Adi ibne Hatim

Abu Tarife Adi ibne Hatim ibne Abedalá Atai (em árabe: أبو طريف عدي بن حاتم بن عبد الله الطائي; romaniz.: Abū Ṭarīf ʿAdī b. Ḥātim b. ʿAbd Allāh al-Ṭāʾī) foi um líder tribal dos taitas e um dos companheiros do profeta islâmico Maomé.

Vida

Adi era filho de Hatim Atai. Quando Maomé enviou uma expedição militar (sarīya) contra os taitas, sob o comando de Ali, ele não conseguiu resistir às forças islâmicas e fugiu com sua família em direção à fronteira da Síria, onde se encontravam árabes cristãos. Os muçulmanos capturaram muitas pessoas, entre elas sua irmã Safana, e as levaram a Medina. Safana apresentou-se diante de Maomé e declarou ter abraçado o Islã. Maomé a libertou e lhe concedeu roupas, provisões, um cavalo e uma ajuda em dinheiro, enviando-a para Damasco, junto de seu irmão Adi ibne Hatim. Satisfeito com o tratamento dispensado à sua irmã, Adi foi a Medina acompanhado de uma delegação da qual Safana também fazia parte. Após sua conversa com o Maomé, aceitou o Islã no ano 7 ou 9 da Hégira (628 ou 630). À época de sua conversão, já havia ultrapassado os cinquenta anos de idade.[1]

A chefia tribal de Adi ibne Hatim prosseguiu durante o período de Maomé. Por meio de sua atuação bem-sucedida, conseguiu que sua tribo se tornasse inteiramente muçulmana e cumprisse plenamente suas obrigações para com o Estado. Dessa forma, adquiriu a reputação de companheiro conhecido por pagar integralmente ao Estado os tributos devidos por sua tribo. Durante o califado de Abacar (r. 632–634), época em que muitas tribos árabes apostataram e se rebelaram contra o poder central, ele manteve firme controle sobre sua tribo e assegurou que os tributos continuassem a ser pagos integralmente. Sob Abacar, participou da campanha da Síria sob o comando de Calide ibne Ualide; no tempo de Omar (r. 634–644), tomou parte na conquista do Iraque e na Batalha de Cadésia (636).[1]

Sob Otomão (r. 644–656), recebeu concessões de terras em Arraua, às margens do Canal de Issa (Nahr ʿĪsā), não muito longe do local onde mais tarde seria fundada Baguedade. Contudo, manteve-se afastado de Otomão e, com base em Atabari (I.3164), parece ter tido ligação com os assassinos do califa. Na Batalha do Camelo e na Batalha de Sifim, posicionou-se ao lado de Ali (r. 656–661), por quem nutria especial afeto e lealdade, uma vez que fora ele o responsável por sua conversão ao Islã. Na Batalha do Camelo, perdeu um dos olhos e seu filho Maomé. Durante as negociações que precederam Sifim, foi um dos delegados enviados por Ali a Moáuia; depois, como porta-estandarte, tomou parte na batalha, na qual três de seus filhos foram mortos (algumas fontes colocam que um de seus filhos foi morto pelos carijitas[1]). Posteriormente, viveu em Cufa, onde não renunciou a seus sentimentos alidas e ofereceu proteção eficaz a membros de sua tribo que eram perseguidos pelo poderoso governador do Iraque, Ziade ibne Abi Sufiane. Morreu no ano 68/687–688.[2]

Adi ibne Hatim, antes de aceitar o islamismo, era cristão e inimigo dos muçulmanos. Mais precisamente, segundo uma das tradições a respeito de sua conversão, professava o recusismo, uma forma religiosa híbrida de cristianismo e sabeísmo. Um dos companheiros de vida mais longa, Adi era, assim como seu pai Hatim, um homem extremamente generoso. A experiência adquirida ao longo de seu prolongado exercício como chefe tribal formou nele um caráter sólido e profundamente enraizado de homem de Estado. Descrito por Omar como um homem leal e virtuoso, Adi transmitiu 66 hádices; destes, sete figuram no Ṣaḥīḥ de Albucari, e 57 no Musnade de Amade ibne Hambal.[1]

Referências

  1. a b c d Yardim 1988, p. 380.
  2. Schaade 1960, p. 195.

Bibliografia

  • Schaade, A. (1960). «ʿAdī b. Ḥātim». In: Gibb, H. A. R.; Kramers, J. H.; Lévi-Provençal, E.; Schacht, J.; Lewis, B.; Pellat, Ch. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume I: A–B. 1. Leida: E. J. Brill 
  • Yardim, Ali (1988). «Adî b. Hãtim et-Tâî». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 1. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 4 de janeiro de 2026