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Potyguaras (pag. 195). Pitiguara (na nota). Potiguaras (mais abaixo)
Nome de indios Tupi de Pernambuco e do Rio S.
Francisco, que nos dá occasião de vermos quanto é vã a
tentativa de explicar o nome, quando o chronista não ca
racteriza alguma cousa da tribu e indica o porque da de
nominação. Além das tres formas acima, ainda se vê esse
nome escripto Potyuára (Martius e P. Seguro), Pitagoar
(G. S. de Souza), Potygoar (S. de Vasconcellos), etc., etc.,
prestando-se deste modo a bem diversas interpretações,
de mais a mais divergentes na mesma forma, conforme os
autores, como se vê em Potyuára dado como patronymico
por Martius, e como significando “pescadores de camarões”
por Porto Seguro, e nenhuma das duas exacta. Poti
(e não poty) uár, alterado de potiguar, póde significar
“comedor de camarão” , mas não “pescador” , como diz
P. Seguro; quando quizessem differençar de outro nome
os indios da lingua geral podiam exprimir a mesma cousa
por poti-uhár, porque uhár é o participio regular de ú que
tambem dá guar. Aqui temos i nazal, mas sem isso Potiguar
póde ser participio de tepoti fazer evacuação, donde
tepotihar ou tepotiguar cagão. Com formação analoga á
primeira, por via de guar participio de u comer, beber,
ainda temos Pety-guar bebedor de tabaco (Montoya), fumista,
fumador.
Na fórma que dá G. Soares de Sousa, temos o substantivo Pytaguar o páo para conduzir carga sobre os hombros de dois peões, e tambem verbo “conduzir, carregar, transportar á dois”. Si este não dá para nome de tribu, ha ainda Pitagua ou pitãgua, nome de varios Lanius (que podia applicar-se a tribus) e hoje em Paraguayo significando “estrangeiro”. Como ha exemplos de guar em vez de har como suffixo de participio, podia ainda ser pytaguar por pytahar os firmes, os quedos, os que ficam, Pyteguar, por Pytehar os chupadores, etc. Afinal, com guar suffixo contracto de tequar ainda se tem Potyb-