Ácido lipoteicóico
O ácido lipoteicóico (LTA) é um constituinte importante da parede celular de bactérias gram-positivas. Esses organismos possuem uma membrana interna (ou citoplasmática) e, externamente a ela, uma espessa camada (até 80 nanômetros) de peptidoglicano. A estrutura do LTA varia entre as diferentes espécies de bactérias gram-positivas e pode conter longas cadeias de ribitol ou fosfato de glicerol. O LTA é ancorado à membrana celular por meio de um diacilglicerol.[1] Atua como regulador de enzimas de parede autolítica (muramidases). Possui propriedades antigênicas, sendo capaz de estimular resposta imune específica.[2]

O LTA pode se ligar às células-alvo de forma não específica por meio de fosfolipídios de membrana, ou especificamente ao CD14 e aos receptores do tipo Toll. A ligação ao TLR-2 demonstrou induzir a expressão de NF-κB (um fator central de transcrição), elevando a expressão de genes pró e antiapoptóticos. Sua ativação também induz a ativação de proteínas quinases ativadas por mitógenos (MAPK), juntamente com a ativação da fosfoinositídeo 3-quinase.[3][4][5]
Estudos
Said et al. mostraram que LTA causa uma inibição dependente de IL-10 da expansão e função das células T CD4, aumentando os níveis de PD-1 nos monócitos, o que leva à produção de IL-10 pelos monócitos após a ligação de PD-1 por PD-L.[6]
O ácido lipoteicóico (LTA) de bactérias Gram-positivas exerce diferentes efeitos imunológicos dependendo da fonte bacteriana da qual é isolado. Por exemplo, o LTA do Enterococcus faecalis é um fator de virulência que se correlaciona positivamente com danos inflamatórios nos dentes durante infecção aguda.[7][8] Por outro lado, um estudo relatou que a administração oral de Lacticaseibacillus rhamnosus GG LTA (LGG-LTA) reduz a imunossupressão induzida por UVB e o desenvolvimento de tumores de pele em camundongos.[7] Em estudos com animais, a LTA bacteriana específica foi correlacionada com a indução de artrite, nefrite, uveíte, encefalomielite, inflamação meníngea e lesões periodontais, e também desencadeou cascatas resultando em choque séptico e falência de múltiplos órgãos.[9][2]
Notas
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Lipoteichoic acid».
Referências
- ↑ Talaro, Kathleen P. (2008). Foundations in microbiology 6th ed. Boston: McGraw-Hill Higher Education. ISBN 978-0072994896
- ↑ a b Ginsburg, Isaac (1 de março de 2002). «Role of lipoteichoic acid in infection and inflammation». The Lancet Infectious Diseases (em inglês) (3): 171–179. ISSN 1473-3099. PMID 11944187. doi:10.1016/S1473-3099(02)00226-8. Consultado em 17 de julho de 2025
- ↑ Jang, Jaewoong; Kim, Wonyong; Kim, Kijeong; Chung, Sang-In; Shim, Yae Jie; Kim, Seok-Min; Yoon, Yoosik (1 de setembro de 2015). «Lipoteichoic acid upregulates NF-κB and proinflammatory cytokines by modulating β-catenin in bronchial epithelial cells». Molecular Medicine Reports (3): 4720–4726. ISSN 1791-2997. doi:10.3892/mmr.2015.3965. Consultado em 16 de julho de 2025
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- ↑ Kawasaki, Takumi; Kawai, Taro (25 de setembro de 2014). «Toll-Like Receptor Signaling Pathways». Frontiers in Immunology (em inglês). ISSN 1664-3224. PMC 4174766
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- ↑ Said, Elias A.; Dupuy, Franck P.; Trautmann, Lydie; Zhang, Yuwei; Shi, Yu; El-Far, Mohamed; Hill, Brenna J.; Noto, Alessandra; Ancuta, Petronela (abril de 2010). «Programmed death-1–induced interleukin-10 production by monocytes impairs CD4+ T cell activation during HIV infection». Nature Medicine (em inglês) (4): 452–459. ISSN 1546-170X. PMC 4229134
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- ↑ a b Friedrich, Adrián D.; Leoni, Juliana; Paz, Mariela L.; González Maglio, Daniel H. (8 de fevereiro de 2022). «Lipoteichoic Acid from Lacticaseibacillus rhamnosus GG Modulates Dendritic Cells and T Cells in the Gut». Nutrients (em inglês) (3): 723. ISSN 2072-6643. PMC 8839024
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- ↑ «Gram Positive Bacterial Lipoteichoic Acid Role in a Root Canal Infection – A Literature Review». Journal of Pure and Applied Microbiology (em inglês). 30 de março de 2021. doi:10.22207/jpam.15.2.29. Consultado em 16 de julho de 2025
- ↑ JebaMercy, Gnanasekaran; Prithika, Udayakumar; Lavanya, Nehru; Sekar, Chinnathambi; Balamurugan, Krishnaswamy (1 de março de 2015). «Changes in Caenorhabditis elegans immunity and Staphylococcal virulence factors during their interactions». Gene (1): 159–172. ISSN 0378-1119. doi:10.1016/j.gene.2014.12.056. Consultado em 16 de julho de 2025