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poderiam liderar a mesma metateoria da cibernética. Contudo, em alguns poucos anos, essas duas estrelas das conferências Macy estariam divididas por suas incompatíveis posições sobre a Guerra Fria. Enquanto suas políticas divergiam, Wiener e von Neumann começaram a defender interpretações rivais da cibernética. Em sua versão de esquerda, a inteligência artificial era denunciada como a apoteose da dominação tecnológica. Ao formular seu remix de direita, von Neumann pegou a cibernética exatamente na direção oposta. Notadamente, sua interpretação enfatizou que essa teoria mestra era inspirada pela profecia de máquinas pensantes. Apoiada nessa argumentação, a crítica de Wiener da corrupção da ciência pela Guerra Fria foi utilizada para minar sua posição como guru da modernidade computadorizada. Ao promover o conceito de Turing de inteligência artificial, von Neumann elevou-se à posição de pai fundador da cibernética.[17] Ironicamente, o cientista inglês que inspirou os construtores do primeiro computador foi relegado a precursor do proeminente profeta dos cientistas estadunidenses, que alegavam terem sido eles os construtores do primeiro computador.
De volta ao início da década de 1930, von Neumann trabalhou brevemente com Turing na Universidade de Princetown. Uma década antes de seu envolvimento na computação, esse cientista húngaro já sabia do conceito de máquina universal.[18] Quando, no início da década de 1940, Warren McCulloch e Walter Pitts aplicaram a teoria de Turing para explicar o processo de pensar, von Neumann estava fascinado pelas implicações de suas especulações. Já que a calculadora mecânica era modelada sobre um cérebro humano, esses dois psicólogos de Chicago decidiram que a consciência poderia ser sinônimo de cálculo. Como os contatos elétricos de uma tabuladora IBM, neurônios eram chaves elétricas que transmitiam informação em forma binária.[19] Atônito com essa inversão da linha
de argumentação de Turing, von Neumann convenceu-se de que era