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arvore, da qual seria facil extrahir alcatrão.-Guanandî é talvez uma clusiacea, e poderá ser a mesma Moronobea coccinea que encontrou Aublet na Guiana franceza. 142. Das arvores que dão embira mencionadas no capitulo 68 é mais conhecida a que Velloso IX est. 127) designou por Xylopia muricata.

143. Das madeiras de lei de que n’este commentario cabe. tratar, só nos consta que estejam classificadas a do pão ferro, e a que Soares diz ubirauna, se é a braúna vulgar (Melanoxylon Brauna de Schott).— Ubira-una significa madeira preta e ubira-piroca madeira cascuda ou escamosa. 144. Tatagiba ou antes Talajuba (juba significa amarello) é a Broussonelia tinctoria, Mart.; Sereíba a Avicennia nitida, L.; e a terceira arvore, cujo nome não podemos ainda justificar, é a Laguncularia racemosa de Gaertner.— 145. A apeîba, com este mesmo nome, deu a sciencia um genero, na ordem natural das Tiliaceas. Aqui trata-se da jangadeira ou arvore das jangadas, que Arruda appellidou "A. cimbalaria.-Sobre as outras arvores não nos atrevemos a fazer reflexões sem mais conhecimento especial d’ellas: deixamos essa tarefa para os que forem botanicos de profissão; o fim d’este commentario é outro, e ainda quando estudassemos toda a vida as sciencias que abrange hoje o livro de Soares, em alguns pontos deixariamos de ser juizes competentes. O nome da arvore com que começa o capitulo deveria etymologicamente, talvez ser Catanimbúca, isto é, páo de cinza. 11 Uoiragdra quer dizer arvore de canôas.-Cremos que seja a figueira do mato ou gameleira (Ficus doliaria, Mart.) Se soubermos algum dia a lingua tupí ou guaraní, e estudarmos bem os seus nomes de arvores, animaes, etc., acharemos que todos elies terão como este sua explicação das propriedades e usos dos respectivos objectos; o que já advertimos com a palavra andira no com. 140. 146. Carunje parece-nos palavra adulterada. Inhuibatan escreve J. André Antonil (p. 57). Jacaranda é já um genero botanico creado por Jussieu; não sabemos se a elle pertence o de Soares. Mocetayba escreve o jesuita Vasconcellos (II, 80), e méssetaúba Antonil (p. 56 e 57) Ubirataya é talvez a ubiratahi ou uratahi descripta por José Barbosa de Sá (fol. 361 v.), n’um extenso livro manuscripto do seculo passado, obra feita no sentão quasi com tantas informações filhas da propria observação do autor, como esta de Soares que ora commentamos. Tangapemas lemos em Vasconcellos