Tratados da terra e gente do Brasil/2/19

DA DIVERSIDADE DE NAÇÕES E LINGUAS

Em toda esta provincia ha muitas e varias nações de differentes linguas, porém uma é a principal que comprehende algumas dez nações de Indios: estes vivem na costa do mar, e em uma grande corda do sertão, porém são todos estes de uma só lingua ainda que em algumas palavras discrepão e esta é a que entendem os Portuguezes é facil, e elegante, e suave, e copiosa, a difficuldade della está em ter muitas composições;[1] porem dos Portuguezes, quasi todos os que vêm do Reino e estão cá de assento e communicação com os Indios a sabem em breve tempo, e os filhos dos Portuguezes cá nascidos a sabem melhor que os Portuguezes, assim homens como mulheres, principalmente na Capitania de São Vicente, e com estas dez nações de Indios têm os Padres communicação por lhes saberem a lingua, e serem mais domesticos e bem inclinados: estes forão e são os amigos antigos dos Portuguezes, com cuja ajuda e armas, conquistarão esta terra, pelejando contra seus proprios parentes, e outras diversas nações barbaras e erão tantos os desta casta que parecia impossivel poderem-se extinguir, porem os Portuguezes lhes têm dado tal pressa que quasi todos são mortos e lhes têm tal medo, que despovoão a costa e fogem pelo sertão a dentro até trezentas a quatrocentas leguas.

Os primeiros desta lingua se chamão Potyguaras[2][3] senhores da Parahiba, 30 leguas de Pernambuco, senhores do melhor pau do Brasil e grandes amigos dos Francezes, e com elles contratarão até agora, casando com elles suas filhas; mas agora na era de 81 foi a Parahiba tomada por Diogo Flores. General de Sua Magestade, botando os Francezes fora, e deixou um forte com cem soldados, afora os Portuguezes, que tambem fèm seu Capitão e Governador Fructuoso Barbosa, que com a principal gente de Pernambuco levou exercito por terra com que venceu os inimigos, porque do mar os da armada não pelejarão.

Perto destes viviu grande multidão de gentio que chamão Viatã,[4] destes já não ha nenhuns, porque que sendo elles amigos dos Potyguaras[5] e parentes os Portuguezes os fizerão entre si inimigos, dando-lhos a comer, para que desta maneira lhes pudesse fazer guerra e te-los por escravos, e finalmente, tendo uma grande fome, os Portuguezes em vez de lhes acodir, os captivarão e mandarão barcos cheios a vender a outras Capitanias: ajuntou-se a isto um clerigo Portuguez Magico, que com seus enganos os acarretou todos a Pernambuco, e assim se acabou esta nação, e ficando os Portuguezes sem vizinhos que os defendessem dos Potyguaras,[5] os quaes até agora que forão desbaratados, perseguirão os Portuguezes dando-lhes de supito nas roças, fazendas, e engenhos, queimando-lhos, e matando muita gente portugueza, por serem muito guerreiros; mas já pela bondade de Deus estão livres deste sobroço.

Outros ha a que chamão Tupinaba: estes habitão do Rio Real até junto dos Ilhéos; estes entre si erão tambem contrarios, os da Bahia com os do Camamu e Tinharê.[6]

Por uma corda do Rio de São Francisco vivia outra nação a que chamavão Caaété, e tambem havia contrarios[7] entre estes e os de Pernambuco.

Dos Ilhéos, Porto Seguro até Espirito Santo habitava outra nação, que chamavão Tupinaquim; estes procederão dos de Pernambuco e se espalharão por uma corda do sertão, multiplicando grandemente, mas já são poucos; estes forão sempre muito imigos das cousas de Deus, endureci*dos em seus erros, porque crão muito vingativos e querião vingar-se comendo seus contrarios, e por serem amigos de muitas mulheres; jà destes ha muitos christãos e são firmes na fé.

Ha outra mação parente destes, que corre do sertão de São Vicente até Pernambuco, a que chamão Tupiguae: estes erão sem numero, vão-se acabando, porque os Portuguezes os vão buscar para se servirem delles, e os que lhes escapão fogen para muito longe, por não serem escravos. Ha outra nação vizinha a estes, que chamão Apigapigianga e Muriapigtanga. Tambem ha outra nação contraria aos Tupinaquins, que chamão Guaracaio ou Hati.

Outra nação mora no Espirito Santo a que chamão Tegmegminó;[8] erão contrarios dos Tupinaquins, mas já são poucos. Outra nação que se chama Tamuya, moradores do Rio de Janeiro, estes destruirão os Poringuezes quando povoarão o Rio, e delles ha muito poucos, e alguns que ha no sertão se chamão Ararape.

Outra nação se chama Carijo: habitão além de São Vicente como oitenta leguas, contrarios dos Tupinaquins de São Vicente; destes ha infinidade e correm pela costa do mar e sertão até o Paraguay, que habitão os Castelhanos. Todas estas: nações acima ditas, ainda que differentes, e muitas dellas contrarias umas das outras, têm a mesma lingua, e nestes se faz a conversão, e tem grande respeito aos Padres da Companhia e no sertão suspirão por elles, e lhes chamão Abarê[9] e Pai,[10] desejando[11] a suas terras converte-los, e. é tanto este credito que alguns Portuguezes de ruim consciencia se fingem Padres, vestindo-se em roupetas, abrindo coroas na cabeça, e dizendo que são Abarês e que os vão buscar para as igrejas dos seus pais, que são os nossos, os trazem euganados, e em chegando ao mar os repartem entre si, vendem e ferrão, fazendo primeiro nelles lá no sertão grande mortandade, roubos e saltos, tomando-lhes as filhas e mulheres, etc., e se não forão estes e semelhantes estorvos já todos os desta lingua forão convertidos á nossa santa fé.

Ha outras nações contrarias e imigas destas, de differentes linguas, que em nome geral se chamão Tapuya, e tambem entre si são contrarias; primeiramente no sertão vizinho aos Tupinaquins habitão os Guaimurês,[12] e tomão algumas oitenta leguas de costa, e para o sertão quanto querem, são senhores dos matos selvagens, muito encorpados, e pela continuação e costume de andarem pelos matos bravos tem os couros muito rijos, e para este effeito açoutão os meninos em pequenos com uns cardos para se acostumarem a andar pelos matos bravos; não têm roças, vivem de rapina pela ponta da frecha, comem a mandioca erua sem lhes fazer mal, e correm muito e HOS brancos não dão senão de salto, usão de uns arcos muito grandes, trazem uns paus feilicos muito grossos,[13] para que em chegando logo quebrem as cabeças. Quando vem à peleja estão escondidos debaixo de folhas, e dali fazem a sua e são mui temidos, e não ha poder no mundo que os possa vencer; são muito covardes em campo, e não ousão sair, nem passão agua, nem usão de embarcações, nem são dades a pescar; toda a sua vivenda é do mato; são crueis como leões; quando tomão algnns contrarios cortão-lhe a Carne com uma canna de que fazem as frechas, e os esfolão, que lhes não deixão mais que os ossos e tripas: se lomão alguma criança e os perseguem, para que lha não tomem viva e dão com a cabeça em um pau, desentranhão as mulheres prenes para lhes comerem os filhos assados. Estes dão muito trabalho em Porto Seguro, Ilhéos e Camamu, e estas terras se vão despovoando por sua causa; não se lhes pode entender a lingua.

Alem destes, para o sertão e campos de Caátinga[14] vivem muitas nações Tapuyas, que chamão Tucanuço[15], estes vivem no sertão do Rio Grande pelo direito de Porto Seguro; têm outra lingua, vivem no sertão antes que cheguem ao Aquitigpe e chamão-se Nacai[16]. Outros ha que chamão Oquigtajuba. Ha outra nação que chamão Pahi; estes se vestem de panno de algodão muito tapado e grosso como rede, com este se cobrem como com saio, não tem mangas; têm differente lingua. No Ari ha outros que tambem vivem no campo indo para o Aquitigpe. Ha outros que chamão Parahió, é muita gente e de differente lingua.

Outros que chamão Nhandeju[17], tambem de differente lingua. Ha outros que chamão Macutû. Outros Napara; estes têm roças. Outros que chamão Cuxaré; estes vivem no meio do campo do sertão. Outros que vivem no mesmo campo que chamão Nuhinû. Outros vivem para a parte do sertão da Bahia que chamão Guayaná, têm lingua por si. Outros pelo mesmo sertão, que chamão Taicuyû vivem em casas, têm outra lingua. Outros no mesmo sertão, que chamão Cariri[18], têm lingua differente: estas tres nações e seus vizinhos são amigos dos Portuguezes. Outros que chamão Pigrû, vivem em casas. Outros que chamam Obacoatiára, estes vivem em ilhas no Rio de São Francisco, têm casas como cafuas debaixo do chão; estes quando os contrarios vêm contra elles botão-se á agua, e de mergullio escapão, e estão muito debaixo d’agua, têm frechas grandes como chucos, sem arcos, e com ellas pelejão; são muito valentes. comen gente, têm differente lingua. Outros que vivem muito pelo sertão a dentro, que dentro, que chamão Anhehim,[19] têm outra lingua. Outros que vivem em casas, que chamão Aracuaiati, têm outra lingua. Outros que chamão Cayuara, vivem em covas, têm outra lingua. Outros que chamão Guaranaguaçu,[20] vivem em covas, têm outra lingua. Outros muilo deutro no sertão que chamão Camuçuyara, estes têm mamas que lhes dão por baixo da cinta, e perto dos joelhos, e quando correm cingem-nas na cinta, não deixão de ser muito guerreiros, coment gente, têm outra lingua. Ha outra nação que chamão Igbigra-apuajara[21] senhores de paus agudos, porque pellejão com paus tostados agudos, são valentes, comem gente, tem outra lingua. Ha ouira que chamão Aruacuig,[22] vivem em casas, têm outra lingua, mas entendem-se com estes acima ditos, que são seus vizinhos. Outros ha que chamão Guayacatu e Guayatun; estes têm lingua differente, vivem em casas. Outros ha que chamão Curupehé, [23] não comem carne humana, quando matão cortão a cabeça do contrario e levão-na por amostra, não têm casa, são como ciganos. Outros que chamão Guayó, vivem em casas, pellejão com frechas ervadas, comem carne humana, têm outra lingua. Outros que chamão Cicú têm a mesma lingua e costumes dos acima ditos. Ha outros a que chamão Pahajû, comem gente, têm qutra lingua. Outros ha que cha mão Jaicujû, têm a mesma lingua que estes acima Outros que chamão Tupijó, vivem em casas, têm roças, e têm outra lingua. Outros Maracaguaçû, são vizinhos dos acima ditos, têm a mesma lingua. Outros chamão-se Jacurujû; têm roças, vivem em casas, têm outra lingua. Outros que se chamão Tapuuys[24] são vizinhos dos sobreditos acima, têm a mesma lingua. Outros ha que chamão Anacujû; têm a mesma lingua e costumes que os de cima e todos pellejão com frechas ervadas. Outros que se chamão Piracujû; têm a mesma lingua que os de cima e frechas ervadas. Outros ha que chamão Taraguaig, têm outra lingua, pellejão com frechas ervadas. Ha outros que chamão Panacujû,[25] sabem a mesma lingua dos outros acima ditos. Outros chamão Tipe, são do campo, pellejão com frechas ervadas. Outros ha que chamão Guacarajara, têm outra lingua, vivem em casas, têm roças. Outros vizinhos dos sobreditos que chamão Camaragôã.

Ha outros que chamão Curupyá, forão contrarios dos Tupinaquins. Outros que chamão Aquirinó têm differente lingua. Outros que chamão Piraguaygaquig, vivem de baixo de pedras, são contrarios dos de cima ditos. Outros que chamão Pinacujú. Outros ha que chamão Parapotó, estes sabem a lingua dos do mar. Outros Caraembú, têm outra lingua. Outros que chamão Caracuju, tem outra lingua. Outros que chamão Mainuma, estes se misturão com Guaimurés, contrarios dos do mar; entendem-se com os Guaimurès, mas têm outra lingua. Outros ha que chamão Murary tambem entrão e communicação com os finaimurés. Outros ha que chamão Quigiaio, tambem communicão e entrão com os Guaimures. Ha outros que chamão Guigpe: estes forão moradores de Porto Seguro. Outros se chamão Quigrajubé,[26] são amigos dos sobreditos. Outros que chamão Angarari, estes vivem não muito longe do mar, entre Porto Seguro e o Espírito Santo. Outros que chamão Amicocori são amigos dos de cima. Ha outros que chamão Carajá: vivem no sertão da parte de São Vicente; forão do Norte correndo para lá, tém outra lingua. Ha outros que chamão Apitupa: 204 FERNÃO CARDIM vivem no sertão para a banda de Aquitipi. Outros ha que chamão Caraguatajara; têm lingua differente. Ha outros que chamão Aquiguira, estes entrão em communicação com os acima ditos. Outra nação ha no sertão contraria dos Muriapigtanga e dos Tarapé, é gente pequena, anã, baixos do corpo, mas grossos de pernas e espaduas, a estes chamão os Portuguezes Pigmeos, e os Indios lhes chamão Tapig-y-mirin,[27] porque são pequenos. Outros ha que chamão Quiriciguig, estes vivem no sertão da Bahia, bem longe. Outros que chamão Guirig são grandes cavalleiros e amigos dos ditos acima.

Outros se chamão Guajerê; vivem no sertão de Porto-Seguro muito longe. Ha outra nação que chamão Aenaguig; estes forão moradores das terras dos Tupinaquins, e porque os Tupinaquins fi carão senhores das terras,[28] se chamão Tupina quins. Ha outros que chamão Guaytacâ; estes vivem na costa do mar entre o Espirito Santo e Rio de Janeiro; vivem no campo e não querem viver nos matos e vão comer ás roças, vêm dormir ás casas, não têm outros thesouros, vivem como o gado que pasce no campo, e não vêm ás casas mais que a dormir; correm tanto que a cosso tomão a caça. Outros que chamão Igbigranupâ,[29] são contrarios dos Tupinaquins e communicão com os Guaimurės: quando justão com os contrarios fazem grandes estrondos, dando com uns paus nos outros.

Outros que chamão Quirignui, estes forão senhores das terras da Bahia e por isso se chama a Bahia Quigrigmure.[30] Os Tupinabas os botarão de suas terras e ficarão senhores dellas, e os Tapuyas forão para o Sul. Ha outros que chamão Maribuid; morão no sertão em direito do Rio Grande. Outros que chamão Calagua: esses vivem em direito de Jequericaré entre o Espirito-Santo e Porto-Seguro. Outros ha que chamão Tapuxerig: são contrarios dos outros Tapuyas, comem-lhes as roças. Outros que morão pelo sertão que vai para São Vicente, chamão-se Amocaro, forão contrarios dos Tupinaquins. Outros que chamão Nonhã,[31] tê rostos muito grandes. Ha outros, e estes se chamão Apuy, morão perto do campo do sertão, são grandes cantores, têm differente lingua. Outros ha que chamão Panaquiri,[32] differentes dos acima ditos. Outros tammbean differentes que chamão Bigvorgya.[33] Ha outra nação que chamão Piriju, e destes ha grande numero. Todas estas setenta e seis nações de Tapuyas, que têm as mais dellas differentes linguas, são gente brava, silvestre e indomita, são contrarias quasi todas do gentio que vive na costa do mar, vizinhos dos Portuguezes: somente certo genero de Tapuyas que vivem no Rio São Francisco, e outros que vivem mais perto são amigos dos Portuguezes, e lhes. fazem grandes agazalhos quando passão por suas terras. D’estes ha muitos christãos que forão trazidos pelos Padres do sertão, e aprendendo a língua dos do mar que os Padres sabem, os batizarão e vivem muitos delles casados nas aldeas dos Pa dres, e lhes servem de interpretes para remedio de tanto numero de gente que se perde, e somente com estes Tapuyas se pode fazer algum fructos com os mais Tapuyas, não se pode fazer conversão por serem muito andejos e terem muitas e differentes linguas difficultosas. Somente fica um remedio, se Deus Nosso Senhor não descobrir outro, e é havendo ás mãos alguns filhos seus aprenderem. a lingua dos do mar, e servindo de interpretes fará algum fructo ainda que com grande difficuldade pelas razões acima ditas e outras muitas.

Notas

  1. Comparisons (Purchas, ib.)
  2. Pitiguaras (Purchas, ib.)
  3. Potyguaras (pag. 195). Pitiguara (na nota). Potiguaras (mais abaixo)
    Nome de indios Tupi de Pernambuco e do Rio S. Francisco, que nos dá occasião de vermos quanto é vã a tentativa de explicar o nome, quando o chronista não ca racteriza alguma cousa da tribu e indica o porque da de nominação. Além das tres formas acima, ainda se vê esse nome escripto Potyuára (Martius e P. Seguro), Pitagoar (G. S. de Souza), Potygoar (S. de Vasconcellos), etc., etc., prestando-se deste modo a bem diversas interpretações, de mais a mais divergentes na mesma forma, conforme os autores, como se vê em Potyuára dado como patronymico por Martius, e como significando “pescadores de camarões” por Porto Seguro, e nenhuma das duas exacta. Poti (e não poty) uár, alterado de potiguar, póde significar “comedor de camarão” , mas não “pescador” , como diz P. Seguro; quando quizessem differençar de outro nome os indios da lingua geral podiam exprimir a mesma cousa por poti-uhár, porque uhár é o participio regular de ú que tambem dá guar. Aqui temos i nazal, mas sem isso Potiguar póde ser participio de tepoti fazer evacuação, donde tepotihar ou tepotiguar cagão. Com formação analoga á primeira, por via de guar participio de u comer, beber, ainda temos Pety-guar bebedor de tabaco (Montoya), fumista, fumador.
    Na fórma que dá G. Soares de Sousa, temos o substantivo Pytaguar o páo para conduzir carga sobre os hombros de dois peões, e tambem verbo “conduzir, carregar, transportar á dois”. Si este não dá para nome de tribu, ha ainda Pitagua ou pitãgua, nome de varios Lanius (que podia applicar-se a tribus) e hoje em Paraguayo significando “estrangeiro”. Como ha exemplos de guar em vez de har como suffixo de participio, podia ainda ser pytaguar por pytahar os firmes, os quedos, os que ficam, Pyteguar, por Pytehar os chupadores, etc. Afinal, com guar suffixo contracto de tequar ainda se tem Potyb-i-guar, equivalente á poty-i-guar o que tem mão dura, o homem tenaz e o homem mesquinho, avaro; em vez deste ultimo é mais usado e mais regular potyb-i-yara.
  4. Viatã (pag. 195). Não vem nos autores nome de tribu que se pareça com este. Em Abañeenga ui-atã literalmente é “farinha dura, ou mui torrada”. Parece pois que, como nome de tribu, seja antes alterado de my-atã ou py-atã forte, rijo, tenaz, renitente, esforçado.
  5. 5,0 5,1 Pitiguaras (Purchas, ib.)
  6. Intrare (Purchas, IV, p. 1.298).
  7. Contrarieties (Purchas, ib.)
  8. Timimiuo (Purchas, ib.)
  9. Abarê (pag. 198). É o vocabulo com que no Abañeênga se ficou designando “o padre catholico ou christão” , porém tambem servindo para designar em geral “sacerdote, vigario, clerigo”. Montoya dá uma explicação desse vocabulo que vem na pag. 177 (§ 14) da “Conquista do Paraguay” reimpressa no Tomo VI dos “Annaes da Bibliotheca Nacional”. A explicação dada por Montoya é abá-homem, -diverso (por guardar castidade). Notando-se porém que “diverso” se exprime por é; que o absoluto (errar, divergir) perde o t mas não apresenta exemplo de mudar esse t em r, h, gu, parece que antes conviria considerar como um suffixo, o qual valendo por vezes o mesmo que kuer deve e póde ter as mesmas significações. Deste modo o suffixo serve de dar força ao vocabulo do mesmo modo que kuer em tantanguer (os esforçados, os valentes) derivado de tantã duro, forte, rijo. Portanto abaré significaria “o homem, ou a pessoa humana por excellencia” e ainda “o illustre, o eminente“”.
  10. Pai (pag. 198) No Tomo VII dos Annaes da Biblioteca expendemos a duvida si a dicção é genuina do Abañeênga, ou si vinha do hespanhol ou do portuguez. La tambem vem a explicação de Montoya que diz: Pay palavra de respeito com que fallavam aos seus velhos, e feiticeiros e pessoas graves. Nas Reducções usavam da expressão Pay-abaré para designar “o vigario” do aldeamento, e dahi ainda outros compostos, como Payguaçu bispo, etc. Reporto-me ao mais que vem no vocabulario citado, inclusive as referencias ao kechua e chílli, para aqui apresentar mais uma consideração. O vocabulo paye ou pajé, que tambem significa “sacerdote” inclue os sentidos de “oraculo”, feiticeiro, medico, mezinheiro" e repare-se que os catechistas nobilitaram a expressão paï a ponto de a applicarem aos padres, bispos, etc., e rebaixaram paye a designar exclusivamente “o feiticeiro”. Lembra diabolus, que remontando á fonte etymologica vai ter ao mesmo radical de zeus jupiter, jovis, etc. Por outro lado, ha tambem mbaï adj., máu, ruim, etc.
  11. They would come to (Purchas, ib.)
  12. Guamures (Purchas, ib.)
  13. Certaine stones made a purpose verie bigge (Purchas. ib.)
  14. Caátinga (pag. 200). Litteralmente caa-tinga herva branca, matto branco e ainda folha branca; o nome se estendeu aos mattos enfesados e carraseos, de vegetação não luxuriante e que apre sentam unia côr esbranquiçada; é expressão da linguagem brasileira hoje catinga. Com o significado de “bodum, máucheiro” é tambem adoptado na linguagem brasileira; creio ser de formação diversa, mas tenho minhas duvidas em reportal-o eaquatui o que exhala cheiro, o fedorento.
  15. Tunacunu (Purchas, IV, p. 1.299)
  16. Nacij (Purchas, ib.)
  17. Mandeiu (Purchas, ib.)
  18. Cariu (Purchas, ib.)
  19. Anhelim (Purchas, ib.)
  20. Guainaguaçu (Purchas, ib.)
  21. Igbigra Apuayara (Purchas, ib.)
  22. Anuacuig (Purchas, ib.)
  23. Cumpehe (Purchas, ib.)
  24. Tapecuin (Purchas, ib.)
  25. Paracuiu (Purchas, ib.)
  26. Guigraillbe (Purchas, ib.)
  27. Tœpijguiri (Purchas, IV; p. 1.300).
  28. Of the Mountaines (Purchas, ib.)
  29. Igbigranupan (Purchas, ib.)
  30. Cuirimure (Purchas, ib.)
  31. None (Purchas. ib.)
  32. Panaguiri Purebas, ib.)
  33. Bigrorgya (Purchas, ib.)