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RICHARD BARBROOK

o desenho, a construção, a programação e a operação poderia ser descontado. Esse processo de fetichismo tecnológico não modelou apenas as atitudes sociais daqueles que trabalhavam para a corporação em si. Acima de tudo, o futuro imaginário da inteligência artificial desviou a atenção para longe da dura economia que dirigia a informatização dos locais de trabalho nos Estados Unidos da década de 1950 e do início da de 1960. De volta ao final do século XIX, os pioneiros da IBM iniciaram seus negócios como produtores de tabuladores, máquinas de escrever e outros tipos de equipamentos de escritório. Mesmo sem a facilidade dos contratos militares dos Estados Unidos, a empresa teve obrigatoriamente que rumar para a computação a fim de proteger-se da obsolescência tecnológica. Em meados da década de 1950, o que era calculado por hordas de operadoras de tabuladores poderia agora ser feito de uma maneira muito mais barata e rápida por alguns poucos engenheiros e um mainframe.

A introdução de computadores nos locais de trabalho veio em um momento oportuno. Durante a primeira metade do século XX, grandes corporações tornaram-se as instituições dominantes da economia estadunidense. Mais do que qualquer coisa, essa centralização sem precedentes do capital foi guiada pela necessidade de aumentar a produtividade do trabalho. No momento em que a competição de mercado foi substituída pela autoridade gerencial, os custos de organização de um grande número de trabalhadores poderiam ser substancialmente reduzidos.[7] Com muitos indivíduos diferentes com investimentos na mesma companhia, as despesas em inovação tecnológica eram facilmente sanadas.[8] Já que as empresas familiares perderam essas vantagens, capital e trabalho tornaram-se crescentemente concentrados sob o controle de grandes corporações. A associação indireta foi substituída pela supervisão direta. Conforme o século XX progredia, a reestruturação corporativa da economia foi largamente imitada na política, nas artes e na vida cotidiana.

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