Suspiros poéticos e saudades (1865)/A Tristeza
XIV.
A TRISTEZA.
Triste sou como o salgueiroSolitario juncto ao lago,Que depois da tempestadeMostra dos raios o estrago.
De dia e noite sozinhoCausa horror ao caminhante,Que nem mesmo á sombra suaQuer pousar um só instante.
Fatal lei da naturezaSeccou minha alma e meu rosto;Profundo abysmo é meu peitoDe amargura e de desgosto.
Á ventura tão sonhada,Com que outr’ora me illudia,Adeos dice, o derradeiro,Té seu nome me angustía.
Do mundo já nada espero,Nem sei porque inda vivo!Só a esperança da morteMe causa algum lenitivo.