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SUSPIROS POETICOS
D’ella ausente, proscripto, na miseria, Como Camões viveste;Saudoso, e só por ella suspirando,Monumentos ergueste á gloria sua;E surda sempre foi aos teus gemidos;Como Camões morreste na indigencia!Mas elle ao menos expirou na Patria!Terra da Patria recebêo seus ossos;E tu? — Nem ella sabe onde repousas!
Oh desgraçada Lisia!Ingrata mãe de heróes, de egregios vates,Assim deleixas teus preclaros filhos, Que em fadigas se afanamPor cingir-te de brilho immarcescivel?Teu vate, teu cantor já te exprobrára,Quando com rouca voz assim dizia,E não do longo canto afadigado,Mas de cantar á gente endurecida:„O calor, com que mais se accende o engenho,„Não o dá a Patria, não; que está mettida„No gosto da cubiça, e na rudeza„De uma austera, apagada e vil tristeza.“