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SUSPIROS POETICOS
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Não; não sou desgraçado. Estas profundasDôres que me aguilhoam d’ alma os seios,São os signaes de uma lição do mundo.Sinto a dôr, mas sou grato á Providencia,Que dest’arte me instrue, como mãe terna,Que só para ensinar o filho pune.
No mais íntimo d’ alma o virtuosoAcha quem o console na desgraça.Desgraçado és tu só, tu miseravel,Tu, que não do assassino o punhal temes,Mas o punhal da propria consciencia.
Lei é da Humanidade, e não do acaso;Soffrer, sempre soffrer é seu destino.A Natureza o homem bruto cria,   O mundo o aperfeiçôa   Com dôres e trabalhos.Como se brunem com o attrito os seixos,   No revolver das ondas,Ou como no crisol, á chamma exposta,   Se purifica a prata,Dest’ arte, entregue á dôr, doma-se o homem.