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RICHARD BARBROOK

teoricamente possível construir uma máquina pensante. Se neurônios agiam como chaves elétricas dentro do cérebro humano, então válvulas poderiam ser usadas para criar um cérebro eletrônico.[20] Ao mover-se para dentro da pesquisa computacional, ele recebeu largas somas de dinheiro dos militares dos Estados Unidos para realizar seu sonho. Assim como Turing, esse profeta acreditava que contínuos aperfeiçoamentos nos computadores eventualmente culminariam na emergência da inteligência artificial. Assim que o número de válvulas de um computador se aproximasse ao de neurônios de um cérebro, a máquina começaria a pensar.[21] No decorrer de uma década, von Neumann e seus colegas equipariam os militares dos EUA com soldados cibernéticos capazes de lutar e vencer uma guerra nuclear.

 

Dr. McCulloch: Que tal projetar máquinas computacionais que ao sofrerem algum dano em caçadas aéreas... possam recompor suas partes... e continuar em operação?

Dr. von Neumann: Essas são questões muito mais quantitativas do que qualitativas.[22]

 

No início da década de 1950, von Neumann havia criado com sucesso a cibernética sem Wiener. A metáfora da retroalimentação agora provava que os computadores operavam como humanos. Como os jogadores racionais de seus livros sobre a teoria dos jogos, ambos, seres vivos e mecânicos, respondiam a estímulos do ambiente à sua volta. Entradas de informação dirigiam-se às saídas de ação. Desde que o comportamento de ambos, humanos e máquinas, puderam ser descritos matematicamente, cálculos se tornaram o leitmotiv[NT 1] da consciência. Por meio dessa linha de argumento, von Neumann foi capaz de definir a missão das pesquisas dos novos departamentos de ciência da computação instalados nas universidades estadunidenses: construir inteligência artificial. A linguagem era um conjunto de regras

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