6.ª Armada da Índia (1504)

A Sexta Armada da Índia, sob o comando de Lopo Soares de Albergaria seguiu viagem em 1504 por ordem de D. Manuel I de Portugal. No entanto, houve uma participação privada na frota, porque pelo menos um dos navios foi equipado por Catarina Dias de Aguiar, uma rica comerciante de Lisboa. Essa expedição foi uma das mais bem sucedida segundo João de Barros.[1]

...a armada de Lopo Soares... foi esta sua viagem uma das mais bem afortunadas que se fez de tam grossa armada, porque foi e veo junta em espaço de catorze meses e trouxe mui rica carga, com fazer dous feitos mui honrados, um dos quais foi dos melhores (em ser bem cometido, pelejado e perigoso) que se naquelas partes viu.
 
João de Barros, Décadas da Ásia Livro VII.

De facto, o conjunto das vitorias marítimas de Lopo Soares com as vitórias em terra de Duarte Pacheco Pereira foram o alicerce da fundação do Estado Português da Índia criado no ano de 1505, algumas semanas depois do regresso a Lisboa.[1]

O capitão-mor

Lopo Soares de Albergaria

O capitão-mor era Lopo Soares de Albergaria (por vezes denominado Lopo Soares de Alvarenga, ou simplesmente Lopo Soares). Era filho de Rui Gomes de Alvarenga, chanceler-mor de D. Afonso V.[2] E era um nobre bem relacionado com a família Almeida, cumpriu um mandato bem-sucedido (1495-1499) como capitão-geral de São Jorge da Mina na Costa do Ouro Portuguesa.[1]

Lista dos capitães e dos navios

Os navios

Os preparativos da viagem não podia ter corrido pior, o navio-almirante, o maior navio da frota portuguesa, o “Nunciada” ardeu por completo por desleixo dos marinheiros. Toda a carga foi perdida, principalmente os mantimentos e o vinho só se recuperou o chumbo e o cobre que devia servir de moeda de troca na Índia. Um comerciante italiano, e testemunha ocular, João Francisco Affaitati relata o incidente:

Nau Anunciada em 1500, na Armada de Pedro Álvares Cabral, capitaneada por Nuno Leitão no "LIvro das Armadas"
Os navios mencionados são XI, X do rei sereníssimo, e um de Catarina Dias… O fato dessa frota ser tão pequena deve-se que em sua companhia, estava o navio Nunciada, o maior navio do reino, aquele enviado por esse rei sereníssimo ao Levante como navio-almirante… Esse navio, estando carregado com tudo, tanto de alimentos como de mercadorias, um dia os marinheiros colocaram um caldeirão de piche no fogo e foram fazer outra coisa, de modo que ninguém ficou para vigiar o caldeirão de piche, exceto um rapaz, que mantinha o fogo aceso. E o fogo era tão grande que saltou para o caldeirão e imediatamente, sem ajuda de ninguém, espalhou-se por todo o navio e queimou-o até ao fundo, de modo que nada se salvou, exceto 700 a 800 cântaros de cobre e 300 cântaros de chumbo; tudo o resto queimou, incluindo os alimentos carregados e 400 barris de vinho, a maior parte de pouca qualidade e 1.500 cântaros de biscoitos…Esses onze navios que navegam estão bem abastecidos com dinheiro e mercadorias, de modo que, por uma boa razão, as mercadorias são suficientes para abastecê-los a todos.
 
João Francisco Affaitati[3].

Leonardo da Ca'Masser um espião veneziano relata também o incidente, e indica que partiram assim 11 navios[1]

Del 1504, a di 22 Aprile, mandó al viaggio nave 12, Capitanio Lupo Suarez, delle quaii una si bruso qui in porto. La maggior, la nave Capitanía, se chiamava la Nonziá, carga de merze, che non se poté recuperar alcuna cosa: ando solum nave 11….

Tradução: Em 22 de abril de 1504, o Capitão Lopo Soares enviou 12 navios na viagem, um dos quais ardeu aqui no porto. O maior deles, o navio-almirante, chamava-se “Nunciada”, da carga nada pôde ser recuperado. Assim apenas 11 navios partiram.

 
De Lunardo da Cha Masser[4].

Mas os cronistas portugueses falam em doze, “Uma armada de doze naus grossas….”[5] ou treze ("de nove naos grossa e quatro somenos navetas pequenas"),[6], por isso a composição exata da frota da 6ª Armada não é conhecida. Sabemos que haviam uma maioria de Carracas ou naus, para o transporte das mercadorias principalmente especiarias, mais algumas "navetas'" (caravelas) que, se não houvesse carga, ficariam na Índia,[6] para reforçar o patrulhamento costeiro e 1200 homens.[2]

Representação da 6.ª Armada da Índia, em Livro das Armadas

Além da Anunciada que ardeu em Lisboa, os navios eram o Cirne, (nau), o Rei pequeno (nau) e a “Nau Santo Espíritos que se chama Jelio”, a Leitoa nova, a nau Francesa, a nau Rei grande, o Bate-cabelo, o Navio Ferros, o Sant’António e o navio de Catarina Dias. Juntaram-se a esquadra a Taforrea de Rui Lourenço, a nau de D. Nuno de António Saldanha e a nau de Setúbal de Diogo Fernandes Pereira.[7] Daí talvez a confusão dos cronistas, de fato eram onze barcos na ida mas quatorze na viagem de volta e treze a chegada em Lisboa (o navio de Pêro de Mendonça afundou-se durante a viagem de volta).

Os Capitães

  • 1. Lopo Soares capitão-mor
  • 2. Pêro de Mendonça, capitão da Leitoa Nova desapareceu na viagem de volta.[8]
  • 3. Leonel Coutinho
  • 4. Lopo de Abreu (da Ilha)
  • 5. Pedro Afonso de Aguiar (com alcunha de o raposo).
  • 6. Lopo Mendes de Vasconcelos
  • 7. Manuel Teles de Vasconcelos[6] [nota 1]
  • 8. Tristão da Silva
  • 9. Filipe de Castro capitão do Rey pequeno[7]
  • 10. Vasco da Silveira
  • 11. Afonso Lopes da Costa, capitão da “nao Santo Espritos que se chama a Jelio”[9]
  • 12. Vasco de Carvalho
  • 13. Pedro Dias/Dinis de Setúbal (naveta), omitido em algumas listas.[nota 2][10]Dois dos capitães são veteranos de expedições anteriores: Pedro Afonso de Aguiar e Lopo Mendes de Vasconcelos navegaram na 4ª Armada de 1502.

A Missão

A 2ª Armada portuguesa da Índia (1500), sob o comando de Pedro Álvares Cabral, iniciou as hostilidades entre o Reino de Portugal e o Samorim (rei) de Calecute ( Kozhikode), potência marítima dominante na Costa do Malabar, na Índia.

A numerosa e bem armada 4ª Armada de 1502, liderada por Vasco da Gama, esperava, por meio de uma forte demonstração de força, persuadir o Samorim a negociar. Mas, apesar do terror, bombardeamento e cerco, o Samorim recusou-se a ceder. Essa resistência convenceu Vasco da Gama de que seria uma luta mais longa do que previsto, e que exigiria mais homens e poder de fogo do que ele tinha à disposição. A 4ª Armada de Gama deixou a Índia, com a intenção de solicitar a Lisboa uma frota mais forte, com homens e armas suficientes, senão para conquistar Calecute, pelo menos para defender as cidades-estado aliadas de Portugal, Cochim ( Kochi) e Cananor ( Kannur).

Gama entregou seu relatório a Lisboa em 1503, tarde demais para influenciar o equipamento da 5ª Armada, que havia partido sob o comando de Afonso de Albuquerque alguns meses antes. Embora não estivesse equipada para desafiar Calecute, a 5ª Armada fez o suficiente para impedir que Cochim caísse nas mãos do exército do Samorim e ajudou a reforçar suas defesas com a construção de um forte de madeira na cidade.

Baseando-se apenas no relatório de Vasco da Gama, a 6ª Armada que partiu no início de 1504 foi equipada de forma mais adequada, trazendo mais soldados e navios para proteger as feitorias portuguesas em Cochim e Cananor. Como explicitamente mencionado em seu regimento, Lopo Soares de Albergaria recebeu ordens estritas para não aceitar a paz com o Samorim de Calecute.

Viagem de ida

  • 22 de abril de 1504 - Os navios da 6ª Armada deixam o estuário do Tejo.[2]
  • 2 de maio - Os navios chegam a Cabo Verde. Lopo Soares informa os capitães que por causa do incêndio partiram de Lisboa tão tarde que agora não havia margem para erros. É estabelecido um conjunto de instruções de navegação rigorosas e avisa os pilotos e capitães que em caso de erro seriam multados em 10 cruzados e presos até a Índia sem soldo.[5]
  • Junho - Prosseguindo em boa ordem, a 6ª Armada chega ao Cabo da Boa Esperança. Apesar das recomendações de Lopo Soares para evitar incidentes, os navios de Afonso Lopes da Costa e de Pero Afonso de Aguiar colidiram e esse último quase se afundava, mas conseguiram tapar as frinchas com couro e breu.[5]

25 de junho - A 6ª armada chega à ilha de Moçambique. Procede-se as reparações.[2] Lá, Lopo Soares encontra a carta deixada por Pero de Ataíde, antigo capitão da patrulha da Índia, que tinha falecido em fevereiro, e ficou assim informado do desastre da patrulha costeira de Vicente Sodré.

  • 1º de agosto - Lopo Soares parte de Moçambique. Embora instruído pelo seu regimento a fazer uma paragem em Melinde, é possível que não a tenha feita. No entanto, Damião de Góis e João de Barros relatam que a 6ª Armada parou bem em Melinde e foi como de costume bem recebida pelo Sultão que não apenas reabasteceu os navios, como forneceu a Lopo Soares um piloto muçulmano chamado Debucar. Também entregou seis (ou dezasseis[5]) marinheiros portugueses náufragos, sobreviventes do navio de Ataíde, que haviam sido resgatados por barcos de Melinde no início daquele ano. E que o informava do ataque de Calecute a Cochim na primavera anterior. A 6ª Armada permaneceu lá apenas dois dias, antes de partir para a travessia do Oceano Índico.

Lopo Soares na Índia

Embora com algumas informações, Lopo Soares ignorava mas provavelmente suspeitava, que estava a decorrer uma batalha desesperada em Cochim. Em março, o Samorim de Calecute lançava um ataque maciço contra Cochim, com a intenção de capturar a cidade e tomar a fortaleza portuguesa com cerca de 57 000 soldados, equipados com armas de fogo turcas e canhões venezianos. A pequena guarnição portuguesa em Cochim, com cerca de 150 homens sob o comando de Duarte Pacheco Pereira, graças a um posicionamento inteligente, heroísmo individual e alguma sorte, não só conseguiu repelir esse ataque como muitos outros do exército e da frota nos meses seguintes. O último ataque tinha decorrido no início de julho, após o qual, o humilhado Samorim abandonava a ideia duma invasão.

  • Agosto de 1504 - a Armada de Lopo Soares de Albergaria chega à Ilha de Angediva. Lá, encontra os navios de António de Saldanha e Rui Lourenço Ravasco.[2] Eles haviam feito parte da terceira esquadra da 5ª Armada do ano anterior. Relataram sua triste história: como se perderam e se separaram na África, como passaram o inverno atacando portos da África Oriental e navios do Mar Vermelho, e como só conseguiram realizar a travessia do Oceano Índico neste verão. Não tinham ideia do paradeiro do navio de Diogo Fernandes Pereira, tendo perdido o rastro dele há quase um ano. (Por coincidência, Diogo Fernandes Pereira havia passado o inverno sozinho em Socotorá e empreendido a travessia para a Índia no início daquela primavera, e chegando a Cochim a tempo de ajudar Duarte Pacheco a repelir os ataques do Samorim.)
  • Final de Agosto/Início de Setembro de 1504 - Saldanha e Lourenço juntam-se a 6ª Armada até Cananor. Chegando lá, Albergaria ouve finalmente relatos mais completos do feitor de Cananor, Gonçalo Gil Barbosa, sobre a batalha de Cochim. Enquante Lopo Soares carrega os barcos de gengibre chega um moço português prisioneiro do Samorim com uma carta dos outros prisioneiros pedindo um acordo de paz com o Samorim para serem libertados.[2]
  • 7 de setembro de 1504 - A Armada chega a Calecute.[2] Lopo Soares envia uma mensagem ao Samorim, exigindo- lhe a entrega de todos os prisioneiros portugueses e dos agentes venezianos. (Porque na segunda armada de Vasco da Gama havia dois italianos João Maria e Pedro António supostos lapidarios que queriam ficar em Cochim para comprar pedras preciosas. Na verdade fugiram para Calecute para ajudar o rei a fundir canhões, a mando de Veneza. Até 1506 fundiram 300 peças e ensinaram o ofício a muitos indígenas.[11]) O Samorim estava ausente da cidade naquele momento, mas seus ministros estavam dispostos a libertar os prisioneiros portugueses, mas não a entregar os italianos[nota 3]. Em resposta Lopo Soares ordena a Armada de bombardear Calecute durante quarenta e oito horas, causando grandes danos e mais de 300 mortos.[2]

A Armada segue para o sul, em direção a Cochim. Lá, no dia de 14 de setembro, foram recebidos no Forte Manuel pelo Raja Trimumpara e pela cansada guarnição portuguesa. Contudo, o comandante do forte, Duarte Pacheco Pereira, não se encontrava presente naquele momento (havia partido recentemente para uma viagem a Coulão, para verificar a feitoria portuguesa local). Trocaram cumprimentos e presentes, uma carta de D. Manuel, vinte mil cruzados em ouro trazidos em dez bacios de prata com algumas armas e tecidos preciosos, como recompensa da sua aliança.[6] Ao saber da chegada da armada, Duarte Pacheco volta para Cochim e encontra Lopo Soares em 14 de setembro (ou 22 de outubro, segundo Castanheda).

Ataque a Cranganor

Outubro de 1504 - Enquanto estava em Cochim, Lopo Soares recebia notícias de que o Samorim de Calecute tinha enviado uma força para fortificar Cranganor, a cidade portuária na extremidade norte da lagoa de Vembanad era o ponto de entrada habitual do exército e da frota do Samorim nos canais de Malabar. Interpretando isso como uma preparação para um novo ataque a Cochim após a partida da 6ª Armada, Lopo Soares a pedido do rei de Cochim,[2] decide de realizar um ataque preventivo e ordena que um esquadrão de cerca de dez navios de guerra e numerosos bateis e paraus cochineses se dirigissem para lá. Os navios mais pesados, incapazes de navegar pelos canais rasos, ancoravam em Palliport (Pallipuram, na extremidade externa da ilha de Vypin, que guardava o canal entre Cranganore e o mar). Convergindo para Cranganor, a frota luso-cochinesa de Vembanad dispersa rapidamente as forças do Samorim na praia com fogo de canhão e, em seguida, desembarca uma força de assalto - cerca de 1.000 portugueses e 1.000 cochineses Nairs, que enfrentaram o resto das forças do Samorim com espingardas e bestas. As forças do Samorim foram derrotadas e expulsas da cidade. As tropas conjuntas capturam Cranganor e submeteram a antiga cidade, outrora grandiosa capital da Dinastia Chera de Kerala, a um saque e destruição completo e violento. Mesmo enquanto os combates principais ainda estavam em curso, incêndios deliberados foram iniciados ao redor da cidade por esquadrões liderados por Duarte Pacheco Pereira e por Diogo Fernandes Correia.[5] Os incêndios consumiram rapidamente a maior parte da cidade que estava vazia, os habitantes tinham fugido, menos a parte dos Cristãos de São Tomé, que Lopo Soares mandou poupar. Os portugueses tiveram 6 mortos e muitos feridos[6]

Ao saber do ataque, o Samorim envia uma frota de Calecute formada às pressas, composta por cerca de 5 navios e 80 paraus, para salvar a cidade. Mas foram intercetados pelos navios portugueses perto de Palliport e derrotados num breve encontro naval.

Dois dias depois, os portugueses recebiam uma mensagem urgente do rajá de Tanur ( Tanore ), cujo reino ficava ao norte, na estrada entre Calecute e Cranganor que tinha entrado em conflito com seu suserano, o Samorim, e oferecia-se para se submeter à suserania portuguesa em troca de assistência militar. Ele relatava que uma coluna de Calecute, liderada pelo próprio Samorim, fora reunida a pressa para tentar salvar Cranganor, mas que conseguiu bloquear sua passagem em Tanur. Lopo Soares envia imediatamente Pêro Rafael com uma caravela com 40 homens para auxiliar os tanurenses.[2] Mas a coluna do Samorim foi derrotada em antes da chegada da caravela.[2]

O ataque a Cranganor e a deserção de Tanur representavam sérios reveses para o Samorim, empurrando a linha de frente para o norte e, na prática, colocando a lagoa de Vembanad fora de seu alcance. Quaisquer esperanças que o Samorim tivesse de retomar rapidamente suas tentativas de capturar Cochim através dos canais eram efetivamente frustradas. Demais, as batalhas de Cranganor e Tanur, que envolveram um grande número de capitães e tropas de Malabar, demonstrava claramente que o Samorim já não era temido na região.[5] A Batalha de Cochim havia fragilizado a sua autoridade e assim reativado antigos conflitos. Cranganor e Tanur mostrava que os malabares não temiam desafiar sua autoridade e pegar em armas contra ele. Com os mercados de especiarias de Cochim estavam devastados pelo recente cerco, Lopo Soares manda coletar especiarias em outros lugares. Quatro ou cinco navios (Lopes da Costa, Aguiar, Coutinho, Abreu e talvez outro) foram enviados a Coulão. E dois outros navios (Pêro de Mendonça e Vasco Carvalho) foram enviados para patrulhar a costa ao sul de Calecute e apreender quaisquer navios mercantes que conseguissem, enquanto Tristão da Silva, acompanhado por cinco pinaças locais, era enviado para patrulhar a lagoa.[6]

Partida de Cochim

Batalha de Pandarane

Deixando em Cochim, Manuel Teles de Vasconcelos, Pero Rafael,[5] Diogo Dias e Cristóvão Juzarte, Lopo Soares iniciava a sua viagem de regresso, mas ele aprenda que em Pandarane encontrava-se dezassete naus de mercadores do estreito de Meca para carregar especiarias e decide ataca-las.[2] ( Para Lopes Castanheda foram as naus dos mouros que atacaram os portugueses ”sayrãlhe do porto dez paraos de mouros da cõpanhia das dezasete nãos que disse: & de cuydarem que Lopo soarez nã ousaria de pelejar coeles por ire as suas naos carregadas, lhe começarã de tirar com a artilharia dado grandes gritas.“[5]) De facto, suas naus estavam muito carregadas de especiarias para manobrar adequadamente, então Lopo Soares enviou-as para Cananor e atacou a frota de transporte egípcia em Pandarane com apenas duas caravelas e 15 bateis malabares, carregados com capenas 360 soldados portugueses contra dezassete naus. Esta ousada empreitada encurralou a frota egípcia no porto de Pandarane e, na subsequente e feroz batalha, Soares conseguiu capturar e queimar os navios, matando cerca de 700 homens. As baixas portuguesas foram de 23 mortos e 170 feridos.[2] (ou 25 mortos e 127 feridos[5])

Viagem de volta

  • 6 de janeiro de 1505 [nota 4] - Após uma breve parada em Cananor, Lopo Soares e a 6ª Armada partem de volta através do Oceano Índico.[1]
  • 1 de fevereiro de 1505 - A 6ª Armada chega a Melinde. Ali recolhiam parte dos despojos que António de Saldanha e Rui Lourenço Ravasco haviam depositado nas suas expedições predatórias pela África Oriental e Cabo Guardafui no ano anterior. A armada passa por Quiloa, onde Lopo Soares anuncia sua intenção de cobrar o tributo anual devido ao Rei Manuel I de Portugal (imposto por Vasco da Gama em 1502). Mas o emir Ibrahim recusou. Lopo Soares, com seus navios carregados demais para arriscar danos em um confronto, seguiu viagem.[2]
  • 10 de fevereiro de 1505 - A 6ª Armada faz uma escala na ilha de Moçambique para reparações e reabastecimento. Percebendo que a estadia seria de duas semanas, Lopo Soares envia dois navios - o Pêro de Mendonça e o Lopo de Abreu - à sua frente para Lisboa, a fim de anunciar os resultados. O navio do Pêro de Mendonça perdeu-se depois do Cabo das Correntes, provavelmente naufragando na costa sul-africana. O Lopo de Abreu chegará a Lisboa em dia 13 de julho.[2]
  • 20[6] ou 22[2][5][12] de julho de 1505 - Nove dias após a chegada de Lopo de Abreu, a frota principal de Lopo Soares de Albergaria chegava a Lisboa. Com exceção do Pêro de Mendonça, a frota estava intacta. A carga da 6ª Armada foi considerada pelos contemporâneos como uma das melhores já trazidas da Índia.[2] Ainda mais bem recebida é a figura de Duarte Pacheco Pereira, cujos feitos Lopo de Abreu já havia relatado à corte real. O rei Manuel I de Portugal ordenou uma receção sumptuosa e celebrações públicas em honra do herói de Cochim.[6]


Balanço dos produtos importados

Carga de pimenta por navio[7]

Nau Leitoa Nova,no Livro de Lisuarte de Abreu
Carga de pimenta por navio
Navios Quantia Original
em (Quintais . Arrobas . arrateis)
Peso em kg (aprox.)
Cirne 3 582 . 1 . 22 184 154 kg
Rei Grande 2363 . 1 . 9 121 486
Bate-cabelo 1 026 . 3 . 5 52 782
Gelioa 1.203 . 2 . 10,5 61 870
Dom Nuno 13 . 1 . 5,5 683
Setúbal 2 334 . 0 . 0 119 979
Rei Pequeno 961 . 3 . 0 49 438
Leitoa 2.850 . 0 . 7 146 507
Francesa 1 421 . 1 . 6 73 061
Santo António 1 800 . 3 . 15 92 573
Ferros 886 . 3 . 17 45 590
Taforrea 1 283 . 3 . 13 65 996
Catarina Dias 479 . 1 . 0 24 636
TOTAL 20 207 . 1 . 14 1 038 759

Evolução da chegada de Pimenta (en Quintais) em Lisboa pelas Armadas de 1501 até 1505[13]

5 000
10 000
15 000
20 000
25 000
30 000
1501
1502
1503
1504
1505


Carga total da armada em especiarias[7]

Bens importados
Especiarias Quintais Arrobas Arrateis Peso em kg (aprox.)
Pimenta 20207 1 14 1 038 759
Pimenta-longa 1 2 18 84
Gengibre 554 28 478
Canela 171 17 9 008
Cravo-da-índia 139 3 30 7 195
cardamomo 4 14 385
Macis 1 1 8 67
Tamarindo 6 308
Mirra 10 514
Cânfora 3 1 12 171
Gálbano 4 1 4 220
Erva Lombrigueira ou abrótono
(artemisia indica)
2 2 128
Aloe de socotra 2 1 115
Laca 8 26 745
Índigo 3 13 321
TOTAL 1 086 498
1 086 toneladas
Pimenta: 1 038 759 kg (95.6%)Pimenta-longa: 84 kg (0.0%)Gengibre: 28 748 kg (2.6%)Canela: 9 008 kg (0.8%)Cravo-da-índia: 7 195 kg (0.7%)cardamomo: 385 kg (0.0%)Macis: 67 kg (0.0%)Tamarindo: 308 kg (0.0%)Mirra: 514 kg (0.0%)Cânfora: 171 kg (0.0%)Gálbano: 220 kg (0.0%)Erva Lombrigueira: 128 kg (0.0%)Aloe: 115 kg (0.0%)Laca: 745 kg (0.1%)Índigo: 321 kg (0.0%)
  •   Pimenta: 1 038 759 kg (95.6%)
  •   Pimenta-longa: 84 kg (0.0%)
  •   Gengibre: 28 748 kg (2.6%)
  •   Canela: 9 008 kg (0.8%)
  •   Cravo-da-índia: 7 195 kg (0.7%)
  •   cardamomo: 385 kg (0.0%)
  •   Macis: 67 kg (0.0%)
  •   Tamarindo: 308 kg (0.0%)
  •   Mirra: 514 kg (0.0%)
  •   Cânfora: 171 kg (0.0%)
  •   Gálbano: 220 kg (0.0%)
  •   Erva Lombrigueira: 128 kg (0.0%)
  •   Aloe: 115 kg (0.0%)
  •   Laca: 745 kg (0.1%)
  •   Índigo: 321 kg (0.0%)

Base de cálculo: 1 Quintal velho usado para as especiarias (Q) = 4 arrobas = 128 Arrateis = 51,405 kg, 1 Arroba (A) = 32 arrateis = 12,85125 kg, 1 Arrátel (arr) = 0,401590 kg[11]

O espião veneziano Leonardo da Ca'Masser geralmente bem informado dava outros numeros

De 1505, a 22 de julho, regressaram 10 naus, Capitão Lupo Soares; e uma chegou antes, a 30 de junho, e as duas últimas chegaram a 23 de agosto; e uma perdeu-se ao largo do Cabo da Boa Esperança no regresso: de modo que chegaram no total 13 naus, as quais trouxeram 24 mil quintais de especiarias. A qualidade delas, na verdade: pimenta 22 mil quintais, canela 350, C? 450 quintais, cravos-da-índia 150 a 200, macis 7, cânfora 15, pimenta longa 10, laca 60, gengibre 80, pérolas por onça, 750 onças, no valor de 4000 ducado...
 
Ca'Masser[12].

Ca'Masser na sua relação até fala em pérolas, mas omite alguns produtos (índigo, gálbano, tamarindo, aloe, Erva Lombrigueira, mirra). No entanto os seus numeros poderão ser exatos, porque curiosamente o inventário cita a carga da Leitoa Nova de Pêro de Mendonça. Ora Pêro de Mendonça naufragou na viagem de volta. Será noutro navio? ou será que o inventário resulta dos dados da Índia e não de Lisboa?


Balanço dos bens exportados

Citando sempre a relação de Ca’Masser.

...mercadorias que foram vendidas na presente remessa na Índia, ou seja, Cobre 2800 quintais a 12 ducados o quintal, os quais não se podem vender nem mais nem menos, por ser assim o acordo feito entre eles, o qual o Almirante fez em Cochim: 1/4 de cobre ao dito preço, e 3/4 em dinheiro; isto entende-se somente na pimenta: cinábrio 300 quintais a 20 ducados o quintal; prata viva (mercúrio) 300 quintais, a 18 a 19 ducados; chumbo 500 quintais, a 6 ducados o quintal; corais, ou seja, botões 6500 quintais (certamente onças e não quintais), a um ducado a onça: e mais contrato dito Capitão em Cochim; em Cananor, em Chaucoulã, em Culão, em Comorim, em Belém, no regresso de Cochim.
 
Ca’Masser[12].
Bens exportados e trocados com especiarias segundo Ca'Masser
Mercadoria Quantidade em Q. Preço em ducados/quintal Valor em ducados
Cobre 2800 12 33600
Cinábrio 300 20 6000
Mercúrio 300 18,5 valor medio 5550
Chumbo 500 6 3000
Corais 6500 onças 1 6500
TOTAL 54650

As despesas

O total dos bens dados em troca é de 54 650 ducados mais os 20 000 crusados oferecidos e outra ofertas (cama, armas, 10 bacios de prata, tecidos…). Os ducados venezianos tinham o mesmo peso que os Cruzados mas eram um pouco mais puros, mesmo assim podemos equiparar um a outro.[11] O preço de compra da pimenta foi fixado por Vasco da Gama em 2 ½ cruzados por quintal pagos em cobre e em dinheiro ou seja em ouro (moedas de 3,54 gr de ouro).[11] O preço da compra de 22 000 qintais de pimenta é de 55 000 cruzados, e o total de despesas em bens ultrapassa os 125 000 cruzados.

As receitas

De acordo com os estudos de Vitorino Magalhães Godinho e registos da Casa da Índia, a pimenta era vendida em Lisboa em 1505 ( 10 de Abril) por 22 ducados por quintal para os grandes negociantes como Bartolomeu Marchionni, e chegava a 35-40 ducados em mercados finais como Antuérpia. Assim a venda de 22 000 quintais (dados de Ca’Masser) podiam representar um valor de 484 000 ducados com um preço de 22 ducados por quintal. Como vemos o preço só da pimenta pagava as despesas de investimento em bens no entanto falta as despesas em pessoal, mantimentos, material (armas, pólvora, velas, cordas...) manutenção dos navios, mais a perca enorme de dois navios, um queimado em Lisboa e outro perdido na viagem de volta.

Em Veneza em 1503 o preço do quintal de pimenta andava por volta dos 90 ducados (segundo Priuli),[11] comparados aos 22 de Lisboa a concurência da rota do Cabo era manifestamente insustentável para os comerciantes venezianos.

Consequências

Reação de Veneza

...che questa navigatione et questo viazo da Lisbona in la India sia facillissimo, et se poteva reputar la citade veneta ruinata...

Tradução:..esta navegação e esta viagem de Lisboa à Índia são muito fáceis, e a cidade veneziana poderia ver-se arruinada...

 
Carta do dia 8 de julho de 1505 de João Francisco Alfaitati a Serenissima Signoria (Orgão supremo da República de Veneza) [14].
Aos 24 do dito (mês). Chegaram cartas de Espanha, da Corte, datadas de 7 deste mês, do embaixador veneziano, pelas quais se entendia como haviam recebido cartas de Portugal, de Lisboa, de 25 de agosto (1505); (contando) como aos 18 de agosto chegaram 10 caravelas vindas da viagem da Índia, e no dia 20 e 26 do dito mês de agosto chegaram mais outras caravela — ao todo 13 caravelas, comtando uma vinda anteriormente que vinha da Mina do ouro, e apenas duas caravelas se perderam (como aparece aqui nas folhas 155 e 168, a sua partida). Dizia-se que nestas caravelas vinha uma carga de 22 mil quintais de especiarias, a maior parte pimenta, gengibre e poucos cravos-da-índia (não chegando a 2000 quintais). E esta notícia deixou morta toda a cidade de Veneza, isto é, os mercadores e outros que verdadeiramente consideravam o futuro e o tamanho do dano que seria para a cidade ter perdido a navegação [das especiarias]. Sendo esta viagem de Calecute a Portugal feita de forma muito fácil, seria necessário abandonar a navegação [veneziana], grande sustento da cidade. No entanto, alguns, segundo o costume, viviam na esperança de que esta viagem não pudesse durar e que o senhor Sultão [do Egito] devesse tomar alguma providência; todavia, por ora, os danos eram evidentes.
 
Girolamo Priuli[15].

Veneza esta em choque e consternação, essa viagem confirma que a rota portuguesa era viável e eficiente, as especiarias chegam em grande quantidade e sem intermediários, ou seja muito mais barata, na Europa. Veneza, percebe que não só é o fim do monopólio do comercio da especiarias do Oriente mas sobre tudo que sem reação é o fim mesmo desse negocio e dos lucros opulentes que fizeram a riqueza de Veneza. Par acompanhar o assunto é nomeada uma junta de 15 membros[16] e no verão de 1505, o Conselho dos Dez de Veneza (orgão da República de Veneza responsável pela segurança do Estado, incluindo a espionagem e a diplomacia envia um novo embaixador, Alvise Sangudino, para o Cairo, para mais uma vez pressionar o Egito e pôr em pratíca um plano de defesa comum, repetindo o que já tinha dito outros embaixadores como Benardino Giova, Teldi, Sanuto, que era urgente aumentar a oferta para enfrentar a concorrência de Lisboa, estimulando a defesa de Calicut e persuadir o Cochim e Cananor a não vender aos portugueses.[13]

Principiava assim a translação das relações comerciais com o Oriente da bacia mediterrânica para o oceano Atlântico, primeiro com Portugal mas pouco depois com Espanha, Holanda, Inglaterra. Todavia essa transferência foi parcial, e muita mercadoria continuou de passar pelo Médio Oriente em antes de abstecer a Europa.[13]

As reações no Oriente

1504 foi um ano de transição para o Samorim que via-se defrontado com problemos internos e a reativação de antigos conflitos com os seus vasais, os aliados dos portugueses eram mais confiantes e em número crescente, ameaçando a sua autoridade. Demais a derrota pesada dos seus aliados com a destruição da frota árabe-egípcia em Pandarane foi outro duro golpe para o Samorim. Os mercadores árabes fugiam, e ele que esperava desesperadamente persuadir o Sultanato Mameluco do Cairo a vir em seu auxílio e ajudá-lo a dominar os portugueses. Após Pandarane, o Samorim temia que os árabes não quisessem arriscar tais perdas novamente e simplesmente abandonassem Calecute à sua própria sorte.

Os portugueses pareciam ter agora a oportunidade de escrever o próximo capítulo da história de Kerala e do comércio de especiarias. As bases para a criação dum Estado Português na Índia estavam criadas.[1] Mas seus temores eram infundados, pois naquele mesmo momento estavam sendo iniciados os preparativos no Cairo para um contra-ataque contundente contra os portugueses. O sultão mameluco Axerafe Cançu Algauri do Egito havia adotado até então uma postura amplamente passiva em relação aos estragos portugueses em sua retaguarda, por exemplo, evacuando seus cidadãos da Índia e ampliando o porto de Gidá para abrigar navios muçulmanos perseguidos pelos portugueses. Mas os repetidos apelos do Samorim, apoiados pelos governantes de Sultanato de Guzarate, Adem,[2] Sultanato de Quiloa e da República de Veneza,[13] e principalmente os prejuizos ao tesouro das perdas das taxas alfandegárias e impostos perdidos devido à interrupção no comércio de especiarias no Mar Vermelho e no fluxo de peregrinos para a Meca, convenceram o sultão mameluco do Egito de que medidas mais enérgicas deveriam ser tomadas para expulsar os portugueses do Oceano Índico. (ver Conflitos Luso-Mamelucos )

Veja também

Notas

  1. Muitas vezes confundido com Manuel Teles Barreto[1]
  2. Os capitães de três das navetas são identificados em todas as crónicas, embora haja alguma divergência sobre a quarta (se é que houve uma quarta). A lista de capitães baseia-se principalmente nas Décadas de João de Barros (1 Dez., Lib.7), na Crónica de Damião de Góis, na História de Fernão Lopes de Castanheda "...os capitães desta armada forão Pêro de Mêdoça , Lionel Coutinho, Tristão da silva, Lopo Mendez de Vasconcelos, Lopo Dabreu, Felipe de Crasto, Afonso Lopez da Costa, Pedrafôso Daguiar, Vasco da Silveira, Vasco Carvalho, Pêro Dinis de Setuuel todos fidalgos & cavaleyros" e nos Annaes da Marinha de Quintella. A Relação das Naus da Índia introduz algumas variações de nomes. Gaspar Correia difere dos restantes: omite a quarta nau de Pedro Dias (ou Dinis) de Setúbal, e introduz em seu lugar duas novas naus, uma sob o comando de Simão de Alcáçova, outra sob o comando de Cristóvão de Távora, elevando o total para catorze. Para chegar novamente ao número treze, Correia afirma que o capitão-mor Lopo Soares de Albergaria não tinha navio próprio, mas estava a bordo do navio comandado por Pêro de Mendonça (pelo menos na viagem de ida)"...por capitães Pero Mendoça, Leonel Coutinho, Tristão da Silva, Lopo Mendes de Vascogoncellos, Lopo d’Abreu da Ilha,Felipe de Crasto, Pero Afonso d’Aguiar, Vasco da Silveira, Manuel Telles Barreto, estes todos de naos grossa pera carregar e Pero de Mendoça capitão da nao capitania; e Afonso Lopes da Costa, Vasco Carvalho, Chritovão de Tavora, Simão d’Alcaçova estes de navetas"
  3. Barros fala em dois gregos de Esclavónia
  4. CONHECIMENTO Cananor, 4 janvier 1505 Sejam çertos os que este conheçimento virem como he verdade que Pero Afonso da Guiar, fidalguo da cassa del-Rey nosso senhor e capitão de Batecabello reçebeo de Gonçallo Gill Barbossa feitor do dito senhor em Cananor çento e oyto quintaes de gengyvre…. Assim comprova-se que a data de partida de dezembro avançada por Gaspar Correia e falsa

Referências

  1. a b c d e f g Mare Luso-Indicum, l’océan indien, les pays riverains et les relations internationales, XVI-XVIII siècles, publicação do CENTRE D'ÉTUDES ISLAMIQUES ET ORIENTALES D'HISTOIRE COMPARÉE (Équipe de recherche associée au CNRS nº 206) et du CENTRE D'ÉTUDES PORTUGAISES de l'École Pratique des Hautes Études, IVe section. Artigo: Le premier voyage de Lopo Soares en Inde (1504-1505) de Geneviève Bouchon, 1976, SOCIÉTÉ D'HISTOIRE DE L'ORIENT, Paris
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r de Barros, João (2014). OPHIR - Biblioteca Virtual dos Descobrimentos Portugueses Center for the Studies of the Portuguese Discoveries - Oxford & Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses., ed. Décadas da Ásia: Dos feitos, que os Portuguezes fizeram no descubrimento, e conquista, dos mares, e terras do Oriente. Livro VII cap.IX. [S.l.: s.n.] 
  3. I diarii di Marino Sanuto, tradução da "Copia de una letera di Lisbona, scrita per Zuan Francesco de la Faitada a l’orator nostro in Spagna, dada a dì 7 april 1504, et zonta a Venecia a dì 27 mazo 1504". VI. Veneza: [s.n.] 1881. pp. 26–27 
  4. Centenário do descobrimento da América. Memórias da comissão portuguesa, Lisboa, 1892, documento nº73
  5. a b c d e f g h i j Lopes de Castanheda, Fernão (1833). Historia do descobrimentos e conquista da Índia pelos portugueses. I cap. XC. Lisboa: [s.n.] 
  6. a b c d e f g h Correia, Gaspar (1859). Academia Real das Sciencias, ed. Lendas da India. Livro primeiro, Tome I parteII. Lisboa: [s.n.] 
  7. a b c d Navios citados em dois documentos dos arquivos da Torre do Tombo: Relação da especearia pertecente a el-Rei que trouxeran Lopo Soares da Índia, s.d., TdT, CM 3-337 e relação das especearias que pertenciam a varios sugeitos empregados nas naos da Índia, s.d., CM 3-367 (Cópia dos documentos em Mare Luso-Indicum) "SOMA DE TODA A PIMENTA QUE VEO NA VIAJEMDE LOPO SSOAREZ xx biijcLRb quintais j aroba xbij arateis saber, iij Lxxxij.j.xxij. no Çirne E ij iijcLxiij.j.ix no Rrey Grande Ej xxbj.iij.b. Batecabelo Ej ijciij.ij.x 1/2. Julioa Ej xiij.j.b 1/2. a de Dom Nuno E ij iijexxxiiij. a de Setuvel E ixcLxj.iij. arobas o Rey Pequeno... Item. De Felipe de Crasto, capitam... E ij biijcL.o.bij. a Leitoa E j iiijcxxj.j.bj. a Françessa Ej Riij.iij.xb.Ssanto Amtonio E biijcLxxxbj.iij.xbij.o Fferros Ej ijexxbiij.iij.xiij.a Taforea...Item. De Ruy Lourenço, capitam.... Ej iiijcLxxix.j aroba a de Catharina Diaz."
  8. "MANDADO Cananor, 5 janvier 1505 Lopo Soarez, fidalguo da cassa del-Rey nosso senhor e do seu comsselho e capitam moor desta ssua frota, vos mando que des a Pero de Memdoça, outro ssy fidalgo da cassa do dito senhor e capitam da naao Leytoa Nova..." Cópia em Mare Luso-Indicum
  9. CONHECIMENTO Cananor, 4 janvier 1505 Sejam çertos hos que este conhyçimento vyrem como Álvaro Lopez, cavaleyro da cassa del-Rey nosso senhor he feytor da nao Santo Espritos que sse chama ha Jelioa de que he capitam Afonso Lopez da Costa...Documento da Torre do Tombo. Cópia em Mare Luso-Indicum
  10. Lacerda, Teresa (2006). Os Capitães Das Armadas Da Índia No Reinado De D. Manuel I – Uma Análise Social (Tese de Dissertação de mestrado em História e Arqueologia da expansão e dos descobrimentos portugueses). Universidade Nova de Lisboa 
  11. a b c d e Magalhães Godinho, Vitorino (1984). Presença, ed. Os descobrimentos e a economia mundial. III. Lisboa: [s.n.] 
  12. a b c Relazione di Leonardo da Ca'Masser alla serenissima Repubblica di Venezia sopra il commercio dei Portoghesi nell'India dopo la scoperta del Capo di Buona Speranza (1497-1505).
  13. a b c d Magalhães-Godinho, Vitorino (1969). École Pratique des Hautes Études, ed. L'économie de l'empire portugais aux XVe et XVIe siècles (em francês). Paris: [s.n.] 
  14. Fulin, Rinaldo (1881). Diarii e diaristi veneziani, Terzo congresso geografico. Veneza: [s.n.] 
  15. Priuli, Girolamo. Nicola Zanichelli, ed. I diarri de Girolamo Priuli. II. Bologna: [s.n.] 
  16. Visconde de Soveral (1893). Impressa Nacional, ed. Apontamentos sobre as antigas relações politicas e commerciais de Portugal com a republica de Veneza. Lisboa: [s.n.] 

Bibliografia

Primárias

Secundárias

  • Bouchon, G. (1976) "La premier voyage de Lopo Soares de Albergaria, 1504-05", Mare Luso-Indicum, Vol. 3, pág. 57-84.
  • Dames, M.L. (1918) "Introduction" in An Account Of The Countries Bordering On The Indian Ocean And Their Inhabitants, Vol. 1 (Engl. transl. of Livro de Duarte de Barbosa), 2005 reprint, New Delhi: Asian Education Services.
  • Frederic Charles Danvers (1894) The Portuguese in India, being a history of the rise and decline of their eastern empire. 2 vols, London: Allen.
  • Ferguson, D. (1907) "The Discovery of Ceylon by the Portuguese in 1506", Journal of the Ceylon Branch of the Royal Asiatic Society, Vol. 19, No. 59 p. 284-400 offprint
  • Logan, W. (1887) Malabar Manual, 2004 reprint, New Delhi: Asian Education Services.
  • Mathew, K.S. (1997) "Indian Naval Encounters with the Portuguese: Strengths and weaknesses", in Kurup, editor, India's Naval Traditions. New Delhi: Northern Book Centre.
  • Pedroso, S. J. (1881) Resumo historico ácerca da antiga India Portugueza Lisboa: Castro Irmão
  • Quintella, Ignaco da Costa (1839–40) Annaes da Marinha Portugueza, 2 vols, Lisboa: Academia Real das Sciencias.
  • Subrahmanyam, S. (1997) The Career and Legend of Vasco da Gama. Cambridge, UK: Cambridge University Press.
  • Whiteway, R. S. (1899) The Rise of Portuguese Power in India, 1497–1550. Westminster: Constable.

Precedido por
5ª armada da Índia (1503)
Afonso de Albuquerque
6.ª Armada da Índia (1504)
Lopo Soares de Albergaria

Sucedido por
7.ª Armada da Índia (1505)
Francisco de Almeida