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SUSPIROS POETICOS.
Quantas vezes o filho piza a terraQue o cadaver do pai, ou mãe encobre,Inda enfeitado co’ as herdadas joias?Assim da prisca Roma a filha, herdeiraDa pompa sua, majestosa se ergueSobre o immenso esqueleto mutilado   Da augusta soberana.Filha de Roma, cahirás como ella?
Estes desenterrados obeliscos,Que agora entre teus muros se levantam,Arrancados do Egypto, quantas quédasDe cidades teem visto, e terão indaNovos leitos no pó de Imperios novos!Filha de Roma, cahirás como ella!
As obras dos mortaes como elles morrem;Nem duram as cidades mais que os cedros,Que espontanea produz a Natureza;Nova planta da extincta se alimenta;   Phenix é o Universo,Que, morrendo, renasce a cada instante;Tudo o que o homem vê morte respira;