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RICHARD BARBROOK

dos astronautas da Nasa pela última vez na Lua e não havia mais planos para reiniciar o programa.[2] No momento em que a Guerra Fria eventualmente terminou em 1991, até a maior parte das aplicações militares para energia nuclear e viagens espaciais pareciam extremamente redundantes. Diferentemente das visões prévias sobre automóveis para as massas na Feira Mundial de 1939, as profecias sobre esses dois ícones tecnológicos na exposição de 1964 pareciam quase absurdas após um quarto de século. A época do fim da medição da eletricidade e de feriados na Lua foi indefinidamente prorrogada. A hiper-realidade colidiu com a realidade – e perdeu.

Assim como reatores nucleares e foguetes espaciais, a exibição dos computadores na Feira Mundial de 1964 também desfocava totalmente a direção do progresso tecnológico. Lideradas pela IBM, as corporações estadunidenses visualizavam o triunfo da inteligência artificial. Porém, como mais e mais pessoas passaram a utilizar computadores pelos 25 anos seguintes, o mito das máquinas pensantes perdeu grande parte de sua credibilidade. Como a eletricidade quase gratuita da energia nuclear e o turismo lunar das viagens espaciais, a iconografia da inteligência artificial só poderia esconder temporariamente o delineamento do valor de uso da computação. Entretanto, havia uma diferença crucial entre o colapso das duas primeiras profecias e o desta última. O que eventualmente desacreditou as previsões de uma energia incontável e de feriados na Lua foi sua falha em se concretizar ao longo do tempo. Ao contrário, o ceticismo sobre o futuro imaginário da inteligência artificial foi encorajado exatamente pelo fenômeno oposto: a familiaridade crescente de humanos com experiências pessoais em computadores. Após usarem essas ferramentas imperfeitas para manipular informação, era muito mais difícil acreditarem que máquinas de calcular poderiam evoluir para seres superconscientes. A inteligência artificial foi exposta como uma contradição em termos.[3]

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