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SUSPIROS POETICOS.
O que ha-hi mais sublime que esse Mario,Genio de morte, um homem curvo á morte,Sentado nas ruínas de um Imperio?Seu rosto baço… seu olhar sombrio…Que idéa o pensamento lhe revolve?Quem não dirá que em torno d’elle gyram, Dos destroços erguidos,Milhões de espectros, cujas negras sombrasEm seu feroz semblante se desenham? Quem não dirá que elle ouve Carpidores gemidos, Magoados queixumesDe angustiadas mães, de tristes órfans,Que lhe pedem seu pão, e o amaldiçoam?
Da Humanidade inteira és symb’lo, oh Mario!Do pó tirada pela mão do Eterno,Desde o berço do sol té seu sepulchro,Quantas soffrido tem vicissitudes?Quantas phases tem tido? E marcha ainda!Quantas vezes na marcha tortuosa,Qual no mar o baixel, que o vento busca,Longas calmas soffrêo, longas tormentas?