Álvaro Uribe
Álvaro Uribe Vélez | |
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| 31.º Presidente da Colômbia | |
| Período | 7 de agosto de 2002 a 7 de agosto de 2010 |
| Vice-presidente | Francisco Santos Calderón |
| Antecessor(a) | Andrés Pastrana Arango |
| Sucessor(a) | Juan Manuel Santos |
| Dados pessoais | |
| Nascimento | 4 de julho de 1952 (73 anos) Medellín, Antioquia |
| Alma mater | Universidade de Antioquia Universidade de Harvard Universidade de Oxford |
| Cônjuge | Lina María Moreno Mejía (1979-presente) |
| Filhos(as) | 2 |
| Partido | Centro Democrático |
| Profissão | Advogado |
Álvaro Uribe Vélez (Medellín, 4 de julho de 1952) é um advogado e político colombiano. Foi presidente da Colômbia, de 7 de agosto de 2002 a 7 de agosto de 2010.
Carreira
Álvaro Uribe é advogado formado pela Universidade de Antioquia, com especialização em Administração (CSS) e Gerência pela Harvard University Extension School. Entre 1998 e 1999 foi estudante da St Antony's College, Oxford na Inglaterra, graças à Bolsa Simón Bolívar do Conselho Britânico. Quando senador, promoveu a campanha contra a extradição de Pablo Escobar aos Estados Unidos e supostamente já trabalhou para o Cartel de Medellín, o que ele nega.[1]
Carreira política
Álvaro Uribe começou sua vida pública bem cedo, já que em 1976 foi chefe de Bens das Empresas Públicas de Medellín. De 1977 a 1978 foi secretário-geral do Ministério do Trabalho, e entre 1980 e 1982 foi diretor da Aeronáutica Civil. É considerado um político liberal.
Foi prefeito de Medellín em 1982, e vereador dessa cidade entre 1984 e 1986. Foi senador da República nos períodos 1986-1990 e 1990-1994. O cartel de Medellín financia as campanhas eleitorais de políticos da região, incluindo Álvaro Uribe.[2] Foi eleito governador do departamento de Antioquia para o período 1995-1997.
Presidência da Colômbia
Uribe foi eleito presidente de Colômbia para o período 2002 - 2006, com 53% do total de votos, uma grande vantagem sobre o seu principal concorrente, Horacio Serpa. Ele é o primeiro presidente a ganhar as eleições em primeiro turno desde que se instaurou a medida na Constituição de 1991. Acredita-se que seu grande trunfo nas eleições foi ter sido o principal opositor das fracassadas políticas de negociação com as FARC, adotadas por seu antecessor Andrés Pastrana Arango.
Em 2005, aproveitando os grandes índices de popularidade de seu governo, conseguiu obter da Corte Constitucional uma decisão favorável a uma mudança constitucional que lhe permitiu disputar a reeleição em 2006.
Principais políticas
Uribe manteve uma margem de popularidade acima do 95%, com iguais margens de aprovação de sua gestão, segundo enquetes, dada sua política de segurança contra as FARC. Seu governo supostamente mantinha sua popularidade usando depoimentos de membros da AUC para desacreditar adversários políticos.[3]
Álvaro Uribe tomou uma linha dura contra as FARC, recusando o diálogo e preferindo confiar numa solução exclusivamente militar para pôr fim ao conflito. Para esmagar a guerrilha, ele contou em particular com os paramilitares das Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC, extrema direita), que funcionaram como uma força auxiliar do exército governamental "utilizada para espalhar o terror e desviar as suspeitas sobre a responsabilidade das forças armadas na violação dos direitos humanos durante o conflito", segundo a Amnistia Internacional. Os paramilitares são considerados responsáveis pela ONU por 80% dos crimes e massacres cometidos durante o conflito, em comparação com 12% para a guerrilha e 8% para o exército.[4]
Para melhorar os seus resultados na luta contra a guerrilha, o exército colombiano efectuou execuções em massa de civis, apresentados como rebeldes mortos em combate. Embora tais abusos já tivessem existido antes, o fenómeno generalizou-se a partir de 2002, encorajado pelos bónus pagos aos soldados e pela impunidade quase total. O escândalo eclodiu em 2008. O sistema de justiça colombiano reconheceu em 2021 pelo menos 6.402 civis executados pelo exército colombiano entre 2002 e 2008 para serem apresentados falsamente como membros da guerrilha.[5]
Uribe é acusado por opositores de ter interesses na disputa pelo controle do narcotráfico. A ex-apresentadora de televisão Virgínia Vallejo escreveu o livro "Amando Pablo, odiando Escobar" em que relata supostas ligações de seu ex-amante, Pablo Escobar com Álvaro Uribe. Em 2002, o jornalista da Newsweek Joe Contreras publica o livro "El señor de las sombras" em que apresenta uma biografia não-autorizada de Uribe e defende que ele teria ligações com o narcotráfico.[6] Em 1991, relatório do serviço de inteligência do Departamento de Defesa dos Estados Unidos aponta: "Álvaro Uribe Vélez, político e senador colombiano, dedicou-se à colaboração com o Cartel de Medellín em níveis elevados do governo… Uribe trabalhou para o cartel e é amigo próximo de Pablo Escobar Gaviria".[7]
Para alguns analistas[8][9] a continuidade dos conflitos entre as FARC e o Governo, interessaria a Uribe porque isolaria as oposições e daria legitimidade para um terceiro mandato do presidente, viabilizada por uma alteração da Constituição colombiana sob acusações de compra de votos dos parlamentares.[7]
Outra das políticas impulsionadas desde a campanha consiste na diminuição dos gastos do Estado. Uribe prometeu diminuir o congresso, fundir ministérios e reduzir os gastos de aposentadoria dos servidores públicos.
Em 31 de março de 2008, o exército Colombiano invadiu o território do Equador para atacar um acampamento das FARC. Nessa ação, foram mortos vários guerrilheiros, incluindo o número dois das FARC Raúl Reyes. Nesse episódio, Uribe acusou o presidente equatoriano Rafael Correa e o venezuelano Hugo Chávez de terem ligações com as FARC, o que gerou uma grande crise diplomática ainda não plenamente resolvida entre esses países. Para Chávez, Álvaro Uribe foi um fator desestabilizador da região e estaria cada vez mais isolado no continente.
Opôs-se à aceitação do acordo de paz com as FARC, defendendo a rejeição do mesmo, no plebiscito que foi promovido pelo seu sucessor, o presidente Juan Manuel Santos.[10]
Prisão domiciliar
Em agosto de 2020, Uribe foi colocado em prisão domiciliar em sua fazenda “El Ubérrimo” pela Suprema Corte de Justiça da Colômbia, como parte de investigações judiciais em andamento sobre os massacres de El Aro e La Granja, que ocorreram enquanto ele era governador de Antioquia.[11][12][13] A detenção de Uribe marcou a primeira vez na história da Colômbia em que um tribunal deteve um ex-presidente.[14] No dia seguinte à sua prisão, Uribe testou positivo para COVID-19, mas anunciou que estava curado seis dias depois.[15] Em 18 de agosto de 2020, Uribe renunciou ao seu assento no Senado da Colômbia.[14][16] Uribe foi posteriormente libertado em 10 de outubro de 2020, após a Suprema Corte decidir que não havia provas suficientes para sugerir que ele tivesse cometido manipulação de testemunhas.[17]
Outro processo judicial chamado "Caso Uribe" também foi movido contra Uribe. Tratou-se de uma disputa na qual Uribe começou como vítima e terminou como vitimizador, de acordo com o status concedido pelo tribunal superior à sua contraparte neste processo, o senador Iván Cepeda.[18]
O processo passou para as mãos da Procuradoria-Geral da Colômbia, escapando assim da jurisdição que o Supremo Tribunal de Justiça detinha sobre o mesmo.[19] O promotor delegado junto a este tribunal superior, Gabriel Jaimes Durán, solicitou o arquivamento do processo, decidindo em uma investigação de quatro meses sobre o material probatório que o tribunal compilou ao longo de três anos.[20]
Em maio de 2024, Uribe foi formalmente acusado de coação de testemunhas e suborno no Caso Uribe, após a divulgação de conversas telefônicas grampeadas nas quais ele foi ouvido discutindo com um de seus advogados esforços para fazer com que dois ex-paramilitares, que estavam prestes a testemunhar contra ele, voltassem atrás em seus depoimentos.[21][22] Um tribunal em Bogotá o considerou culpado em julho de 2025 por coação de testemunhas e por uma acusação de fraude[23] e o condenou em agosto a 12 anos de prisão domiciliar.[24] Como parte de um recurso, o Tribunal Superior ordenou sua libertação em 19 de agosto, enquanto aguarda uma decisão final sobre sua condenação.[25] Em 21 de outubro de 2025, um tribunal anulou a condenação de Uribe por suborno.[26]
Referências
- ↑ «U.S. Listed Colombian President Uribe Among "Important Colombian Narco-Traffickers" in 1991». nsarchive2.gwu.edu. The National Security. Consultado em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ «"Narcopols": Medellín Cartel "Financed" Senate Campaign of Former President Álvaro Uribe, Colombian Senators Told U.S. Embassy». nsarchive.gwu.edu. National Security. Consultado em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ Alsema, Adriaan (30 de janeiro de 2012). «AUC collaborated with Uribe government, spy agency: Don Berna». colombiareports.com (em inglês). Colombia Reports. Consultado em 24 de janeiro de 2019
- ↑ Mariani (Mediapart), Pascale (7 de agosto de 2020). «El arresto del expresidente Uribe sacude Colombia». infoLibre (em espanhol). Consultado em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ Daniels, Joe Parkin (19 de fevereiro de 2021). «Colombia tribunal reveals at least 6,402 people were killed by army to boost body count». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Joseph, Contreras; Garavito, Fernando (2002). «El señor de las sombras» (PDF). resistir.info. resistir.info. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
- ↑ a b Ambrus, Steven (8 de agosto de 2004). «Blacklist to the A list». Newsweek (em inglês). Newsweek. Consultado em 24 de janeiro de 2019
- ↑ Ricardo, Mendonça (3 de abril de 2008). «"Uribe quer um terceiro mandato e a única que pode concorrer com ele é Ingrid"». Época. Consultado em 9 de novembro de 2009
- ↑ Braga, Laerte. «Por que Uribe mandou matar Raúl Reyes?». Vi o Mundo. Consultado em 9 de Novembro de 2009. Cópia arquivada em 6 de março de 2008
- ↑ «Uribe inicia campanha contra acordo de paz entre governo colombiano e Farc». Estadão. Consultado em 7 de fevereiro de 2026
- ↑ Daniels, Joe Parkin (4 de agosto de 2020). «Colombia: court orders detention of ex-president Uribe amid fraud inquiry». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Newbery, Emma (4 de agosto de 2020). «House arrest for ex-president Álvaro Uribe Vélez». The Bogotá Post. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Investigativa, Unidad (23 de agosto de 2020). «Esta es la indagación de Corte a Álvaro Uribe por la masacre de El Aro». El Tiempo (em spanish). Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ a b Staff, Reuters. «Colombian ex-President Uribe resigns Senate seat amid witness tampering probe». U.S. (em inglês). Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Pozzebon, Tatiana Arias,Stefano (5 de agosto de 2020). «Former Colombian President Álvaro Uribe tests positive for Covid-19 after house arrest order». CNN (em inglês). Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Marqui, Marqui (18 de agosto de 2020). «Álvaro Uribe renuncia a su curul en el Senado». El Tiempo (em spanish). Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Judge orders ex-Colombian president freed from house arrest». AP News (em inglês). 10 de outubro de 2020. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Detector: Fiscalía sí pidió preclusión de caso Uribe». RCN Radio (em espanhol). 8 de fevereiro de 2019. Consultado em 5 de fevereiro de 2026. Cópia arquivada em 4 de fevereiro de 2019
- ↑ Espectador, El (20 de fevereiro de 2021). «Se agita el caso Uribe, que está a semanas de una decisión esencial». ELESPECTADOR.COM (em espanhol). Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Detector: la Fiscalía sí pidió preclusión en el caso Uribe, pero el proceso sigue abierto». La Silla Vacía (em espanhol). Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Antoine, Griezmann (24 de junho de 2015). «27g». 27g.tec (em inglês). Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Colombia's ex-President Uribe charged with witness tampering in polarizing legal battle». AP News (em inglês). 24 de maio de 2024. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Ex-Colombian president Álvaro Uribe found guilty of witness-tampering». www.bbc.com (em inglês). 29 de julho de 2025. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Colombia's ex-president, Álvaro Uribe, sentenced to 12 years of house arrest». www.bbc.com (em inglês). 1 de agosto de 2025. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Colombian court frees former President Uribe from house arrest until it rules on bribery case». AP News (em inglês). 19 de agosto de 2025. Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ «Colombian court strikes down former president's bribery conviction». Reuters. Consultado em 6 de fevereiro de 2026
Ligações externas
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