamente localista face aos problemas globais contemporâneos.[8][9]
Apesar das objeções, quase todos os comentadores concordam que After Virtue deslocou permanentemente o centro da ética anglo-americana das teorias deontológicas e utilitaristas para a ética das virtudes e das práticas.[1]
Referências
- ↑ a b Knight, Kelvin (1998). «The Claims of After Virtue». The MacIntyre Reader. Notre Dame: University of Notre Dame Press. pp. 69–72
- ↑ MacIntyre, Alasdair (2011). Depois da Virtude: um estudo de teoria moral. Traduzido por Jussara Simões. [S.l.]: Edusc/Loyola
- ↑ a b c d MacIntyre, Alasdair (2007). After Virtue: A Study in Moral Theory 3.ª ed. [S.l.]: University of Notre Dame Press
- ↑ Kallenberg, Brad J. (1997). «The Master Argument of MacIntyre's After Virtue». Virtues and Practices in the Christian Tradition. [S.l.]: University of Notre Dame Press. pp. 7–29
- ↑ Sedgwick, Peter (1982). «The Ethical Dance: A Review of Alasdair MacIntyre's After Virtue». The Socialist Register: 259–267
- ↑ Bernstein, Richard J. (1984). «Nietzsche or Aristotle? Reflections on Alasdair MacIntyre's After Virtue». Soundings. 67 (1): 6–29
- ↑ Hösle, Vittorio (2012). «Pode-se fazer um relato plausível da história da Ética? Uma alternativa a After Virtue de MacIntyre». Síntese – Revista de Filosofia. 39 (125): 345–378
- ↑ George Scialabba (2001). «Virtue Signalling»
- ↑ Connolly, William E. (1982). «Review of After Virtue». Political Theory. 10 (2): 315–319
Ligações externas
- Página da editora (University of Notre Dame Press)
- After Virtue (2.ª ed., 1984) no Internet Archive (em inglês, registo gratuito)