João Francisco Affaitati
| João Francisco Affaitati | |||||
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| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | Cremona | ||||
| Morte | 27 de abril de 1529 Lisboa, Reino de Portugal | ||||
| Sepultado em | Convento de São Domingos de Benfica | ||||
| Cônjuge | Maria Gonçalves e Guiomar Freire | ||||
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| Pai | Carlo Ludovico Affaitati | ||||
| Religião | Catolicismo romano | ||||
João Francisco Affaitati ou Giovan Francesco Affaitati ou enfim João Francisco Lafetá (Lafetat) (Cremona ? - Lisboa, 27 de abril de 1529), foi um comerciante italiano radicado em Lisboa, que participou ativamente no financiamento das armadas da Índia, na compra de bens para a troca com especiarias como no escoamento dos bens em proveniência da Ásia. Fiz parte com os Marchionni, os Sernigi e, poucos anos mais tarde, os Giraldi, do grupo de ricas famílias de origem italiana que contribuíram para o financiamento e desenvolvimento do recém-nascido comércio com o Oriente português, lucrando muito com isso.[1]
Biografia
João Francisco Affaitati, terá chegado em Lisboa por volta de 1494, e dedicou-se primeiro ao mercado do açúcar madeirense, em consórcios com outros mercadores italianos, procedia à distribuição do produto nas praças europeias. De facto, mesmo em antes da liberalização total do comercio do açúcar em 1508, o rei tinha permitido a entrada de alguns estrangeiros e, entre eles, os florentinos e genoveses que dominaram o mercado. Com a descoberta do caminho marítimo para a Índia, Affaitati foi o primeiro comerciante estrangeiro a tentar entrar no comércio da carreira da Índia, apesar de não ser possível devido ao monopólio régio, no entanto foi o primeiro a concluir contratos muito proveitosos com o rei português,[2] aproveitando um circuito de agentes comerciais na Península Ibérica, no Norte Europa e na Itália, que lhe garantiam o monopólio muito lucrativo da revenda das especiarias.[1] Numa carta de 1525, Marino Sanuto informa que Affaitati, juntamente com alguns alemães, tinha nas suas mãos a maior parte do mercado das especiaria.
Desiludido com a chegada da frota de João da Nova, meia vazia por falta de liquidez, financiou a armada de Vasco da Gama de 1502 em sociedade com Bartolomeu Marchionni (com um lucro de 5.000 ducados por 2.000 investidos[3]) e a de 1506 de Tristão da Cunha. Por isso a relação com o rei D. Manuel era muito estreita e frequentemente dirigia-se ao italiano para obter dinheiro líquido ou para importar bens para trocar na Índia. Como o cobre de Antuérpia que Affaitati forneceu ao rei em 1516 com um contrato de 5 anos para o fornecimento de 12.000 quintais anuais. De fato o alto volume dos seus negócios transformou gradualmente o rico comerciante em banqueiro, a ponto de já existirem registos de empréstimos à Coroa Portuguesa entre 1508-10, 1511-14 e a sua filha Beatriz de Portugal, Duquesa de Saboia, em 1521.[3]
Infelizmente a imagem de Marchioni, que era um grande negociante de escravos, Affaitati também lucrou muito com esse negocio.[1] Parte dos lucros foram investidos em terras e além da sua casa em Lisboa no bairro da Sé, perto da zona comercial da capital da Rua Nova dos Mercadores, João Francisco era proprietário de terras em Sintra, Óbidos e da Quinta dos Loridos no carvalhal (Bombarral).[1]
As cartas de João Francisco Affaitati
João Francisco era irmão de Ludovico Affaitati a quem o imperador Carlos V fez mercê do título de conde (de Romanengo, de Ronco, de Albera, de Casaletto, de Salvirola ...) com o qual mantinha uma correspondência muita detalhada dos acontecimentos em Lisboa. Também mantinha uma abundante correspondência com o embaixador veneziano em Madrid, Pietro Pasqualigo, relatando as principais notícias que interessava Veneza quase em tempo real. Bem que muito ligado a causa portuguesa ele tornou-se com as suas cartas uma importante fonte de informação da República de Veneza.[1] Algumas reunidas no diário de Marino Sanuto, são uma fonte única sobre as carreiras da Índia dando muitas informações ignoradas pelos cronistas portugueses.[4] Como por exemplo o incêndio do "Anunciada" navio-almirante da sexta armada de Lopo Soares de Albergaria descrito ao pormenor.
| “ | Os navios mencionados são XI, X do rei serenissimo, e um de Catarina Dias….O fato dessa frota ser tão pequena deve-se que em sua companhia, estava o navio Nunciada, o maior navio do reino, aquele enviado por esse rei serenissimo ao Levante como navio-almirante...Este navio, estando carregado com tudo, tanto de alimentos como de mercadorias, um dia os marinheiros colocaram um caldeirão de piche no fogo e foram fazer outra coisa, de modo que ninguém ficou para vigiar o caldeirão de piche, exceto um rapaz, que mantinha o fogo aceso. E o fogo era tão grande que saltou para o caldeirão e imediatamente, sem ajuda de ninguém, espalhou-se por todo o navio e queimou-o até ao fundo, de modo que nada se salvou, exceto 700 a 800 cantaros de cobre e 300 cantaros de chumbo; tudo o resto queimou, incluindo os alimentos carregados e 400 barris de vinho, a maior parte de pouca qualidade e 1.500 cantaros de biscoitos... | ” |
— João Francisco Affaitati[5].
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Descendência
Ele nunca se cazou mas teve 5 filhos com duas mulheres, de Guiomar Freire o Agostinho depois de Maria Gonçalves de Carvalhães (ou Carvalhoza), Cosmo, Madalena, Lucrécia e Ignês.[2]>
Referências
- ↑ a b c d e Nunziatella, Alessandrini (2014). AIPSA edizioni, ed. «Os Italianos e a expansão portuguesa:o caso do mercador João Francisco Affaitati (séc. XVI)». Tra Fede e Storia, Quaderni della Fondazione “Mons. Giovannino Pinna”. Roma. ISBN 978-88-98692-24-8
- ↑ a b Prazeres, Raquel (2010). Enciclopédia Virtual da Expansão Portuguesa (EVE), ed. «João Francisco Affaitati (?-1529)»
- ↑ a b Bertelli, Sergio (1960). Istituto della Enciclopedia Italiana fondata da Giovanni Treccani, ed. «AFFAITATI, Giovan Francesco, Dizionario Biografico degli Italiani» (em italiano)
- ↑ Mare Luso-Indicum, l’océan indien, les pays riverains et les relations internationales, XVI-XVIII siècles, publicação do CENTRE D'ÉTUDES ISLAMIQUES ET ORIENTALES D'HISTOIRE COMPARÉE (Équipe de recherche associée au CNRS nº 206) et du CENTRE D'ÉTUDES PORTUGAISES de l'École Pratique des Hautes Études, IVe section. Artigo: Le premier voyage de Lopo Soares en Inde (1504-1505) de Geneviève Bouchon, 1976, SOCIÉTÉ D'HISTOIRE DE L'ORIENT, Paris
- ↑ I diarii di Marino Sanuto, Copia de una letera di Lisbona, scrita per Zuan Francesco de la Faitada a l’orator nostro in Spagna, dada a dì 7 april 1504, et zonta a Venecia a dì 27 mazo 1504. (em italiano). VI. Veneza: [s.n.] 1881. pp. 26–27