Página:Futuros Imaginarios.pdf/83

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
A MÁQUINA HUMANA

que poderiam ser codificadas como um programa de computador. O aprendizado a partir de novas experiências poderia ser programado em computadores.[23] Assim que começassem a evoluir como organismos vivos, as máquinas tornar-se-iam “automatos auto-reprodutores”.[24] Nessa versão de direita, a teoria da cibernética foi redefinida como um estudo de inteligência artificial. Guiadospor McCulloch, os admiradores de von Neumann nas conferências Macy foram pioneiros na aplicação dessa nova ortodoxia dentro de outras disciplinas acadêmicas. Se os cérebros humanos fossem máquinas de calcular, instituições sociais poderiam ser estudadas como sistemas cibernéticos. Assim como computadores, indivíduos seriam processadores de informação que responderiam a ordens dadas por seus programadores.[25] Por mais de um século, o fetichismo da mercadoria inspirou o fetiche da tecnologia. Agora, dentro do remix de von Neumann da cibernética, o fetichismo tecnológico explicava uma sociedade fundada sobre o fetichismo de mercadorias. Ao invés do computador imitar um humano com êxito, esse novo teste de Turing seria confirmado quando humanos fossem indistinguíveis de computadores.

Essa versão conservadora da cibernética proveu uma nova segurança filosófica para os dilemas morais encarados pelos pesquisadores em universidades estadunidenses. Do início da década de 1950 em diante, os militares dos Estados Unidos patrocinaram entusiasticamente o desenvolvimento de jogos de computadores que simulavam uma guerra atômica entre as superpotências. Ao executarem esses programas, seus especialistas formularam o paradoxal conceito de destruição mútua assegurada. De acordo com a lógica cruel da teoria dos jogos, os benefícios da arbitrariedade pesariam para o lado da confiança mútua: "o dilema do prisioneiro". Baseadas nessa premissa, as simulações de computador provaram que a preservação da paz entre Estados Unidos e Rússia requeria uma escalada contínua da corrida armamentista nuclear. Para encorpar o conceito de Turing e

85