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cação de Montoya que diz: Pay palavra de respeito com que fallavam aos seus velhos, e feiticeiros e pessoas graves. Nas Reducções usavam da expressão Pay-abaré para designar “o vigario” do aldeamento, e dahi ainda outros compostos, como Payguaçu bispo, etc. Reporto-me ao mais que vem no vocabulario citado, inclusive as referencias ao kechua e chílli, para aqui apresentar mais uma consideração.
O vocabulo paye ou pajé, que tambem significa “sacerdote” inclue os sentidos de “oraculo”, feiticeiro, medico, mezinheiro" e repare-se que os catechistas nobilitaram a expressão paï a ponto de a applicarem aos padres, bispos, etc., e rebaixaram paye a designar exclusivamente “o feiticeiro”. Lembra diabolus, que remontando á fonte etymologica vai ter ao mesmo radical de zeus jupiter, jovis, etc.
Por outro lado, ha tambem mbaï adj., máu, ruim, etc.
PANACUJU (pag. 202). Além de ser nome que não figura nos autores, não se sabe qual a verdadeira pronuncia, nem ha nada que indique a significação. Pelo themà terminal é connexo com outros que vem no texto e reportamo-nos á Cuyu. O thema pana póde explicar-se de diversos modos pelo Abañeênga, mas como thema de nome de tribu parece antes ir ter ao Kechua, onde pana significa “irmão, irma” No Javary, fronteiras do Perú, menciona-se tribu com o nome de Panos, e talvez ao mesmo radical se reporte o nome dos Manaos e ainda outros. PANAQUIRI (pag. 205). Não vindo nos autores nome similhante, nem havendo indicações que guiem a’interpretação, referimonos simplesmente ao que se diz no vocabulo precedente, em relação ao thema Pana e á Quirig. PANICU ou mais correctamente panaci (cesto). Re-