Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/138

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
128
SUSPIROS POETICOS

Cada casa é um tumulo, e de sangue,   Logar não ha na terra,   Que manchado não fôsse.Um dia chegará a HumanidadeAo limite que Deos lhe prescrevêra.

   Não descancemos; vamos,Emquanto a sepultura não acharmosDe Filinto, que ha tanto procuramos.
Luiza e Abeilard inda no marmor,Junctos, da morte o eterno somno dormem,Neste gothico tumulo; mil c’rôasSuas estatuas cobrem, que os amantes   A seus pés depositam.Qu’eu não possa pagar igual tributo!   Amor, tu me desdenhas;Nunca um osculo teu rosciou meus labios;Nunca de virgem olhos conduídosSobre mim almas chammas espargiram;   Ah, nunca fui amado!Nascido para a dôr, jamais minha almaEm delicias de amor sonhou ao menos!