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SUSPIROS POETICOS
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No asylo dos finados,Que só das trevas o horror aclara,Para mais realçar o horror da morte.
Como uma ave de agouro em clima estranho,De tão longiquas plagas transportado,Plagas á culta Europa ainda ignotasQuando já isto tudo eram ruínas,Eis-me aqui sobre o monte Palatino!E amanhã? — Onde irei? só Deos o sabe.
Oh pó erguido! oh pedras! oh ruínas!Que sublimes lições estais dictandoNessa muda linguagem dos sepulchros!Oh, desgraçado o povo que as não ouve!Desgraçado quem não as comprehende! Vós sois mais eloquentesQue os vossos oradores, cujas vozesVezes mil n’outros tempos echoastes:Vossa vóz só nos seios d’alma sôa,Como a terrivel voz da consciencia,Ou como o gelo, que entorpece o corpo,E a vida toda ao coração concentra.