Álvaro Laborinho Lúcio

Álvaro Laborinho Lúcio
Laborinho Lúcio em 2022
Ministro da República para os Açores
Período2003
a 2006
PresidenteJorge Sampaio
Antecessor(a)Alberto Sampaio da Nóvoa
Sucessor(a)José António Mesquita (Representante da República)
Deputado à Assembleia da República
Período1995
a 1996
Ministro da Justiça
Período5 de março de 1990
28 de outubro de 1995
Primeiro-ministroAníbal Cavaco Silva
Antecessor(a)Fernando Nogueira
Sucessor(a)José Vera Jardim
Dados pessoais
Nome completoÁlvaro José Brilhante Laborinho Lúcio
Nascimento1 de dezembro de 1941
Nazaré, Nazaré
Morte23 de outubro de 2025 (83 anos)
Coimbra
Nacionalidadeportuguesa
Alma materUniversidade de Coimbra
PartidoPartido Social Democrata
Profissãojuiz
professor universitário
escritor

Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio GCC (Nazaré, Nazaré, 1 de dezembro de 1941Coimbra, 23 de outubro de 2025)[1] foi um jurista, professor universitário, secretário de estado e ministro da Justiça, deputado à Assembleia da República e escritor português.[2][3][4][5][6][7]

Família

Filho único de José Lúcio Codinha (Nazaré, Nazaré, 14 de Março de 1905 – Nazaré, Nazaré, 1 de Janeiro de 1999) e de sua mulher Libânia Brilhante Laborinho (Nazaré, Nazaré, 9 de Agosto de 1905 – Nazaré, Nazaré, 17 de Março de 1971), sobrinha oitava neta de Jerónimo de Azevedo e de Inácio de Azevedo.

Biografia

Na juventude, Laborinho Lúcio foi ator amador, tendo participado na criação do Grupo de Teatro da Nazaré.[8]

Posteriormente ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Direito e obteve o Curso Complementar de Ciências Jurídicas.

Iniciou a sua carreira como delegado do Procurador Geral da República, função que exerceu nas comarcas de Seia, Fundão e Santarém. A seguir concorreu para juiz e foi colocado, sucessivamente, em Oliveira do Hospital e em Tábua. Subsequentemente, foi Procurador da República junto do Tribunal da Relação de Coimbra, inspetor do Ministério Público, Procurador-Geral-Adjunto da República, diretor da Escola da Polícia Judiciária e do Centro de Estudos Judiciários.

Foi Juiz Conselheiro Jubilado do Supremo Tribunal de Justiça e Vogal do Conselho Superior da Magistratura.

Foi nomeado para funções governativas, como Secretário de Estado da Administração Judiciária e Ministro da Justiça, em 1990, durante o governo de Cavaco Silva, e Ministro da República para os Açores, em 2003, durante a Presidência de Jorge Sampaio. Foi eleito Deputado à Assembleia da República, em 1995, e presidiu à Assembleia Municipal da Nazaré, eleito como independente pelo Partido Social Democrata. Foi ainda, até fevereiro de 2012, vogal do Conselho Diretivo da Fundação Centro Cultural de Belém, sendo presidente António Mega Ferreira.

Foi professor convidado de Direito Penal na Universidade Autónoma de Lisboa e membro do Conselho Geral da Universidade do Minho.

Pertenceu a várias associações, entre outras, ligadas às crianças e aos Direitos da Criança e anteriormente presidiu à Assembleia-Geral da Associação Portuguesa para o Direito dos Menores e da Família e à Mesa do Congresso da Associação dos Juristas de Língua Portuguesa, bem como Membro do Conselho Geral da Fundação do Gil. Concebeu e coordenou o Congresso da Cidadania, realizado nos Açores.

É autor dos livros A Justiça e os Justos, Palácio da Justiça e Educação, Arte e Cidadania e dos romances O Chamador (2014)[8] e O Homem que Escrevia Azulejos (2016).

Morreu a 23 de outubro de 2025, vítima de cancro, em Coimbra, onde residia.[1]

Condecorações[9][10]

Casamentos e descendência

Casou, pela primeira vez, na Batalha, Batalha, no Mosteiro da Batalha, a 7 de Abril de 1968, com Maria Isabel do Carmo Godinho Gil (Guarda, Vela, 28 de Janeiro de 1942), filha de Joaquim Gil Martinho e de sua mulher Maria do Carmo Rocha Gil, ambos da Guarda, onde casaram, e de quem teve dois filhos biológicos: João Miguel Godinho Gil Laborinho Lúcio (Lisboa, 27 de Dezembro de 1971), casado na Nazaré, Nazaré, a 30 de Agosto de 1997, com Sofia Vasconcelos Carreiro, de Lisboa, e Bernardo Godinho Gil Laborinho Lúcio (Lisboa, 27 de Fevereiro de 1977).

Casou, pela segunda vez, em 2001, casamento do qual teve duas filhas, por via da adoção (duas irmãs cabo-verdianas), considerando também como seus filhos (socioafetivos) os dois que a segunda mulher teve de um primeiro casamento.[11][12]

Funções governamentais exercidas

Precedido por
Fernando Nogueira
Ministro da Justiça
XI e XII Governos Constitucionais
1990 – 1995
Sucedido por
José Vera Jardim

Obras

  • Sobre a aplicação do direito (1985);
  • O sistema judiciário em Portugal: uma perspectiva da mudança (1986);
  • A justiça e os justos: conversas com Maria José Braga (1999);
  • Do fundamento e da dispensa da colação (1999);
  • O mar da Nazaré: álbum fotográfico (2002) com Ana David e António Nabais;
  • Direitos humanos e cidadania (2002);
  • Palácio da Justiça (2007);
  • Educação arte e cidadania (2008);
  • Levante-se o véu! (2011) com José António Barreiros e José Braz;
  • O julgamento: uma narrativa crítica da justiça (2012);
  • O chamador (2014);
  • O homem que escrevia azulejos: romance (2016);
  • Portugal e as suas gentes: crise e futuro (2017).

Referências

  1. a b «Laborinho Lúcio: um intelectual raro que coloriu a Justiça». Público. 24 de outubro de 2025 
  2. «Presidente da República evoca Laborinho Lúcio». Presidência da República Portuguesa. 23 de outubro de 2025. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  3. «Laborinho Lúcio (1941-2025)». PSD. 23 de outubro de 2025. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  4. «Morreu Laborinho Lúcio, antigo ministro da Justiça». Ordem dos Advogados Portugueses. 23 de outubro de 2025. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  5. «Morreu o político, juiz e escritor Álvaro Laborinho Lúcio». Euronews. 23 de outubro de 2025. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  6. «As homenagens a Álvaro Laborinho Lúcio, "figura ímpar da Justiça portuguesa"». JN. 23 de outubro de 2025. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  7. «Laborinho Lúcio morreu esta madrugada aos 83 anos». RTP notícias. 23 de outubro de 2025. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  8. a b SOL
  9. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Estrangeiras». Resultado da busca de "Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 12 de fevereiro de 2015 
  10. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Álvaro José Brilhante Laborinho Lúcio". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 12 de fevereiro de 2015 
  11. «"A partir do momento em que o juiz diz 'acabou o julgamento, agora vou refletir', é solidão brutal"». Diário de Noticias. 1 de setembro de 2019. Consultado em 23 de outubro de 2025 
  12. «Álvaro Laborinho Lúcio deixa legado de justiça, literatura e dedicação». JN. 23 de outubro de 2025. Consultado em 23 de outubro de 2025