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Fernão Cardim

que sendo elles amigos dos Potyguaras[1] e parentes os Portuguezes os fizerão entre si inimigos, dando-lhos a comer, para que desta maneira lhes pudesse fazer guerra e te-los por escravos, e finalmente, tendo uma grande fome, os Portuguezes em vez de lhes acodir, os captivarão e mandarão barcos cheios a vender a outras Capitanias: ajuntou-se a isto um clerigo Portuguez Magico, que com seus enganos os acarretou todos a Pernambuco, e assim se acabou esta nação, e ficando os Portuguezes sem vizinhos que os defendessem dos Potyguaras,[1] os quaes até agora que forão desbaratados, perseguirão os Portuguezes dando-lhes de supito nas roças, fazendas, e engenhos, queimando-lhos, e matando muita gente portugueza, por serem muito guerreiros; mas já pela bondade de Deus estão livres deste sobroço.

Outros ha a que chamão Tupinaba: estes habitão do Rio Real até junto dos Ilhéos; estes entre si erão tambem contrarios, os da Bahia com os do Camamu e Tinharê.[2]

Por uma corda do Rio de São Francisco vivia outra nação a que chamavão Caaété, e tambem havia contrarios[3] entre estes e os de Pernambuco.

Dos Ilhéos, Porto Seguro até Espirito Santo

  1. 1,0 1,1 Pitiguaras (Purchas, ib.)
  2. Intrare (Purchas, IV, p. 1.298).
  3. Contrarieties (Purchas, ib.)