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— Isso que estás dizendo agora é uma tolice, Juca; exclamou Bazilia, remechendo-se toda na cadeira; eu conheço muitas senhoras de mais de cincoenta annos, que não se trocão por estas moças do tempo de agora.
— Continua a tua historia, Juca; disse Faustino sorrindo-se.
— Faustino, prosseguiu o estudante; foi um aperto dos meus peccados! por mais que tentasse fugir da Sra. Bonifacia, o Sansão... é verdade, o tal monstro irmão da furia chamava-se mesmo Sansão; o Sansão ia diariamente buscar-me para visitar sua interessante maninha: fallavão-me ambos do rico dote, que devia passar ás minhas mãos; fazião-me presentes quasi todos os dias, e de vez em quando o Sansão me contava um sem numero de actos de valentia, de selvatiqueza, e de força bruta, que já tinha praticado, e de que muito se ufanava: ora mais claro do que isso não era possivel desejar: realmente eu me achava entre Sylla e Carybdes: era escolher entre a mão da furia, ou o punho do monstro: ou faca ou dente.
— Acaba.
— Um dia a Bonifacia e o Sansão convidaram-me e a dous amigos meus para jantar com elles: apresentarm-nos mesa lauta e vinhos preciosos; fizeram-me comer como um feitor, e beber como um polaco: antes de duas horas tanto eu, como meus dous companheiros estavamos completamente embriagados: isso mesmo esperavão os dous irmãos; aproveitando-se do nosso estado obrigaram-me a prometter casamento á furia, e a assignar um papel que não li, e que os meus dous amigos assignaram como testemunhas; finalmente despediram-me depois de fixar-se o acto do meu casamento com a Sra. Bonifacia para d'ahi a tres dias.